Terça-feira, Julho 24, 2007

No Meu Colo Vazio












Sinto falta de algo.

Aqui.

Bem aqui.

No meio do meu colo.


Invado-o com as mãos

E recolho-as vazias

Sem estrelas, sem sonhos.


Sempre vazias,

De um vazio imenso,

E feito de nada.


Levo as mãos ao rosto

E sinto-lhes o cheiro,

O intenso odor,

Da falta que me faz,

O algo que não encontro.


Levo as mãos aos bolsos,

E de lá puxo

Forros despojados,

De um presente que não sei se quero,

De um futuro imaginado,

Onde tu e eu marcamos presença.


E continuo a sentir o odor…

E as mãos continuam frias…

E o colo vazio...


O que me faz falta?


O que me faz falta,

És tu.


És tu o meu vazio por preencher.

És tu que marcas a diferença.

És tu por quem o meu coração chora ausência.

És tu quem me esmaga o peito de saudade.

És tu por quem a minha boca pede beijos.

És tu por quem o meu pensamento se vicia,

Dia a pós dia,

Noite após noite.


És tu…

És tu que o meu colo chama,

Juntamente com as estrelas.


És tu…


E por isso,

"Amanhã, parto contigo,
Amanhã, foge comigo,
Amanhã, longe daqui,
Amanhã, leva-me em ti.*" *


Levas-me contigo?



(* Pedro Abrunhosa)

Gatafunhado a 2007, Julho 06



ps: Vou de férias.

Regresso num dia destes...

Quinta-feira, Julho 19, 2007

O que significa tudo isto














Hei, Tu!

Sim, Tu!


Tenho a palavra Amor

Pendurada no teu nome, sabias?


E por sua vez, o teu nome

Está debruado com as linhas do meu

Num remate sem defeitos.


E quando digo o teu nome baixinho,

Apenas para mim,

E te penso,

As horas sossegam,

Os minutos descontraem,

E eu voo até ti,

Tentando descomprimir

O desespero da tua demora.


Sabes como é,

Este aperto de estômago?


De quem tem fome e não quer comer,

De quem tem sede de beijos e não de água,

De quem quer ter as mãos preenchidas com outras mãos,

Que saibam ler as linhas do coração e da vida

Ignorando a linha sinuosa do Futuro?


Sabes o que é,

Querer rir e chorar ao mesmo tempo

Sem saber muito bem por qual deles começar?


Sabes o que é,

Sentir medo de perder alguém,

Mais do que te perderes a ti próprio?


Sabes o que é,

Sentir que o teu coração não parou?


Que o teu dia-a-dia,

É uma constante arritmia de sensações

Sentimentos e Desejos?


Sabes o que significa,

Fazer da Noite cúmplice

E da Lua madrinha?

O polvilhar de estrelas sobre mim,

(Fechar os olhos…)

E sentir-te todos os beijos?


Sabes o que tudo isto significa?


Significa um todo,

Que é tudo,

Mesmo não sendo nada,

Mesmo não tendo nada.


E assim,

Faço do nada que de ti tenho

O tudo,

Que em mim Tu és.

Deixo-te o meu beijo

Largado ao vento…

Fecha os olhos…

Estende os abraços…

Abre as mãos…

Recebe-o,

E ter-me-ás para sempre.


gatafunhado em 2007, Julho 18

(imagem ?)

Segunda-feira, Julho 16, 2007

O que te diz o teu Silêncio

















O que te diz o teu silêncio,

No silêncio dos dias que te parecem perdidos,

No silêncio das horas que se arrastam pelos dias.


Diz-me,

Diz-me o que acontece no teu silêncio.


No silêncio da noite,

Quando o ruído do sol termina.


No silêncio do cerrar das pálpebras

E no abrir do baú das memórias.


Diz-me o que vês no teu silêncio,

Quando abres as mãos

E vês que tão pouco ou nada te resta.


Diz-me o que te diz o teu silêncio,

Quando a dor do peito aperta

E esmaga saudades.


No silêncio,

E no vazio desse silêncio,

Entre corações que já não se conhecem,

Por entre mãos separadas e corpos estranhos,

Perdidos um do outro.


Diz-me…

O que te diz o teu silêncio,

Nas palavras que te voam soltas no peito.

No gesto dos abraços que dás,

Sem um corpo para sentir.

Nos beijos…

O silêncio dos beijos que sentes,

Mesmo sem os sentir.


No silêncio do teu olhar,

No teu sorriso

Quando me pensas.

E pensas,

Que tudo ou nada vale a pena

Por um amor virado do avesso

E uma paixão,

Que já rompe os limites do corpo.


Diz-me o que te diz o teu silêncio,

E eu dir-te-ei o que te diz o meu…


O meu silêncio,

Grita o teu nome.


Sempre que o silêncio se torna insuportável,

É o teu nome que eu grito por dentro.


No lugar do meu silêncio,

Estás tu.

Só tu.

Colorido com lembranças do que já fomos

Delineado com desejos do porvir.


Diz-me…

O que te diz o teu silêncio…


O que te diz esse lugar,

Gravado a marca de água,

Rasgado no peito,

Cravado no sentir.


Tão distante de mim…

Tão perto de nós…


Diz-me…


(foto ?)

Quarta-feira, Julho 11, 2007












Hoje, mordo a língua

Para te calar.


Esmago vontades na minha mão

De te ter e beijar.


Desvio o olhar

Só para não sentir.


Calo o pensamento

Que não para de rugir.

(Ignoro-o ao assobiar)


Canto outros para não te cantar.

Falo e não me calo

Só para não te falar.

Fujo para não me cruzar.


Não como para o estômago doer

E a dor do peito tentar esquecer.


Choro para não querer sorrir

E esquecer a embriaguez do sentir.


Hoje corro

Para não estancar

O sangue que não pára de te chamar.


Hoje grito-me

Por não te saber.


Hoje silencio-me

Por não te ter.


Hoje,

O meu amor grita-me em todo o lado.


Por onde e para onde vá

O meu amor grita-me por todo o lado

Em ecos ensurdecedores.


Hoje,

É dia de consciência.


Hoje,

Eu amo-te.




devaneio de 2007, Julho 04

(foto ?)

Segunda-feira, Julho 09, 2007

Cruza-te comigo









estou...


com...


uma...


vontade...


louca...


de...


me...


cruzar...


contigo...


em...


todos...


os...


momentos...

Nas linhas das tuas mãos

No fio inconfundível dos teus olhos
Nos teus mais íntimos desejos

Nos teus beijos tão quentes e profundos


E,

Os teus dedos com o meu cabelo
Os meus braços com o teu pescoço
A minha língua com a tua língua na nossa pele

A cruzar saliva e paixão

A minha boca com o teu ouvido

A cruzar "um quero-te tanto"

Num desesperado sussurro.


O teu dialecto com o meu

Dizendo, "não te consigo resistir…"

Cruzar as nossas saudades

Num beijo longo, profundo e bem demorado

O teu calor com o meu tremor

O teu abraço forte com o meu ceder do corpo


O meu sexo no teu

Os nossos corpos

Entrelaçados num ensejo raro

Formando melodias

De acordes cruzados

Para sempre nos nossos sentidos

Sempre que o Sol se alinha com a Lua

Produzindo um eclipse total e fugidio,

Personificado nos nossos momentos.


Cruza-te comigo.


(gatafunhado em 2007, Julho 03)

Quinta-feira, Julho 05, 2007










Fecha os olhos e diz-me

O quanto tu gostas de mim

O quanto tu me queres

O quanto do quanto que sou para ti

Em ti e de ti.

O que te dizem os meus olhos

O que te dizem as minhas mãos.


Fecha os olhos e diz-me

O que vês quando estou contigo

O que sentes na minha ausência

O que te mata de saudade.


Fecha os olhos e diz-me

O que te diz o meu nome

E conta-me os beijos

As histórias das carícias

A explosão no peito.


Conta-me a nossa história.


Fecha os olhos e diz-me

Diz-me a sorrir

O que nós somos.


Fecha os olhos...



(imagem ?)

Terça-feira, Julho 03, 2007

Veste-me!












Hoje, era capaz de me despir de tudo.

Até de mim, só para ter mais espaço para ti.


Ai, esta vontade de não ir, de não partir

Este desassossego de alma e corpo

Que me corrompe o pensamento

E me alimenta a vontade de te ter.


De ter o teu coração só para mim

De mergulhar no teu corpo, sempre

E de receber o teu beijo, sempre, sempre, sempre

De te ouvir dizer todos os dias baixinho

Um, “estou com saudades tuas…”

Tão banal, tão cheio de tudo!

Tão repleto de ti.


Receber-te todos os dias,

Com um abraço apertado

De te saber bem

E de sorriso nos lábios

De simplesmente te ver

Cruzar um olhar e alinhá-lo

Cruzar dois beijos num só desejo de mais e mais

E um roçar de pensamentos

Sintonizados na mesma frequência.


Hoje, era capaz de me despir de tudo.

Menos da vontade de me vestir de ti.


Veste-me!

Tenho frio…


Escrito em 2007, Junho 29

(foto ?)