Tchim, Tchim, Mulheres!
Hoje brindemos às mulheres.
Às que somos,
Ás que fomos,
Ás que haveremos de ser.
Ás mães e às avós.
Ás avós das nossas avós.
Á nossa força inquebrável.
Á nossa “fragilidade” de aço.
Á nossa capacidade de gerar vida.
Á capacidade que temos e que nenhum homem tem,
De enfrentar a tempestade com lágrimas no rosto, mas força no peito.
Á nossa cabeça erguida para a vida.
Ás mulheres que usam a sabedoria como espada e o coração com escudo.
Ás mulheres que vencem num mundo tipicamente masculinizado, ainda!
Ás conquistadoras e ás rebeldes.
À nossa capacidade invejável de suportar a dor no corpo e no espírito.
Á nossa capacidade de dar alento, mesmo estando de rastos.
Ao nosso mistério.
Á nossa complexidade.
Á nossa capacidade de amar mais com o coração e menos com o corpo.
Ao nosso “toque” feminino que tudo embeleza.
Ao nosso charme avassalador.
Ao nosso olhar encantador.
Á nossa perseverança.
A nós, mulheres, porque somos absolutamente FANTÁSTICAS!
Brindemos a nós!
Amor & Ódio
O Amor tudo lava.
Lava almas,
Lava dores do corpo,
Lava mazelas e nódoas negras.
Só não lava sentimentos de perda.
Faz-nos voar, mas faz-nos cair também a toda a velocidade.
Faz despertar o que há de melhor e de pior nas pessoas.
Desperta risos incontroláveis e lágrimas devastadoras.
Enche-nos o coração de alegria,
E esvazia-nos os pulmões de um momento para o outro.
Deixa-nos as pernas bambas
E deixa-nos com vontade de não querermos levantar no dia seguinte.
A linha que separa o Amor do ódio é tão ténue, dizem. E acredito nisso.
Acredito que quem tem a capacidade de amar tem a de odiar.
E despertar o ódio é bem mais fácil do que despertar o amor.
Acredito nisso, porque é mais fácil.
Todos já odiamos, certo? E hoje continuamos a odiar. Sejamos verdadeiros.
E as razões que nos levam a amar e a odiar, estão tão próximas, embora circulem em estradas paralelas que a certo momento se cruzam.
E passamos a amor o que um dia odiamos e passamos a odiar o que um dia amamos.
O ódio não é incapacitante, é a forma da nossa alma se revoltar perante aquilo que não consegue aceitar ou suportar.
O ódio é gritante e também lava tudo. Mas este lava-nos a capacidade de sorrir e deixa-nos amargos, ácidos. Mas deixa-nos atentos. Alerta-nos como um alarme.
E destapa-nos a cortina de névoa que deturpa a vista do coração.
Deixa-nos sem alma e o coração negro, mas ele existe.
Amo quando tenho que amar.
Mas também odeio quando sinto que devo odiar.
Desmistifiquemos o ódio, porque nem tudo que envolve este sentimento é mau.
Curtas 5 - Pegadas
Segui-te as pegadas durante muito tempo.
Porque subitamente deixei de te ver, e tu de me procurares.
Desapareceste da minha vista e nada disseste.
Apenas me deixaste pegadas leves, pouco vincadas ao longo do caminho.
Procurei-te por trilhos, vielas e ruelas e nada de ti.
Ninguém sabe quem tu és e ninguém te viu passar, mas tu também passas bem despercebido, porque és discreto.
E isso chamou-me tanto à atenção, porque eu sou como tu e sempre pensei que nos daríamos bem.
Encontrei-te perdido, incapaz de pedir auxilio, e fui eu que te dei a mão, e que te levei onde querias ir.
Dei-te abrigo do frio do coração e um refugio para a alma.
E quando já estavas bem, quando já te sentia bem quente, quando já tinha conseguido arrancar um sorriso envergonhado de ti, tu perdeste-te novamente.
E eu perdi algo de mim, que não sabia que me pertencia.
E agora, ando à deriva, porque tu também o andas.
Perdi-me porque tu também andas perdido.
E eu quero tanto encontrar-te mas não sei se queres que eu te encontre.
Não sei se estas pegadas são um sinal de socorro, ou se te esqueceste de as apagar, enquanto te ias embora. Não quero pensar que quiseste fugir.
E agora, que deixaste um trilho mesmo sem saber se foi ou não intencional, eu sei que te quero encontrar e desta vez não vou desistir e vou estar atenta.
De ti, não posso esperar novos silêncios. Porque o meu caminho que se cruzou com o teu caminho, depende de ti.
Porque no fundo, encontrei um trilho e uma justificação para o percorrer. E sem ti, neste momento não faz sentido, porque mais nada faz sentido, nem as horas nem os dias, nem o universo.
Sou bem capaz de me sentar na curva à espera que me pegues pela mão e que me leves de novo…
Agora descobri! Agora descobri que não fui eu que te encontrei! Foste tu que me encontraste! Não eras tu que procuravas auxilio, mas fui eu que to pedi, mesmo sem o ter pedido. E tu, conseguiste ler-me na perfeição.
Não fui eu que te aqueci, foste tu que me deste alento e nova vontade de sorrir.
Não fui eu que te ajudei. Foste tu que me deste uma esperança. Esperança de que vale a pena esperar por dias melhores, porque nem tudo é mau na vida e porque as tristezas também se dissolvem num simples sorriso. No teu sorriso.
Agora que me fizeste encontrar, não quero mais perder-me e isso não vai mais acontecer, porque tu passaste por mim.
E descobri também que não te perdi, a não ser dentro de mim mesma.
Afinal, estavas aqui bem escondido, à espreita, vigilante, à espera que eu chegasse à conclusão que afinal as coisas boas estão aí, à espera de serem encontradas.
Haja vontade de sair à rua e de procurá-las.
E se não as tiveres, procura as pegadas. Elas levantam-te a um porto seguro.
Curtas 4 - O Começo de Tudo
Hoje que me rendo ao sentimento, não sei por que lado nos hei-de começar.
Se por um beijo, se por um abraço, se por um aperto de mãos.
Se te falo, ou me mantenho em silêncio.
Se espero que avances, ou que me chames.
Não sei se te escrevo, ou se te envio um sms a dizer o que sinto,
Mesmo sem ter-mos começado coisa nenhuma.
Esta história tem que ser longa, e por isso, só posso esperar um inicio envolvente,
Que traga mistério e nos cative. A mim para ficar em ti, e a ti para ficares em mim.
Não preciso que me digas muita coisa, prefiro que faças coisas.
Prefiro pequenos gestos a grandes palavras.
Quando começar-mos, leva-me para bem longe.
Leva-me para onde nunca fui, e para onde nunca sequer sonhei.
È isso que espero de ti: novidade e surpresa.
Quero que me enchas o peito de alegria e os olhos de emoção.
Quero saborear o teu abraço com intenções sinceras e não apenas sentir os teus braços à minha volta.
Quero o calor da tua respiração na minha cara quando acordar, e a primeira coisa que quero ver é o teu sorriso maravilhoso a abrir-me as cortinas de um novo dia.
Quero beijos para o pequeno almoço, recheados com aconchegos.
Quero o teu calor a proteger-me do friozinho matinal, como um cobertor.
Quero sentir-me em casa.
Quero sentir, que tu és a minha casa, e de onde jamais quererei fugir.
Quando quiseres começar, sabes onde encontrar-me.
Sempre aqui estive, à tua espera.
Dias Difíceis
Dias difíceis, meus amigos,
Todos nós temos.
Uns piores do que outros
E pessoas com bagagens mais resistente para os suportar.
Outros com meras malas de cartão.
No entanto, há pessoas que surpreendem de sobremaneira.
Mesmo com nuvens negras no coração e olhos carregados de dor,
Não deixam o optimismo na gaveta.
Não deixam de andar para a frente.
Porque realmente, a vida é tão curta para nos aborrecermos.
A vida é tão curta para dar-mos importância ao que não deve ter.
E é nos dias difíceis que mostramos quem realmente somos.
Mostramos de que matéria somos feitos.
Uns de baralhos de cartas e outros de aço,
Que não se deixam dobrar perante as pedras no caminho.
Porque a vida também tem “pesos pesados”.
Tão pesados, que parece que levamos chumbo nos ombros.
Por isso:
A todos os que têm bagagem resistente, que têm almas de aço e
A derrota não faz parte do seu dicionário;
A todos que perante a tempestade reconstroem corações e esperanças;
Que não deixam que outros percam a fé e o gosto pela vida;
Aos que acreditam e não desistem, mesmo estando no fundo do poço.
Aos que acreditam que “não há mal que sempre dure”.
Aos que se matêm de pé, como as árvores.
Aos que não esmorecem com más noticias.
Aos que ficam para contar as suas histórias.
Aos que me dão exemplos destes todos os dias.
Aos que estão perto de mim.
Aos que me tentam ensinar a não desistir, nunca.
A vocês que são o meu exemplo.
O meu muito obrigada,
Por um dia se cruzarem comigo.
[para um Amigo muito especial]
Dissertação ingénua do Amor
Gostava de ter a certeza que o amor é eterno.
Que não murcha como as flores;
Que não morre com as pessoas;
Que não se desintegra como os átomos;
Que não nasce nas árvores como os frutos,
Que amadurecem, apodrecem e caiem.
O amor devia ser como as estrelas,
Que mesmo depois de morrerem,
Continuam a brilhar,
E todos nós acreditamos que elas continuam lá,
Brilhantes e cintilantes,
Como as vemos a anos luz de distância.
Era bom acreditar,
Que o Amor é como o ar que respiramos,
E que quando ele rareia,
Podemos ir à farmácia,
Comprar uma botijinha dele, como se fosse oxigénio.
Que podemos apanhá-lo no ar, mesmo sem querer,
Tropeçar nele, sem nunca nos magoarmos.
Ou então, que vem nos alimentos, como uma vitamina.
Se assim fosse, não me importava de apanhar uma vitaminose.
Amar tudo e para sempre!
Não haveria de passar doença por este corpo!
Curtas 3 - Carta de Despedida
Se houvesse uma palavra que eu te pudesse dizer já, diria, mas as palavras já de nada valem, porque o abismo está à vista, e junto com o abismo, o fim.
Vou poupar-te as palavras, meu amor. Deixo-te apenas a minha imagem de quando era feliz, o sabor dos nossos melhores momentos e o trago de mel do último beijo que te dei, ainda hoje.
Parto, porque a vontade de ir é mais forte do que a de ficar, mesmo por ti.
Não é egoísmo. É uma vontade avassaladora de deixar tudo para trás. Tudo o que não quis na vida, tudo o que não quero. De deixar de ser simplesmente eu. Só não pretendia deixar-te. Mas serás feliz. Tenho a certeza disso. Sei que vais ser feliz. Sei que vais encontrar alguém disposto a dar-te muito mais do que eu te dei. Sei que vais deixar uma semente, um marco na vida, no mundo. Em mim, não germinou. Sou solo pobre que não deixa ganhar raiz.
Por isso, não chores por mim, agora que lês a minha despedida. Chora pelo que fui, pelo que fui e não queria ter sido.
Não quero funerais, nem flores, nem choros desesperados. Quero a tranquilidade da imensidão. E isso, meu amor, nem tu me podes dar.
Pensa que fiz uma viagem. Que arrumei as malas e viajei para o outro lado da vida.
Talvez seja melhor, ou talvez não.
Mas a única certeza e verdade que conheço é que não quero mais ficar.
Não percas mais tempo comigo, meu amor. Vai! Queima esta carta e deixa-me para trás. Vive por ti e não por mim. Sê feliz. E eu sei que o serás.
Um beijo de quem te amou em silêncio eterno.
Curtas 2 – Receita para a Solidão
Captei o teu semblante, no meio da multidão. E rapidamente, desenhei a traços largos, a tua face com a minha imaginação, que é tão generosa e muito melhor do que a matéria.
Debruei os teus olhos, grandes, cor de amêndoa, com traços finos e de suave aguarela, tracei o teu nariz, contornei a tua boca, dei-te uns dentes alvos perfeitos, e um sorriso envolvente.
Não tens corpo, aos olhos da mente. Apenas face, e isso basta-me. És fruto colorido da minha tela imaginária. És rosto perfeito. E és só meu, porque só eu te vejo. Só eu sei quem és. Não passas de um perfeito desconhecido na imaginação de outros. Se passares por eles, passas despercebido, porque para eles, és mais um entre tantos outros estranhos.
Se te perder de vista, é porque calcorreio caminhos nos quais tu não me segues.
Se deixar de te ver ou de te falar, é porque morri e não porque te substitui por outro rosto qualquer.
Não! Porque só tu me isolas da solidão. Só tu me fazes companhia. Só tu me contas histórias que me fazem chorar de tanto rir. As lágrimas também são boas porque não se chora só de tristeza. E tu ensinaste-me isso.
Gostava de jantar contigo, mas não posso, porque tu, apenas te alimentas dos meus sonhos, da minha tristeza e da minha vontade de nunca estar sozinha.
Gostava de sentir as tuas mãos a passear-me no cabelo, mas ainda não as desenhei, por isso, já me sinto feliz, só de olhar para ti, sempre com esse sorriso límpido e imaculado.
E falas-me aqui, dentro da cabeça. Tens uma voz tão bonita, tão suave e tão segura. E dás-me o privilégio da tua doce companhia, todos os dias. Queres sempre saber o que fiz, o que vou fazer, se estou bem de saúde, se me alimentei bem. Dizes-me “Bom Dia” “Boa Noite” e “Até amanhã”.
És tão carinhoso comigo. És de uma meiguice sem igual e de uma preocupação constante e cuidada, tal como um pai é para com o seu filho, mas sem o ser.
Agora que me lembro, não te dei um nome.
Que nome fica bem com essa cara, com esses olhos, com esse sorriso, com essa voz?
Sinceramente, não sei e tu também não dás palpites, porque se calhar eu não quero. Porque certamente, essa decisão cabe a mim tomá-la, que te desenhei num dia de chuva, no meio da multidão.
Acho que se te der um nome, deixas de ser tu. Prefiro não te chamar por coisa nenhuma. Afinal de contas, tu também estás sempre comigo, por isso, para quê chamar-te?
Concordas? Claro que sim. És uma mescla de sonho, desejo e vontade. És a minha mais perfeita receita, com todos os condimentos nas doses certas.
És face e não corpo. És vontade e não imposição. És perfeição e não defeito.
Não és matéria, és a aguarela que me dissipa a solidão.
Existes porque eu existo. Se eu morrer, morres comigo. Mas até lá, sou Feliz.
05 Setembro 2006
Curtas 1 - Enquanto houver Sol e Lua
No 1º dia em que entrei por esta porta, olhaste-me e sorriste, e mesmo sem poder falar, senti o eco da tua voz bem fundo em mim.
Agarrei-te a mão e tu, com a pouca força que já em ti pulsava, fizeste um esforço quase sobre-humano para corresponder ao meu gesto.
Ali ficamos, naquele quarto de hospital, despersonalizado, desumanizado com tantas máquinas que te agarram à vida.
Pudesse eu ter esse poder. De te agarrar à vida como essas máquinas que te invadiam o corpo. Pudesse eu ter o dom de te ver novamente iluminado como sempre foste.
Pudesse eu.
Mas não posso.
Apenas posso agarrar-te a mão e dizer-te tudo aquilo que não te disse. Apenas te posso dizer que és o amor da minha vida e que sempre o serás. Sempre. Sempre, enquanto houver Sol e Lua.
Que me vejo a fazer promessas a um qualquer deus para que fiques bom e para que te traga de novo à vida. À nossa vida que ficou a meio, incompleta, tal como um livro cuja continuação ficou suspensa.
Não sei escrever sem ti. Não quero escrever sem ti. A minha história é também a tua e não a posso continuar apenas a duas mãos.
E hoje, que entro novamente neste quarto, olho-te, mas tu já não me olhas. As batidas do teu coração que entoam no meu, estão fracas. Quase que não as sinto.
Agarro novamente a tua mão. Está fria, quase sem vida, e tu já não correspondes.
Que deus é este que te tira de mim, mesmo depois de tanto lhe suplicar para que não te leve. Mesmo depois de tantas promessas feitas.
Que deus é este! Terei eu que vender a alma ao diabo? É isso que querem? Então vendo. Vendo a minha alma ao diabo, mas não o levem!
Abano-te na expectativa de ver um sinal teu. Peço-te que mexas um dedo como sinal que me estás a ouvir, mas nada.
Apenas o silêncio se faz sentir. O som da desistência. O som da perda. O som do fim.
Deixaste-me apenas o meu amor por ti, incompleto, suspenso, como um livro.
A minha vida é agora reticências. Milhares de reticências. Ensinaste-me tanto enquanto estiveste comigo.
Só não me ensinaste a desistir de ti.
Amo-te para sempre. Para sempre, enquanto houver Sol e Lua.
Outubro
Neste Outubro em que, finalmente, vamos unir as nossas vidas na plenitude merecida, espero, nem mais nem menos, que doces momentos.
Espero ter um coração a querer-me saltar do peito e pernas bailarinas ao ritmo do nervoso miudinho.
Espero sorrir muito, para disfarçar as emoções do momento, mas sobretudo, espero ter-te do outro lado, com um sorriso aberto e mãos dispostas a receberem-me na tua vida, já que me mudei, definitivamente, para o teu coração.
Espero partilhar com todos os amigos, mesmo os ausentes, este momento único e tão desejado.
Espero receber e retribuir sorrisos de felicidade.
Espero que a emoção faça explodir o coração e estremecer o espírito e que os meus pés deixem de sentir o chão, nem que seja por alguns segundos.
Quero sentir-me etérea, quero ter a alma leve de arrependimentos. Quero respirar fundo, e ter esperança de que ao cortar cordões e elos não deixo ninguém com pesos e preocupações na alma.
Neste Outubro quero ter apenas, sobre os meus ombros, a certeza do meu amor por ti, e a certeza de que construímos uma ponte com alicerces. Que unimos margens e intenções, unimos decisões e estratégias.
Neste Outubro, apenas desejo ser tua e tu meu, e por alguns momentos ser egoísta e pensar que no Mundo, só nós existimos.