Segunda-feira, Novembro 27, 2006

CURTAS 6 - Pedido às Estrelas

Esta chuva molha-me as mãos já cansadas de te escrever. Mas a minha vontade de continuar a falar contigo, em monólogos silenciosos, é mais forte que o meu cansaço.
À noite, só à noite é que deixo repousar o sentimento por ti, nestas folhas de papel, já amareladas pelo tempo.
E à noite, só à noite, abro a janela do meu quarto e deixo entrar as estrelas ao som nítido do mar, que está logo ali, ao alcance do meu olhar pesado e entristecido desde que partiste.
Mas continuo a ter-te por minha doce companhia. Não falo contigo, mas escrevo-te. E enquanto as mãos trémulas me deixarem, assim continuarei a fazer.
Talvez tu até as leias. Os espíritos rondam-nos por todo o lado, já dizia a minha avó, e depois da minha avó, a minha mãe. E eu quero mesmo acreditar que tu sentas do meu lado, e que vais lendo o que te quero dizer à medida que eu te vou escrevendo.
E que te sentas no parapeito da janela, onde contemplas as estrelas juntamente comigo, e te deixas perder na imensidão do mar.
As cartas guardo-as todas. Não sei porquê. Não tenho ninguém a quem, um dia, as deixar.
Na minha última carta, vou pedir a quem as achar, que as deite ao mar, que sempre foi o papel de parede do nosso amor. E às estrelas vou pedir o que sempre pedi, mas já não em segredo.

Sexta-feira, Novembro 24, 2006

Mensagem para Fim-de-Semana

Um dia a maioria de nós irá separar-se.
Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que partilhámos.
Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia, das vésperas dosf inais de semana, dos finais de ano, enfim...do companheirismo vivido.
Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre.
Hoje, não tenho mais tanta certeza disso.
Em breve cada um vai para seu lado, seja pelo destino ou por algum desentendimento, segue a sua vida.
Talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe...nas cartas que trocaremos.
Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices...
Aí, os dias vão passar, meses...anos...até este contacto se tornar cadavez mais raro.
Vamo-nos perder no tempo...
Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e perguntarão:
"Quem são aquelas pessoas?"
Diremos ...que eram nossos amigos e...isso vai doer tanto!
"Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons anos da minha vida!"
A saudade vai apertar bem dentro do peito.
Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente...
Quando o nosso grupo estiver incompleto...reunir-nos-emos para um último adeus de um amigo.
E, entre lágrima abraçar-nos-emos.
Então faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante.
Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vida, isolada do passado.
E perder-nos-emos no tempo...
Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo:
Não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades...
Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os"meus amores", mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos.

Fernando Pessoa

Quarta-feira, Novembro 22, 2006

Hoje sonhei-te…

Hoje sonhei-te.
Sonhei-te a noite toda.
As tuas mãos tocaram nas minhas,
E os teus lábios bailaram nos meus.
Sonhei-te palavras lindas que me dizias em sussurro,
Enquanto estávamos aninhados um no outro.
Sonhei que te afagava o cabelo
Enquanto passarinhavas os teus dedos pelo meu corpo.
Hoje sonhei que ia ser sempre assim.
Que tínhamos um mundo só nosso e secreto.
Intocável e inquebrável.
E um amor alinhavado a 4 mãos e a duas vontades.
Hoje quero continuar a sonhar-te
Porque tu, és o meu sonho mais bonito e mais inocente,
Que elevo ao sabor das estrelas como um papagaio de papel.
E hoje quando acordar, vou voltar a sorrir.
Porque amanhã voltarei a sonhar-te.

Segunda-feira, Novembro 20, 2006

Aniversário pequenino...

14 Novembro 2006

... completei 1 mês de casada...
Hoje dou-vos um "cheirinho" desse dia.


Sexta-feira, Novembro 17, 2006

Doce Amigo

Querido Amigo,

Hoje escrevo-te, porque sinto a necessidade de o fazer.
Mesmo na curta distância física que nos separa, estou sempre contigo, estejas onde estiveres. Porque o meu pensamento flui para ti e o meu coração já bem te conhece.
E choro também contigo, porque é-me impossível não o fazer.
Porque embora a família seja extensão do nosso sangue e da nossa carne, os amigos são extensões da nossa alma, do nosso ser e do nosso sentir. E a minha alma enriqueceu desde que tive o privilégio de te conhecer.
Por isso, Amigo, também me “dóis”, aqui no peito, e nada posso fazer para aliviar o teu pesar e a tua dor, a não ser aquilo que de melhor sei fazer. Escrever e escrever-te.
E às vezes as palavras valem mais que um gesto, quando entre nós, decidimos estabelecer um “pacto de palavras” escritas, que sabem tão bem e cada vez melhor.
E com elas, tens a capacidade de me arrancar um sorriso, quando eu própria não quero sorrir, e fazes-me falar quando eu teimo em remoer por dentro.
Tu, passaste a fazer parte do meu “núcleo duro”, e como Amigos que somos sentimos a alegria e a tristeza uns do outros e marcamos presença firme na forma e maneira que nos é possível. Estamos sempre lá. Estamos sempre presentes.
E eu, escrevo-te, porque sei que gostas de me ler, e neste momento gostava muito que tu fizesses uma coisa que gostas. E se com estas palavras conseguisse um esboçar de sorriso teu, como tu consegues fazer sempre comigo, seria tão bom.
Por isso, espero com estas palavras, dar-te um pouquinho de alento no teu coração, porque deste lado, terás sempre uma Amiga presente e para sempre disposta a ver-te e fazer-te sorrir.

Um Beijo para ti do tamanho da nossa Amizade.

PC

Terça-feira, Novembro 14, 2006

Desejo de não Ser

Hoje,
Apetecia-me deitar na areia e desfazer-me nas ondas.
Tornar-me parte integrante da imensidão.
Encomendar a minha alma às estrelas.
E ter o sol e a lua por companhia.


Putty

Sexta-feira, Novembro 10, 2006

(...)
Gostava que ficasses a saber que existe alguém no mundo que gosta de ti e que sonha contigo todos os dias. Que te escreve e que imagina diálogos e passeios na praia a dois.
Que adorava um dia, andar de mão dada contigo. Que adorava misturar o teu suor no dela.
Gostava tanto que soubesses, que quando essa pessoa acorda, o primeiro pensamento é para ti, que o primeiro sorriso matinal é para ti, que o primeiro suspiro é para ti.
Gostava que soubesses, que és tu a aguarela dos seus sonhos, que és tu que lhe pintas todos os dias com cores diferentes e és tu a razão pela qual ela ganhou a vontade de mudar. Mudar tudo! Até mudar de Mundo se pudesse. Ou então, que, de vez em quando, tu quisesses dar uma saltada até ao dela.
Mas o meu Mundo era pequeno demais para ti. Tu desejavas já o Universo por inteiro, sem partilhas, sem cedências.
E eu desejava que tu quisesses ser o meu Universo, quando no meu coração já o eras.
O tempo tudo cura. Eu queria que o tempo te curasse dessa cegueira que te impede de me veres verdadeiramente. Mas eu não quero que o tempo te cure. Não pretendo nenhum penso rápido sobre uma ferida que eu não quero que sare. Porque essa ferida abriu-me os olhos para ti. Abriu-me os olhos para um novo mundo de sonhos e de objectivos. E o meu principal objectivo és tu. Depois é só dar tempo ao tempo, que tudo cura, que fizesse de mim e de ti, um nós, mesmo imperfeito. E porque o tempo tudo cura e tudo resolve, de certeza que resolveria essa imperfeição num amor sublime e invejável ao mais duro de coração.
Quero-te em sangue vivo, porque embora me doas, fazes-me sonhar. E isso eu não sabia fazer. E quem sonha tem tudo o que quiser, num simples pensamento rápido e indolor.
Quem sonha, pode sempre voltar atrás, ou pode saltar anos à frente. A nossa capacidade de sonhar é o melhor de todos os sentidos, porque reúne num só todos os outros. (...)


[ ...trecho de algo que estou a construir... ]