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A mostrar mensagens de junho, 2007

Por que te escrevo, não sei

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Por que te escrevo, não sei. As palavras têm vida própria. Mais vida do que eu, Que sou veículo da sua mensagem. Por que te escrevo, eu não sei. Talvez porque me suaviza os dias e as horas. Talvez porque me descomprime o coração, Acordado para o sentimento. Porque os meus dedos falam alto E o pensamento grita cá dentro. Porque sou fiel a mim. Porque se não escrever É como se me enganasse a mim própria. Porque a mim o devo. Porque o sinto. Porque te sinto. Porque de ti quero falar. Não quero que a garganta arranhe. Não quero um amanhã de arrependimento Não quero um “e se…” Não quero. Escrevo-te até esgotar as palavras para te escrever. Até os meus dedos ficarem dormentes e doridos. Até mente e mãos, deixarem de compor melodias Que de ti falem Que para ti se encaminhem. Até o pensamento escorrer por completo E secar a última gota, Da última palavra, Da última sílaba, Do último ponto final. Enquanto sentir o bater do coração Escrever-te-ei. Enquanto te olhar...
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Quero-te A verdade dos dias. Desejo-te A sede do corpo. Sinto-te Perdido em mim. Descubro-te Em tudo aquilo que sou. Penso-te Como nunca pensei em pensar-te. E eu, Adoro-te Palavra-pêndulo do coração.

Pensei eu

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Pensei eu que era resistente e impermeável. Pensei eu. E agora, sempre que chove eu molho-me. E agora sempre que faz sol, eu aqueço. E agora, sempre que me procuras, eu abro-te a porta sem pensar uma única vez. Pensei eu que resistiria à tentação. Pensei eu. E agora, sempre que me olhas, o chão foge-me dos pés. E agora, sempre que dás um beijo, eu desfaleço em arrepios. E agora, sempre que me chamas, eu vou na tua direcção. Pensei eu que nada disto iria acontecer. Pensei eu que não me envolveria. Pensei eu que não me apaixonaria. Pensei eu. Agora, não penso mais. Agora, só me apetece molhar na tua chuva, Aquecer nesse teu calor. Perder-me nesse teu imenso ser. Que o chão me fuja, e que o céu me sufoque! Que se levantem ventos e que os Deuses me condenem! Não ambiciono outro lugar onde tu não estejas! E se o Inferno me estiver predestinado, Então que eu arda com mil demónios! Mas até lá, Procura-me... ...

Um dia na tua Vida

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Diz-me lá, então: Tens noção que viveste mais um dia? O que fizeste ontem? Amaste? Riste como um perdido? Gritaste? Disseste a alguém que amas, Que realmente o amas? Falaste com os amigos? Escreveste? Ouviste a tua música preferida? Leste os teus poetas? Olhaste-te ao espelho com olhos de ver? Deste a mão a alguém? Ajudaste alguém? Sentiste-te ajudado? Amado? Esqueceste as horas e o dia do calendário? Acordaste hoje com um sorriso nos lábios? O que de bom sentiste ontem? O que de bom fizeste ontem? Nada disto ?! Limitaste-te a produzir… A viver mais um dia de trabalho… A contar tostões… A stressar com o que menos importa na puta da vida… Então, lamento informar-te… Acabaste de matar mais um dia… Que por ti passou sem que desses conta… Está morto, enterrado... Agora, esquece-o. Já não vais a tempo. Acabas de entrar em contagem decrescente… post scriptum : o meu dia de ontem, está mar...

Somente e apenas

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Ser a folha de papel em falta… Ser tema do teu poema… A luz no teu dia nublado… Um trovão no teu céu carregado… Ser agulha com que coses os sonhos… Um dardo para o teu alvo… A ideia que está em branco… A palavra por dizer… O abraço para aconchegar… O sorriso que precisavas sentir… E o beijo para saborear… A tela do teu desejo… A vontade do teu corpo… Ser-te a outra metade Do tudo ou do nada. É assim que te quero, incompleto. Porque só assim Faço sentido em ti. É assim que eu te quero Emaranhado de mim Confundido em mim Sem saber onde começas e onde acabas Onde eu me dissolvo e em ti me misturo .

Saudade

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Hoje é isto que escrevo: tinha saudades tuas. E agora deixei de ter, para passar a ser Uma imensidão de saudades tuas Que não passa, mesmo quando te olho. Que não deixo de ser mesmo a sentir-te por perto. Hoje é isto que escrevo: Sinto falta do olhar em direcção ao meu E da cumplicidade exponenciada ao limite Sinto falta do sussurro no meu ouvido. Sinto falta das mãos nas minhas mãos, Do corpo no meu corpo. Sinto falta do aconchego dos abraços Dos arrepios e dos beijos. Das palavras... Que não te sei dizer E das que quero ouvir. Dos sorrisos iluminados Que preenchem um qualquer dia. Sinto-te a saudade por todo em todo o lado. Sinto-me metade de um sentimento Metade de um sonho Metade de outra metade que não tenho. Metade de qualquer coisa que me auto denomina, define Que me escreve e descreve. Metade de tanto. Só a SAUDADE a sinto por todo, De mãos dadas com a certeza que a acompanha sempre. Sinto-te a falta… ...

Preciso de...GRITAR!!

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Hoje estou endemoninhada! Apetecia-me dizer meia dúzia de verdades Que tenho aqui entranhadas nas cordas. Mas não as vou dizer, Pelo menos por enquanto, Ou pelo menos por hoje. Não quero que se soltem gritos Nem choros desenfreados. Não quero mortos nem feridos, Nem punhos cerrados, A não ser os meus, Bem de encontro ao estômago da minha vontade. Podia tentar calar o pensamento. Mas ele ruge-me no córtex! Está faminto, o diabo! Chamem-me um exorcista! Ou então, que se solte de vez, A malignidade que nos esmaga o coração!

Constata-se que...

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... nesta noite tu estás como anúncio PRECISA-SE na página gasta da minha pele... (Vasco Gato)

Esporas

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Porque hoje, estou assim Precisava de ser arrebatadoramente surpreendida. Precisava de sentir o coração a explodir-me na boca. Precisava de sentir aquele aperto de estômago. Precisava de um pensamento só para mim, Sussurrado ao ouvido, Só meu, só para mim Só por mim sentido. Precisava de levantar os pés do chão Porque a gravidade dói-me tantas vezes…. Tantas, tantas vezes…. Precisava que me baloiçassem Precisava que me apertassem junto ao peito E me dissessem algo arrepiante Que me fizesse fechar os olhos e sonhar. Nada de especial. Um arrepio apenas. Só isso. Só tanto! Precisava de separar a alma do corpo. O corpo também cansa… Também pesa… Insustentável peso da carne…. Maldição da alma, por vezes. Mas, entretanto, e porque isto hoje não acontece Vou espicaçar o meu cavalo bravo, antes que ele me atire ao chão. Não me apetecia nada cair agora. E para brava, já me basto! Já tenho as esporas prontas, Para o cavalo… E ...