Sexta-feira, Agosto 31, 2007

Visceral








Por vezes acordamos com este sentimento:

O quanto humanos nós somos.

O quanto é possível Falhar.

Falhar em tantas e tantas coisas.

Falhar connosco e com os outros.

Falhar nos nossos intentos,

Falhar nas promessas por cumprir.

Falhar em valores que, de tão defendidos por nós,

Os consideramos inquebráveis, invioláveis.


E nós,

Que nos julgávamos donos e senhores de alguns deles,

Vemo-los a caírem aos pés,

Em mil e um estilhaços,

Sem possibilidade de os recuperar.


E vemo-los ali,

Vulneráveis, aos nossos pés,

Inertes e sem significado.


Ali,

Aos nossos pés,

Perdidos de nós,

Do que se pensava ser “eu”,

Do que se pensava ser “meu”.


Ali,

Como se tudo fosse mentira.

Tudo que defendemos,

Está no chão, aos nossos pés.


E é difícil aceitar,

Que tudo em que acreditamos,

Que tudo o que praticamos,

São despojos de um TUDO,

Partidos em NADA.


Nós, não os defendemos,

Ignorámo-los propositadamente.

Nós, não os deixamos cair,

Nós atirámo-los ao chão.


Ali,

Ali, bem em frente aos nossos pés,

Aos nossos pés descalços,

E de alma fragilizada,

Em mil e um estilhaços irrecuperáveis.

Como se os olhos tivessem chorado,

Mil e uma lágrimas de vidro dilacerante.


E eu hoje,

Ao contrário de todos os outros dias,

Sinto-me,

Visceralmente HUMANA.



Ao som de The Kill - 30 Seconds to Mars

Escrito com o sabor de um beijo.

Terça-feira, Agosto 28, 2007

Não há palavras para nós











Se hoje eu te pegasse pela mão,

E a levasse de encontro ao meu peito,

Que poema ouvirias tu?

Que murmúrios, que ritmos, que sensações?

Que explicação, para tudo isto?


Tenho essa curiosidade.


Saber se sabes o que sinto e como sinto.

Saber se sabes, o quanto te quero.

Saber se sabes, o quanto eu te sinto.


Um olhar,

Num bater acelerado do coração.


Um sorriso,

Na dádiva do abraço bem apertado.


Um beijo sentido,

No esplendor de um entrelaçar de mãos.


Um só pensamento, a dois.


Descrever-te,

A vontade avassaladora que tenho do teu abraço.
Um abraço apenas, mas só o teu.

Só o teu.

Mais nenhum.


Mas,

Suspeito que essas palavras,

Estão ainda por inventar.


Palavras maiores do que eu.

Maiores do que o Mundo inteiro.

Palavras maiores do que nós,

Mas, palavras nossas.


Por isso, não digas nada.


Quem sabe,

Um dia,

Tu e eu,

Não as inventamos juntos.



rebiscado com lápis Staedtler HB nº 2
2007, Agosto 23


(happiness_by_wint3r88)

Segunda-feira, Agosto 20, 2007

Curtas 17 – In the Name of Love









É este travo amargo que trago comigo.

Como se um rasto da tua ausência me queimasse a garganta, se alastrasse pela pele e penetrasse fundo no cérebro.

Não é isso que eu quero. Não é.

Mas também, sei lá eu o que quero. Sei lá eu, o que posso querer de ti. Sei lá eu.

Não é fácil amar-te, como te amo. É difícil, e às vezes roça o insuportável de uma loucura.

Nunca amei assim.

E no fundo, surpreendo-me todos os dias por o conseguir. Por te amar desta maneira única para mim, por sentir um amor saudável, lindo e quase perfeito. Quase, apesar de tudo. Porque apesar de tudo, ele existe e é vivido. Até quando, não sei.

Mas eu gosto das “imperfeições”.

Gosto das imperfeições do amor e da sua loucura. Gosto daquela essência mágica que te faz subir o sangue, que te dá ganas, que te faz gritar um nome!

Se estivesses sempre comigo, não te poderia gritar cá por dentro, como grito. Não sentiria esta ânsia quase demoníaca para te ter.

Gosto!

Gosto disso!

Faz-me sentir viva!

Faz-me sentir que afinal, existe pelo menos um motivo, para cá andar. Para rir e para chorar. E sim, de tristeza também.

Porque tu fazes-me falta. A tua ausência dói.

Existem momentos absolutamente insuportáveis, quando o pensamento, rompe as paredes do meu silêncio.

Esse silêncio, em que te vou amando. E nas fracções dos segundos, em que as minhas veias pulsam quando te penso e nos penso, num outro lugar, numa outra realidade.

E assim, tento encurtar este fosso que entre nós existe, e que não nos permite passar de um simples e belo sonho.

E mesmo não sendo tua e tu não sendo meu, gosto tanto do que me dás de ti. Preenches-me de uma tal maneira que eu nunca pensei ser possível. E o coração rende-se cada vez mais, e mais e mais.

A tua proximidade aconchega-me, sabes?

Mesmo que não me toques.

Mesmo que não me beijes.

Mesmo que eu não te veja.

E apesar de eu gostar deste fervor do sangue e do corpo, deste reboliço de espírito, mesmo à distância, as tuas mãos fazem-me falta.

A tua respiração no meu pescoço, faz-me falta.

A presença do teu olhar no meu, faz-me muita falta.

E este, é o verdadeiro problema. Conseguir amar alguém assim. Ora numa calmaria, ora numa maré viva e em revolta. Entre um choro e um sorriso. Entre a razão do impossível e o irracional de tudo puder acontecer.

O problema está, em atingir um meio-termo, sem nos tornarmos loucos e sem nos ferirmos.

Não quero um amor morno.

Não quero um amor sofrido.

Não quero ficar doida.

Nem sequer sei, o que posso querer de ti.

E muito menos, o que posso esperar de nós.

Neste momento, apenas te quero amar, sem prazo de validade.

Desde que tu o queiras também.

Desde que assim, seja possível.


Era isto que queria dizer-te.



Arranhado a mil anos de distância

Ao som de Interpol - Untitled

Quinta-feira, Agosto 16, 2007

Nonsense













Talvez eu me falhe

E tu não me repares

Talvez eu sufoque

E tu me respires

Talvez eu transpareça

E tu me ofusques

Talvez eu adore

E tu também não

Talvez um dia

Ou talvez nunca

Talvez eu incendeie

E tu me apagues

Talvez eu te escreva

E tu não me fales

Talvez eu me perca

E tu não me encontres

Talvez um dia

Ou talvez não.

Talvez eu morra

E tu não te despeças

Talvez eu te coma

Talvez te vomite

Talvez eu te beba

E me envenene

Talvez eu te mate

E tu talvez morras

Talvez tu existas

E eu também não.


Arranhado em 2007, Junho 06

Porque o Nonsense, também faz parte da minha vida.

(Imagem ?)

Segunda-feira, Agosto 13, 2007

Pois é! Voltei!




















Meus amigos:


A Putty está de volta ao activo!
Mas, aviso desde já a tripulação que, a carga de trabalhinho que me desaguou na secretária chega-me ao pescoço.

E por isso, esta semana não prometo novo post, a ver vamos.
No entanto, deixo um conselho à tripulação.
As palavras não são minhas, mas é como se fossem, já que "Endemoninhada" é o meu nome do meio!



"They say the devil's water, it ain't so sweet
You don't have to drink right now
But you can dip your feet
Every once in a little while."
(The Killers - When You Were Young)


Beijos e Abraços,

Obrigada pelo vosso tão sentido Carinho!


Putty