Tiveste vida de poeta. Curta. Dorida. Calejada. Sentida e transcrita. Como só os verdadeiros poetas conhecem, sentem e sabem descrever. Daquelas vidas que reproduzem na perfeição, cada sílaba, cada palavra e cada vírgula que deixaste para nós. Hoje fazias anos. Já nem sei bem quantos. Apenas sei que já eram muitos. E muitos que tu não viveste, excepto o facto de tudo teres vivido nas palavras, na música do teu violino e na dor de pesadas ausências. E essa viveste-a na exaustão. Até que o limite do cansaço deixou de te fazer sentido. Hoje fazias anos. Para além dos que te sentem e recordam sempre, apenas por dentro, hoje eu escrevo-te. Hoje eu lembro-te. À Memória do meu Avô poeta, Abílio Branco Que hoje fazia anos Já não sei bem quantos Mas sei que eram muitos. 2009, Outubro 2.