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A mostrar mensagens de junho, 2006

Escuridão

Não estou com grande disposição P'ra outra enorme discussão Tu dizes que agora é de vez Fico a pensar nos porquês Nós ambos temos opiniões Fraquezas nos corações As lágrimas cheias de sal Não lavam o nosso mal E eu só quero ver-te rir feliz Dar cambalhotas no lençol Mas torces o nariz e lá se vai o sol Dizes vermelho, respondo azul Se vou para norte, vais para sul Mas tenho de te convencer Que, às vezes, também posso... Ter razão! Também mereço ter razão Vai por mim Sou capaz de te mostrar a luz E depois regressamos os dois À escuridão Se eu telefono, estás a falar Ou pensas que é p'ra resmungar Mas quando queres saber de mim Transformas-te em querubim Quero ir para a cama e tu queres sair Se quero beijos, queres dormir Se te apetece conversar Estou numa de meditar E tu só queres ver-me rir feliz Dar cambalhotas no lençol Mas torço o meu nariz e lá se vai o sol Dizes que sou chato e rezingão Se digo sim, tu dizes não Como é que te vou convencer Que, às vezes, também podes... Te...

Grandes são os Desertos...

Grandes são os desertos, e tudo é deserto. Não são algumas toneladas de pedras ou tijolos ao alto Que disfarçam o solo, o tal solo que é tudo. Grandes são os desertos e as almas desertas e grandes. Desertas porque não passa por elas senão elas mesmas, Grandes porque de ali se vê tudo, e tudo morreu. Grandes são os desertos, minha alma! Grandes são os desertos. Não tirei bilhete para a vida, Errei a porta do sentimento, Não houve vontade ou ocasião que eu não perdesse. Hoje não me resta, em vésperas de viagem, Com a mala aberta esperando a arrumação adiada, Sentado na cadeira em companhia com as camisas que não cabem, Hoje não me resta (à parte o incômodo de estar assim sentado) Senão saber isto:Grandes são os desertos, e tudo é deserto. Grande é a vida, e não vale a pena haver vida, Arrumo melhor a mala com os olhos de pensar em arrumar Que com arrumação das mãos factícias (e creio que digo bem) Acendo o cigarro para adiar a viagem, Para adiar todas as viagens. Para adiar o universo in...

Neste Mar

Neste Mar, Onde escuto o silêncio das ondas E os murmúrios das rochas Em choros sufocados, Aqui me sento, E contemplo. Ao longe, O horizonte parece-me tão perto. E se entreabrir os olhos, Quase que o consigo tocar Com um simples toque de dedos. Se ao menos estivesse assim tão perto… Se ao menos soubesse como é tocá-lo… E este nevoeiro, Que ma ataca a face Em salpicos temperados De fins de tarde quentes, Refresca-me o espírito E Lava-me memórias. Tal como as ondas que vêm e vão Em movimentos ritmados Sinto os meus pensamentos da mesma forma: Vêm e vão em movimentos ondulantes, Cobertos de Sal. Talvez purifiquem, Talvez apazigúem as mazelas Do coração e dos sentidos.

Cume da Solidão

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Hoje, É assim que me sinto. Sozinha, com os meus pensamentos E demónios à solta. Hoje, E a única coisa que em mim pulsa, São pensamentos dispersos e confusos. E a vontade latejante De encontrar respostas, É maior que a minha vontade De encontrar novamente O caminho dos sentidos. Hoje, O meu coração, É como este monte de areia, Feito de minúsculos grãos, À espera que o vento sopre E que o leve para outro lugar.