Curtas 24 - Amor de Guerra

O meu Amor foi à guerra e saiu ferido.
Matou saudades como quem mata inimigos.
Rendeu-se com o hastear da bandeira branca, erguida à primeira súplica do teu coração a que o meu não consegue resistir.
O meu Amor foi à guerra e matou saudades, como quem toma um qualquer posto de controlo.
Veio ferido e cansado, de peito aberto e alma ensanguentada. Mas continua a matar.
As saudades.
Não sei por que luto.
Não sei o porquê de continuar a lutar.
Não sei porque não te venço nem sou vencida.
E mesmo assim, sinto-me uma ganhadora, que tudo perde e nada tem, em nome de uma guerra silenciosa. A nossa.
E em qualquer guerra, muito se perde, tal como este soldado sem quereres, que perdeu o coração, algures entre as tuas mãos. Foi feito refém sem se tornar vitima. Apenas se adaptou à morada do teu peito, com vontade de não mais regressar.
E o meu Amor, lá vai matando as saudades, mesmo ferido. Mesmo sabendo que nunca as vai conseguir matar de vez, porque esta guerra silenciosa, e nossa, não tem fim à vista.
Queria de uma vez por todas entregar-te as minhas armas, se tu me deixasses.
Largar o peso da arma do meu ombro macerado e rasgar as divisas.
Queria deixar de assaltar o teu peito e dilacerar-te o sentir.
Queria unir territórios inimigos e constituir a Paz entre o meu mundo e o teu.
Queria entregar-me a ti.
Queria isso…
Queria tanta coisa…
Mas, não me sinto vencida nem vencedora.
Apenas Rendida.
(imagem ?)



