Quinta-feira, Julho 24, 2008

Insistência












Se há coisa que não tem prazo de validade, é este espaço da memória com caminho obrigatório pelas mãos e que de novo nos devolve ao recolhimento de tudo o que somos.


Passa pela minha vida e fica mais um pouco. Fica, fica…


Tenho sede de te sentir por aqui.

Que me voltes a percorrer.

Que navegues na minha corrente sanguínea até ao coração para o fazer explodir.


Mas temo que não voltes nunca mais.


Temo que eu não volte nunca mais e que as minhas mãos desprezem o sentido do sentimento. Que me morram na insensibilidade de um corpo esvaído de ti.


Apesar da insistência bruta dos sentires, há coisas que são assim, perdidas desde o momento que acontecem.


E eu temo que não voltes nunca mais.


Ficas-me aqui, para sempre, no percurso dos dedos, que de novo me devolvem à teimosia da memória.

Quarta-feira, Julho 16, 2008

Curtas 32 – Até Quando












Há coisas que pensamos e que nunca sabemos como as exprimir.

E às vezes nem é preciso, para quem saber ler o olhar, a distância, o frio da alma.

Há coisas que sentimos e que preferimos ignorar, e então, vamos deixando que elas nos esmaguem enquanto as tentamos estranhar dentro de nós sem saber muito bem como o fazer, como uma infecção nos atacasse o corpo.

Mas há coisas que não podemos deixar de dizer, nem deixar morrer.

Há coisas gritantes à espera de uma simples oportunidade.

Há certezas que não devemos esconder, nem de nós nem dos outros.

Já chega o castigo de uma vida de vazios.

E eu quero que tu saibas que o melhor de mim, não é meu.

É nosso.

É tão nosso como o tempo que não temos um para o outro. Tão nosso como a dor da distância. Tão nosso como o amor que nos une, talvez para sempre.

Que para além deste “nosso”, resta muito pouco de um todo, transformado num aglomerado de nadas que tento colmatar com coisas “comuns”. E sorrio, com uma vontade aparente.

Até quando isto…

Até quando este desassossego…

Até quando vou preferir a hora de sono ao sol do dia…

Até quando continuar a caminhada sem saber para onde vou…

Eu, que nunca fui pessoa de me iludir com nada nem com ninguém, que nunca pedi impossíveis, hoje era capaz de pedir algo deste género:

Posso ser Feliz?




[photo by Graça Loureiro]