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A mostrar mensagens de setembro, 2006

Tchim, Tchim, Mulheres!

Hoje brindemos às mulheres. Às que somos, Ás que fomos, Ás que haveremos de ser. Ás mães e às avós. Ás avós das nossas avós. Á nossa força inquebrável. Á nossa “fragilidade” de aço. Á nossa capacidade de gerar vida. Á capacidade que temos e que nenhum homem tem, De enfrentar a tempestade com lágrimas no rosto, mas força no peito. Á nossa cabeça erguida para a vida. Ás mulheres que usam a sabedoria como espada e o coração com escudo. Ás mulheres que vencem num mundo tipicamente masculinizado, ainda! Ás conquistadoras e ás rebeldes. À nossa capacidade invejável de suportar a dor no corpo e no espírito. Á nossa capacidade de dar alento, mesmo estando de rastos. Ao nosso mistério. Á nossa complexidade. Á nossa capacidade de amar mais com o coração e menos com o corpo. Ao nosso “toque” feminino que tudo embeleza. Ao nosso charme avassalador. Ao nosso olhar encantador. Á nossa perseverança. A nós, mulheres, porque somos absolutamente FANTÁSTICAS! Brindemos a nós!

Amor & Ódio

O Amor tudo lava. Lava almas, Lava dores do corpo, Lava mazelas e nódoas negras. Só não lava sentimentos de perda. Faz-nos voar, mas faz-nos cair também a toda a velocidade. Faz despertar o que há de melhor e de pior nas pessoas. Desperta risos incontroláveis e lágrimas devastadoras. Enche-nos o coração de alegria, E esvazia-nos os pulmões de um momento para o outro. Deixa-nos as pernas bambas E deixa-nos com vontade de não querermos levantar no dia seguinte. A linha que separa o Amor do ódio é tão ténue, dizem. E acredito nisso. Acredito que quem tem a capacidade de amar tem a de odiar. E despertar o ódio é bem mais fácil do que despertar o amor. Acredito nisso, porque é mais fácil. Todos já odiamos, certo? E hoje continuamos a odiar. Sejamos verdadeiros. E as razões que nos levam a amar e a odiar, estão tão próximas, embora circulem em estradas paralelas que a certo momento se cruzam. E passamos a amor o que um dia odiamos e passamos a odiar o que um dia amamos. O ódio não é incapaci...

Curtas 5 - Pegadas

Segui-te as pegadas durante muito tempo. Porque subitamente deixei de te ver, e tu de me procurares. Desapareceste da minha vista e nada disseste. Apenas me deixaste pegadas leves, pouco vincadas ao longo do caminho. Procurei-te por trilhos, vielas e ruelas e nada de ti. Ninguém sabe quem tu és e ninguém te viu passar, mas tu também passas bem despercebido, porque és discreto. E isso chamou-me tanto à atenção, porque eu sou como tu e sempre pensei que nos daríamos bem. Encontrei-te perdido, incapaz de pedir auxilio, e fui eu que te dei a mão, e que te levei onde querias ir. Dei-te abrigo do frio do coração e um refugio para a alma. E quando já estavas bem, quando já te sentia bem quente, quando já tinha conseguido arrancar um sorriso envergonhado de ti, tu perdeste-te novamente. E eu perdi algo de mim, que não sabia que me pertencia. E agora, ando à deriva, porque tu também o andas. Perdi-me porque tu também andas perdido. E eu quero tanto encontrar-te mas não sei se queres que eu te e...

Curtas 4 - O Começo de Tudo

Hoje que me rendo ao sentimento, não sei por que lado nos hei-de começar. Se por um beijo, se por um abraço, se por um aperto de mãos. Se te falo, ou me mantenho em silêncio. Se espero que avances, ou que me chames. Não sei se te escrevo, ou se te envio um sms a dizer o que sinto, Mesmo sem ter-mos começado coisa nenhuma. Esta história tem que ser longa, e por isso, só posso esperar um inicio envolvente, Que traga mistério e nos cative. A mim para ficar em ti, e a ti para ficares em mim. Não preciso que me digas muita coisa, prefiro que faças coisas. Prefiro pequenos gestos a grandes palavras. Quando começar-mos, leva-me para bem longe. Leva-me para onde nunca fui, e para onde nunca sequer sonhei. È isso que espero de ti: novidade e surpresa. Quero que me enchas o peito de alegria e os olhos de emoção. Quero saborear o teu abraço com intenções sinceras e não apenas sentir os teus braços à minha volta. Quero o calor da tua respiração na minha cara quando acordar, e a primeira coisa que ...

Dias Difíceis

Dias difíceis, meus amigos, Todos nós temos. Uns piores do que outros E pessoas com bagagens mais resistente para os suportar. Outros com meras malas de cartão. No entanto, há pessoas que surpreendem de sobremaneira. Mesmo com nuvens negras no coração e olhos carregados de dor, Não deixam o optimismo na gaveta. Não deixam de andar para a frente. Porque realmente, a vida é tão curta para nos aborrecermos. A vida é tão curta para dar-mos importância ao que não deve ter. E é nos dias difíceis que mostramos quem realmente somos. Mostramos de que matéria somos feitos. Uns de baralhos de cartas e outros de aço, Que não se deixam dobrar perante as pedras no caminho. Porque a vida também tem “pesos pesados”. Tão pesados, que parece que levamos chumbo nos ombros. Por isso: A todos os que têm bagagem resistente, que têm almas de aço e A derrota não faz parte do seu dicionário; A todos que perante a tempestade reconstroem corações e esperanças; Que não deixam que outros percam a fé e o gosto pela...

Dissertação ingénua do Amor

Gostava de ter a certeza que o amor é eterno. Que não murcha como as flores; Que não morre com as pessoas; Que não se desintegra como os átomos; Que não nasce nas árvores como os frutos, Que amadurecem, apodrecem e caiem. O amor devia ser como as estrelas, Que mesmo depois de morrerem, Continuam a brilhar, E todos nós acreditamos que elas continuam lá, Brilhantes e cintilantes, Como as vemos a anos luz de distância. Era bom acreditar, Que o Amor é como o ar que respiramos, E que quando ele rareia, Podemos ir à farmácia, Comprar uma botijinha dele, como se fosse oxigénio. Que podemos apanhá-lo no ar, mesmo sem querer, Tropeçar nele, sem nunca nos magoarmos. Ou então, que vem nos alimentos, como uma vitamina. Se assim fosse, não me importava de apanhar uma vitaminose. Amar tudo e para sempre! Não haveria de passar doença por este corpo!

Curtas 3 - Carta de Despedida

Se houvesse uma palavra que eu te pudesse dizer já, diria, mas as palavras já de nada valem, porque o abismo está à vista, e junto com o abismo, o fim. Vou poupar-te as palavras, meu amor. Deixo-te apenas a minha imagem de quando era feliz, o sabor dos nossos melhores momentos e o trago de mel do último beijo que te dei, ainda hoje. Parto, porque a vontade de ir é mais forte do que a de ficar, mesmo por ti. Não é egoísmo. É uma vontade avassaladora de deixar tudo para trás. Tudo o que não quis na vida, tudo o que não quero. De deixar de ser simplesmente eu. Só não pretendia deixar-te. Mas serás feliz. Tenho a certeza disso. Sei que vais ser feliz. Sei que vais encontrar alguém disposto a dar-te muito mais do que eu te dei. Sei que vais deixar uma semente, um marco na vida, no mundo. Em mim, não germinou. Sou solo pobre que não deixa ganhar raiz. Por isso, não chores por mim, agora que lês a minha despedida. Chora pelo que fui, pelo que fui e não queria ter sido. Não quero funerais, nem...

Curtas 2 – Receita para a Solidão

Captei o teu semblante, no meio da multidão. E rapidamente, desenhei a traços largos, a tua face com a minha imaginação, que é tão generosa e muito melhor do que a matéria. Debruei os teus olhos, grandes, cor de amêndoa, com traços finos e de suave aguarela, tracei o teu nariz, contornei a tua boca, dei-te uns dentes alvos perfeitos, e um sorriso envolvente. Não tens corpo, aos olhos da mente. Apenas face, e isso basta-me. És fruto colorido da minha tela imaginária. És rosto perfeito. E és só meu, porque só eu te vejo. Só eu sei quem és. Não passas de um perfeito desconhecido na imaginação de outros. Se passares por eles, passas despercebido, porque para eles, és mais um entre tantos outros estranhos. Se te perder de vista, é porque calcorreio caminhos nos quais tu não me segues. Se deixar de te ver ou de te falar, é porque morri e não porque te substitui por outro rosto qualquer. Não! Porque só tu me isolas da solidão. Só tu me fazes companhia. Só tu me contas histórias que me fazem c...

Curtas 1 - Enquanto houver Sol e Lua

No 1º dia em que entrei por esta porta, olhaste-me e sorriste, e mesmo sem poder falar, senti o eco da tua voz bem fundo em mim. Agarrei-te a mão e tu, com a pouca força que já em ti pulsava, fizeste um esforço quase sobre-humano para corresponder ao meu gesto. Ali ficamos, naquele quarto de hospital, despersonalizado, desumanizado com tantas máquinas que te agarram à vida. Pudesse eu ter esse poder. De te agarrar à vida como essas máquinas que te invadiam o corpo. Pudesse eu ter o dom de te ver novamente iluminado como sempre foste. Pudesse eu. Mas não posso. Apenas posso agarrar-te a mão e dizer-te tudo aquilo que não te disse. Apenas te posso dizer que és o amor da minha vida e que sempre o serás. Sempre. Sempre, enquanto houver Sol e Lua. Que me vejo a fazer promessas a um qualquer deus para que fiques bom e para que te traga de novo à vida. À nossa vida que ficou a meio, incompleta, tal como um livro cuja continuação ficou suspensa. Não sei escrever sem ti. Não quero escrever sem ...

Outubro

Neste Outubro em que, finalmente, vamos unir as nossas vidas na plenitude merecida, espero, nem mais nem menos, que doces momentos. Espero ter um coração a querer-me saltar do peito e pernas bailarinas ao ritmo do nervoso miudinho. Espero sorrir muito, para disfarçar as emoções do momento, mas sobretudo, espero ter-te do outro lado, com um sorriso aberto e mãos dispostas a receberem-me na tua vida, já que me mudei, definitivamente, para o teu coração. Espero partilhar com todos os amigos, mesmo os ausentes, este momento único e tão desejado. Espero receber e retribuir sorrisos de felicidade. Espero que a emoção faça explodir o coração e estremecer o espírito e que os meus pés deixem de sentir o chão, nem que seja por alguns segundos. Quero sentir-me etérea, quero ter a alma leve de arrependimentos. Quero respirar fundo, e ter esperança de que ao cortar cordões e elos não deixo ninguém com pesos e preocupações na alma. Neste Outubro quero ter apenas, sobre os meus ombros, a certeza do ...