Por que te escrevo, não sei
Por que te escrevo, não sei. As palavras têm vida própria. Mais vida do que eu, Que sou veículo da sua mensagem. Por que te escrevo, eu não sei. Talvez porque me suaviza os dias e as horas. Talvez porque me descomprime o coração, Acordado para o sentimento. Porque os meus dedos falam alto E o pensamento grita cá dentro. Porque sou fiel a mim. Porque se não escrever É como se me enganasse a mim própria. Porque a mim o devo. Porque o sinto. Porque te sinto. Porque de ti quero falar. Não quero que a garganta arranhe. Não quero um amanhã de arrependimento Não quero um “e se…” Não quero. Escrevo-te até esgotar as palavras para te escrever. Até os meus dedos ficarem dormentes e doridos. Até mente e mãos, deixarem de compor melodias Que de ti falem Que para ti se encaminhem. Até o pensamento escorrer por completo E secar a última gota, Da última palavra, Da última sílaba, Do último ponto final. Enquanto sentir o bater do coração Escrever-te-ei. Enquanto te olhar...