Terça-feira, Fevereiro 27, 2007

Curtíssima

Hoje apetecia-te chorar, gritar, não é?
Como te compreendo.
Como te compreendo, mesmo.
Não só isso te apetecia hoje, pois não?

Eu sei. Mas não vou dizer.
É grave demais para ser dito.
E dito, perderia todo o sentido.
Por isso, olha, junta-te a mim,
E vamos chorar os dois, juntos.
Ao menos não choramos sozinhos.

Sexta-feira, Fevereiro 23, 2007

Assim falou...


(...)
Eu acreditaria somente num Deus que soubesse dançar.
E, quando vi meu Diabo, achei-o sério, metódico, profundo, solene:
era o espírito de gravidade - a causa pela qual todas as coisas caem.

Não é com a ira que se mata, mas com o riso.
Eia, pois, vamos matar o espírito de gravidade!

Aprendi a caminhar; desde então gosto de correr.
Aprendi a voar; desde então, não preciso de que me empurrem, para sair do lugar.
Agora, estou leve;
Agora vôo;
Agora vejo-me debaixo de mim mesmo;
Agora um Deus dança dentro de mim.

Nietzsche

Quinta-feira, Fevereiro 15, 2007

Querido Diário (1)

Hoje não tenho nada.
Não tenho uma palavra amiga.
Não tenho sonhos inatingíveis.
Hoje não voo nem quero ganhar asas.
Hoje sou espírito mortal.
A noite ronda-me e eu vagueio,
Tal como um vagabundo na escuridão.
Não quero sentir nada, hoje.
Hoje quero estar alheada até de mim mesma.
Ou pelo menos queria, tivesse eu outra pele no corpo.
Hoje é apenas mais um dia da minha vida
Ou a minha vida a passar por um dia.
Hoje sorrio forçadamente.
Hoje, hoje, hoje…
Demora a passar o dia de hoje.
E só de pensar que o amanhã vem logo a seguir…..
Que angústia.

Que venha o amanhã.
Ou eu passo por ele,
Ou ele atropela-me com o peso das horas.

Que venha o amanhã.
Quer queira, quer não
Se não morrer hoje,
Terei que o defrontar, o Amanhã.

Hoje sinto-me derrotada.
Sei lá porquê.

Terça-feira, Fevereiro 13, 2007

Curtas 12 – À Porta dos Sonhos

Hoje acordei contigo no pensamento, como nunca antes tinha feito.
E hoje, só hoje, consegui bater à porta dos teus sonhos, dos quais tu sempre fizeste questão de me dizer, que eu era parte integrante.
E finalmente, aqui estou, rendido a ti, ao teu amor e à tua dedicação.
Hoje, estou de alma e coração abertos, e com vontade de te dizer que estou pronto para te amar de vez, sem reticências, sem interrogações, sem “mas”, e sem “ses”.
Quero deixar as minhas dúvidas de menino e fazer valer, de uma vez por todas, as minhas certezas de homem que vou descobrindo.
Quero, desta vez, prender-me a sério a ti, que há muito estás presa a mim, mesmo sem cordas, tal como as palavras se prendem e fundem num papel em branco.
Tu, que sempre recusaste um outro possível amor, que ouviste súplicas e declarações de outros homens, e nunca te rendeste. Fizeste uma jura em silêncio, talvez até promessas e feitiços para me teres. Nunca desististe e por ti, serias capaz de morrer assim mesmo, entregue a uma possibilidade, a um amor quase realizado, a uma meia entrega. E essa porta, sempre fechada aos outros, manteve-se resistentemente entreaberta para mim.
E hoje, acordo contigo. Não do meu lado, mas na minha boca, quando chamei pelo teu nome, e no meu pensamento, quando quis, por força do sobrenatural até, que ali aparecesses, na cama e do meu lado. Que me oferecesses esse sorriso de que tantas vezes trocei. Que me deixasses dar-te o beijo que os teus olhos sempre me pediram e que a minha vontade sempre recusou saciar.
Mal sabia eu que implantaste em mim a semente do desejo por ti.
Mal sabia eu, que hoje, bater-te-ia à porta dos sonhos.
Hoje, entrego-me.
Espero-te do outro lado…

Quinta-feira, Fevereiro 08, 2007

Curtas 11 – I Miss You Every Day….

Agora que partiste,
Agarro-me aos momentos
Que por nós passaram.
Para mim, não existiam dias, nem semanas, nem meses.
Existiam momentos.
E contigo vivi-os como se amanhã não houvesse mais nada.
Vivi-te intensamente, tal como tu a mim.
Foi tudo tão rápido….
E eu, que te desejei sempre tão devagar, tão sossegadamente,
Como se devem amar os amantes.
Assim eu penso, que não deviam ser contabilizados dias nem meses, nem anos.
Não deveríamos lembrar-nos quando começou nem quando acabou, mas apenas enquanto durou e o que durou. E isso é que deve ser celebrado, recordado e memorizado na pele.
O durante é que é precioso. É o que faz história.
E o nosso durante foi tão bom, tão bonito e tão inesquecível.
E hoje, cravo na pele o teu cheiro, o teu toque de dedos, os teus beijos e palavras,
Que para mim, não tiveram tempo nem época. São intemporais e estão bem guardados.
E hoje, cravo na pele, o desejo de que te quero mais e mais.
E quero que voltes, junto com os nossos momentos.
Quero não ter que pensar outra vez nos dias, nas semanas, nos meses, que voltaram a passar por mim com o peso do tempo sem ti.
Quero-te de volta e sinto a tua falta, todos os dias.
Quero que voltes num dia qualquer a uma hora qualquer. Não interessa quando, nem como.
Quero de volta a redescoberta do nosso encontro que nos tornou intemporais e invencíveis aos estilhaços do tempo.

I miss you every day….


2007, Fevereiro 07

Quarta-feira, Fevereiro 07, 2007

Eternamente tu

O tempo não sabe nada, o tempo não tem razão
O tempo nunca existiu, o tempo é nossa invenção
Se abandonarmos as horas não nos sentimos sós

Meu amor, o tempo somos nós.

O espaço tem o volume da imaginação
Além do nosso horizonte existe outra dimensão
O espaço foi construído sem principio nem fim

Meu amor, tu cabes dentro de mim.

O meu tesouro és tu
Eternamente tu

Não há passos divergentes para quem se quer Encontrar
A nossa história começa na total escuridão
Onde o mistério ultrapassa a nossa compreensão
A nossa história é o esforço para alcançar a luz

Meu amor, o impossível seduz.

O meu tesouro és tu
Eternamente tu

Não há passos divergentes para quem se quer Encontrar...

[Jorge Palma]

Quinta-feira, Fevereiro 01, 2007

1980 Fevereiro, 01 - 3h25 a.m.

Acorda, menina linda !
Anda brincar !
Que o Sol está lá fora à espera de te ouvir cantar !
Acorda, menina linda !
Vem oferecer
O teu sorriso ao dia
Que acabou de nascer !
Por que terras de sonho andaste ?
Que Mundo te recebeu ?
Que monstro te meteu medo ?
Que anjo te protegeu ?
Quem foi o menino que o teu coração prendeu ?

Há 27 anos nasci para o Mundo, com os meus 52 cm e 2750 g!

E hoje não sou eu (apenas) que estou de parabéns, mas a minha mamã também.

Por isso, para a pessoa que me conhece desde sempre e para sempre: PARABÉNS MÃE !
Amo-te muito!