
É este travo amargo que trago comigo.
Como se um rasto da tua ausência me queimasse a garganta, se alastrasse pela pele e penetrasse fundo no cérebro.
Não é isso que eu quero. Não é.
Mas também, sei lá eu o que quero. Sei lá eu, o que posso querer de ti. Sei lá eu.
Não é fácil amar-te, como te amo. É difícil, e às vezes roça o insuportável de uma loucura.
Nunca amei assim.
E no fundo, surpreendo-me todos os dias por o conseguir. Por te amar desta maneira única para mim, por sentir um amor saudável, lindo e quase perfeito. Quase, apesar de tudo. Porque apesar de tudo, ele existe e é vivido. Até quando, não sei.
Mas eu gosto das “imperfeições”.
Gosto das imperfeições do amor e da sua loucura. Gosto daquela essência mágica que te faz subir o sangue, que te dá ganas, que te faz gritar um nome!
Se estivesses sempre comigo, não te poderia gritar cá por dentro, como grito. Não sentiria esta ânsia quase demoníaca para te ter.
Gosto!
Gosto disso!
Faz-me sentir viva!
Faz-me sentir que afinal, existe pelo menos um motivo, para cá andar. Para rir e para chorar. E sim, de tristeza também.
Porque tu fazes-me falta. A tua ausência dói.
Existem momentos absolutamente insuportáveis, quando o pensamento, rompe as paredes do meu silêncio.
Esse silêncio, em que te vou amando. E nas fracções dos segundos, em que as minhas veias pulsam quando te penso e nos penso, num outro lugar, numa outra realidade.
E assim, tento encurtar este fosso que entre nós existe, e que não nos permite passar de um simples e belo sonho.
E mesmo não sendo tua e tu não sendo meu, gosto tanto do que me dás de ti. Preenches-me de uma tal maneira que eu nunca pensei ser possível. E o coração rende-se cada vez mais, e mais e mais.
A tua proximidade aconchega-me, sabes?
Mesmo que não me toques.
Mesmo que não me beijes.
Mesmo que eu não te veja.
E apesar de eu gostar deste fervor do sangue e do corpo, deste reboliço de espírito, mesmo à distância, as tuas mãos fazem-me falta.
A tua respiração no meu pescoço, faz-me falta.
A presença do teu olhar no meu, faz-me muita falta.
E este, é o verdadeiro problema. Conseguir amar alguém assim. Ora numa calmaria, ora numa maré viva e em revolta. Entre um choro e um sorriso. Entre a razão do impossível e o irracional de tudo puder acontecer.
O problema está, em atingir um meio-termo, sem nos tornarmos loucos e sem nos ferirmos.
Não quero um amor morno.
Não quero um amor sofrido.
Não quero ficar doida.
Nem sequer sei, o que posso querer de ti.
E muito menos, o que posso esperar de nós.
Neste momento, apenas te quero amar, sem prazo de validade.
Desde que tu o queiras também.
Desde que assim, seja possível.
Era isto que queria dizer-te.
Arranhado a mil anos de distância
Ao som de Interpol - Untitled