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A mostrar mensagens de setembro, 2010
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Podíamos ter alguém para ouvir as cicatrizes que nos marcam os dias. Os distúrbios enlouquecidos que nos fazem rasgar a própria carne, despedaçando, naco a naco, qualquer réstia de sanidade. Mil e uma histórias que nos dissessem mais de nós, para lá do que os outros olham e vêem. E nem assim sabem olhar, nem assim sabem o que vêem. Se somos nós, que de dentro da carne gritámos, ou se somos apenas mais uma cicatriz numa cara fechada. Mas continuam sem saber dela, por dentro. Não lhe sabem o sangue que jorrou. Não lhe sabem a história da profundidade. E continuam perdidos na estúpida contemplação dos sentidos. Daqueles. Dos mais fáceis. Visíveis. Audíveis. Palpáveis. Enquanto nós, de cara fechada, continuamos sem histórias para contar. (photo Elena Getzieh)

Precipício

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Não é esta uma necessidade, a de chegar à berma do precipício e, inconsequentemente, atirarmo-nos de cabeça. É apenas a consciência de que ele já foi mais profundo. E de lá, apenas mais silêncio ermo de coisa nenhuma. Ecos surdos, perdidos na inexistência de um salto. (imagem retirada da net)