Visceral
Por vezes acordamos com este sentimento: O quanto humanos nós somos. O quanto é possível Falhar. Falhar em tantas e tantas coisas. Falhar connosco e com os outros. Falhar nos nossos intentos, Falhar nas promessas por cumprir. Falhar em valores que, de tão defendidos por nós, Os consideramos inquebráveis, invioláveis. E nós, Que nos julgávamos donos e senhores de alguns deles, Vemo-los a caírem aos pés, Em mil e um estilhaços, Sem possibilidade de os recuperar. E vemo-los ali, Vulneráveis, aos nossos pés, Inertes e sem significado. Ali, Aos nossos pés, Perdidos de nós, Do que se pensava ser “eu”, Do que se pensava ser “meu”. Ali, Como se tudo fosse mentira. Tudo que defendemos, Está no chão, aos nossos pés. E é difícil aceitar, Que tudo em que acreditamos, Que tudo o que praticamos, São despojos de um TUDO, Partidos em NADA. Nós, não os defendemos, Ignorámo-los propositadamente. Nós, não os dei...