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A mostrar mensagens de julho, 2008

Insistência

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Se há coisa que não tem prazo de validade, é este espaço da memória com caminho obrigatório pelas mãos e que de novo nos devolve ao recolhimento de tudo o que somos. Passa pela minha vida e fica mais um pouco. Fica, fica… Tenho sede de te sentir por aqui. Que me voltes a percorrer. Que navegues na minha corrente sanguínea até ao coração para o fazer explodir. Mas temo que não voltes nunca mais. Temo que eu não volte nunca mais e que as minhas mãos desprezem o sentido do sentimento. Que me morram na insensibilidade de um corpo esvaído de ti. Apesar da insistência bruta dos sentires, há coisas que são assim, perdidas desde o momento que acontecem. E eu temo que não voltes nunca mais. Ficas-me aqui, para sempre, no percurso dos dedos, que de novo me devolvem à teimosia da memória.

Curtas 32 – Até Quando

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Há coisas que pensamos e que nunca sabemos como as exprimir. E às vezes nem é preciso, para quem saber ler o olhar, a distância, o frio da alma. Há coisas que sentimos e que preferimos ignorar, e então, vamos deixando que elas nos esmaguem enquanto as tentamos estranhar dentro de nós sem saber muito bem como o fazer, como uma infecção nos atacasse o corpo. Mas há coisas que não podemos deixar de dizer, nem deixar morrer. Há coisas gritantes à espera de uma simples oportunidade. Há certezas que não devemos esconder, nem de nós nem dos outros. Já chega o castigo de uma vida de vazios. E eu quero que tu saibas que o melhor de mim, não é meu. É nosso. É tão nosso como o tempo que não temos um para o outro. Tão nosso como a dor da distância. Tão nosso como o amor que nos une, talvez para sempre. Que para além deste “nosso”, resta muito pouco de um todo, transformado num aglomerado de nadas que tento colmatar com coisas “comuns”. E sorrio, com uma vontade a...