Insistência
Se há coisa que não tem prazo de validade, é este espaço da memória com caminho obrigatório pelas mãos e que de novo nos devolve ao recolhimento de tudo o que somos. Passa pela minha vida e fica mais um pouco. Fica, fica… Tenho sede de te sentir por aqui. Que me voltes a percorrer. Que navegues na minha corrente sanguínea até ao coração para o fazer explodir. Mas temo que não voltes nunca mais. Temo que eu não volte nunca mais e que as minhas mãos desprezem o sentido do sentimento. Que me morram na insensibilidade de um corpo esvaído de ti. Apesar da insistência bruta dos sentires, há coisas que são assim, perdidas desde o momento que acontecem. E eu temo que não voltes nunca mais. Ficas-me aqui, para sempre, no percurso dos dedos, que de novo me devolvem à teimosia da memória.