A Palavra tem inumeráveis definições. Mas nenhuma consegue exprimir o sentido dos momentos. Não há explicação para a circunstância que a envolve, para o que nos provoca, para o que nos alenta e para o que nos magoa. Para a audácia dos gestos, para a ternura de um sorriso. Para a contenção de um grito, que um abraço quer despontar. E isso é tanto. E às vezes é tudo. A coexistência de sentidos e sentires que não se explicam mas apenas se dizem, porque simplesmente se sentem e se misturam, como saliva num beijo, como olhares no desejo. A Palavra tem esse fascínio. Ser absoluta e absurda ao mesmo tempo. Ser gritada e silenciada. Ser nua, crua, rude. Amada. Viciada. Amante. Desejada. Inspiração criticada. Transpirada. Exaltada. Chorada. Amaldiçoada. Ser Palavra dentro de nós, para nós e para os outros. Sem ses, quês e porquês. Ser Palavra, numa existência simples e intimamente nossa. Tua e minha! Porque o sentimento respira através dela. Porque o amor não vive só de beijos, corpos e poros. ...