Porque te escrevo, não sei

Porque te escrevo, não sei.
As palavras têm vida própria.
Mais vida do que eu,
Que sou veículo da sua mensagem.
Porque te escrevo, eu não sei.
Talvez porque me suaviza os dias e as horas.
Talvez porque me descomprime o coração,
Acordado para o sentimento.
Porque os meus dedos falam alto
E o pensamento grita cá dentro.
Porque sou fiel a mim.
Porque se não escrever
É como se me enganasse a mim própria.
Porque a mim o devo.
Porque o sinto.
Porque te sinto.
Porque de ti quero falar.
Não quero que a garganta arranhe.
Não quero um amanhã de arrependimento
Não quero um “e se…”
Não quero.
Escrevo-te até esgotar as palavras para te escrever.
Até os meus dedos ficarem dormentes e doridos.
Até mente e mãos, deixarem de compor melodias
Que de ti falem
Que para ti se encaminhem.
Até o pensamento escorrer por completo
E secar a última gota,
Da última palavra,
Da última sílaba,
Do último ponto final.
Enquanto sentir o bater do coração
Escrever-te-ei.
Enquanto te olhar
E sentir que existe uma razão,
Uma apenas,
Para sorrir
Escrever-te-ei.
Enquanto ouvir uma música que de ti me fale,
Escrever-te-ei.
Enquanto a emoção falar mais alto,
E a razão não me pregar uma rasteira.
Escrever-te-ei.
Até saber onde começa e termina o meu mundo,
Escrever-te-ei.
E um dia, se eu não mais estiver,
Lê-me.
Porque tu foste
O meu mais bonito
Momento de Felicidade.
E esse será assim, eternizado
Nas palavras que te escrevo.
(foto ?)
escrito em 2007, Junho 26








