Curtas 21 – Relatividade
Sabes, tenho medo. Tenho medo, que um dia destes, alguém tenha a ousadia de me vir falar de amor. Aquele amor banalizado, de príncipes e princesas, de castelos, tranças e cavalos brancos. Aquele Amor com que toda a gente sonha um dia, e que nunca acontece, mas que grande parte das pessoas, pensa que sim. Tenho medo que este tiquetaque , em tom de bomba-relógio que em mim escondo, rebente, e te deixe escapar por entre as minhas sílabas danadas, sem ordem, principio nem fim e acorde aí, umas tantas consciências desenganadas pelas arritmias do coração. Ousar falar-me de amor, depois de ti, parece-me impossível. Faz-me sentir que, ninguém o conhece como eu. Que ninguém o viveu como eu. Que mais ninguém teve o mesmo privilégio que eu tive. Eu tive-o. E eu tenho-o e guardo-o dentro de mim, quando outros se julgam capazes de saltar fora dele, para dele poderem falar. Eu não te consigo falar deste amor. Não consigo saltar fora e racionalizá-lo, nem descrevê-lo na distância de ti....