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A mostrar mensagens de 2010

Festas Felizes

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As palavras de nada valem sem os gestos que lhes dão o verdadeiro valor e sabor. Um Feliz Natal e um 2011 também ele muito feliz. Raquel Branco

Luto

Dou por mim de luto e não me morreu ninguém. Não sei se foram os teus olhos que se perderam na distância do que somos ou se o teu coração me abandonou o peito. Mas algo de ti se foi e já não és o todo que só assim fazia sentido. E de ti fica a breve lembrança da felicidade por ser. Hoje estou de luto, vestida do negro em que me sinto apenas só.
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Não há vastidão de céu que engula a tua falta, ou marés que afoguem a parte de ti que em mim respira. Não há fado que seja digno da minha inquebrável saudade, nem poema, que mesmo ainda por escrever, a consiga matar. [ao som de "Analyse" - Thom Yorke] (imagem retidada da net)
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Podíamos ter alguém para ouvir as cicatrizes que nos marcam os dias. Os distúrbios enlouquecidos que nos fazem rasgar a própria carne, despedaçando, naco a naco, qualquer réstia de sanidade. Mil e uma histórias que nos dissessem mais de nós, para lá do que os outros olham e vêem. E nem assim sabem olhar, nem assim sabem o que vêem. Se somos nós, que de dentro da carne gritámos, ou se somos apenas mais uma cicatriz numa cara fechada. Mas continuam sem saber dela, por dentro. Não lhe sabem o sangue que jorrou. Não lhe sabem a história da profundidade. E continuam perdidos na estúpida contemplação dos sentidos. Daqueles. Dos mais fáceis. Visíveis. Audíveis. Palpáveis. Enquanto nós, de cara fechada, continuamos sem histórias para contar. (photo Elena Getzieh)

Precipício

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Não é esta uma necessidade, a de chegar à berma do precipício e, inconsequentemente, atirarmo-nos de cabeça. É apenas a consciência de que ele já foi mais profundo. E de lá, apenas mais silêncio ermo de coisa nenhuma. Ecos surdos, perdidos na inexistência de um salto. (imagem retirada da net)
Como sempre, levo comigo a saudade no silêncio. Mas desta vez, vou fechar os olhos e fazer de conta. E depois vou abrir os olhos e seguir em frente. O maldito silêncio há-de tropeçar em mim, E a saudade, essa vou rasgá-la, um bocadinho por cada dia. (imagem retirada da net)
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mesmo lambendo a memória das minhas mãos e sabendo que ela me leva pelo braço hoje não... hoje sou eu pelo silêncio adentro. (imagem retirada da net)

Sorriso

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De vez em quando tenho o teu sorriso só para mim. Segura-lo na mão, prende-lo nos lábios e depois entregas-mo, como se de alguma forma, o pudesses dar. E eu aceito-o, como se de alguma forma o pudesse aceitar. Há-de chegar o dia em que terei de o devolver. O teu sorriso por inteiro aos teus lábios. E repleta das tuas dádivas, a minha boca secará do vazio, ao mesmo tempo que os teus lábios deixarão de conhecer o seu próprio lugar. (imagem retirada da net)

Lado B

Há quem diga que é poesia. Há quem diga que é prosa poética. Há quem diga que é triste. Depressivo. Que eu sou triste para escrever como escrevo. Há quem diga que sou crua. Dilacerante. Há quem chore até. Há quem aplauda e se entusiasme verdadeiramente. Há quem prefira não ler, simplesmente para não recordar. Há quem se identifique com cada vírgula de um texto meu. Há quem não goste. Pois eu digo que sou eu. Que não sei se é poesia, se prosa poética. Não conto estrofes nem linhas. Não faço rimas. E se por acaso acontecerem, foi sem querer! Não sou triste. Tenho lados como qualquer um. Mas gosto de puxar pelo que de melhor e pior se pode, efectivamente, puxar. Quem lê, assimila como quer, como pode, conforme o seu lado mais vincado no momento. O que escrevo sou eu com toda a nudez espalhada pelas minhas palavras. Escrevo como quem arranha a pele e faz sangue. Como quem solta coração e entranhas num só grito. Sem métricas, sem rimas, sem coisa nenhuma a não ser eu. Como serão, certamente...

Sintam-se convidados :)

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Clube Literário do Porto : Rua Nova da Alfândega, 22 * Porto. Apareçam!! Raquel Branco  

Modus Operandi

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Para escrever é preciso ter a alma abraçada aos dedos. É preciso ter o coração desarrumado, perdido do próprio peito. Ter a alma em peregrinação e em sangue de tão longa a caminhada. É fundamental açoitar o espírito, ter os sentidos perdidos da pele ou embrenhados por cada poro. Para escrever é preciso estar noutro lado. Olhar além do que vemos e fechar os olhos e sermos outros para além de nós. É preciso ter a alma abraçada aos dedos! A alma desajeitada! As mãos rudes e impacientes! É preciso amar como nunca! Rasgar o peito por dentro sem que ninguém perceba! Apaixonar-se por cada palavra, por cada vírgula, por cada espaçamento entre uma reticência! É preciso chorar convulsivamente e rir desesperadamente. Ter um ímpeto, um apelo sobre-humano, um sopro no ouvido, um grito que se possa dizer. Escrever é ter tudo isto de uma só vez. Sem dotes de artista, sem dons miraculosos. Não se pode escrever de outra forma, porque, simplesmente, não existe mais nenhuma. Escrever é apenas isto. É a...

Raciocínio

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Gostava de explicar o amor. Mas quando o penso, só o sinto. E quando o sinto, és só tu. E eu não consigo explicar-te, Porque as palavras que se soltam não provêm do raciocínio. São beijos e abraços teus que impedem qualquer ponto de lucidez. No fim, não posso explicar o amor. Mas posso dizer-te que o amor começa no poema que crio, Sempre que fecho os olhos e adormeço em ti.
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 Não preciso de te ver Nem mesmo de te perder para de novo te encontrar Basta olhar a minha pele para ler o teu nome Soletrado baixinho por cada poro que te chora (imagem retirada da net)

Há uma voz

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Há uma voz contida que me diz Que por mais que te ame Jamais te viverei. Mas o sossego abraça-me E diz-me ao ouvido a verdade. Que os dias deixarão de ser (ainda) mais longos As viagens menos distantes E que as mãos se descruzarão do meu peito Desenlaçando os apertos de tudo o que não é Há uma voz contida que me diz Que amar-te e viver-te Não fazem parte da mesma folha em que escrevo Nem do mesmo livro. Nem mesmo da minha vida. (imagem retirada da net)

Sombra de Rua

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Desço a rua. No disfarce de cada cara, o sorriso. Nos ombros, a desculpa de mais um dia. (tenho um acelerar que me estrangula) Subo a rua. No disfarce da minha cara, um sorriso. Nos meus ombros, a desculpa de mais um dia. À minha frente, mais alguém que me olha. (um uivo no peito que não pára) Atravesso a rua. O disfarce é o mesmo, O motivo também. As desculpas ocupam-se dos ombros caídos E os passos mudam. Sobem, descem e atravessam as ruas Como quem quer, a todo o custo, Fintar a sombra dos que olham. Paro. (tenho um caos dentro de mim)

Máscaras

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Hoje mascaro-me de solidão. Pinto a cara com tons de nevoeiro para que ninguém note a desordem da minha vida. Cubro os lábios de vermelho-silêncio que te oculta os beijos E nos olhos, a sombra dos teus. De roupa, não trago mais do que tu. A memória de quando me vestes com a tua pele e me cobres por inteiro. Desnudo apenas o peito para que o coração respire nos espaços onde não estás. Do cabelo, não disfarço as ondas por onde se perdem os teus dedos Mantendo-as presas apenas com um gancho para que não transbordem ainda mais da saudade. E as mãos ocupam-se com a ausência que me chora para o papel. … Hoje trajo-me de solidão e pinto a cara com tons de nevoeiro. E pergunto-me, sem máscaras, quem sou eu por detrás dele. (imagem retirada da net)

Mais uma vez

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Roça-me o frio depois do quente de mais um dia. Mais um dia, em que o meu mundo entrou por inteiro em ti. Foi mais um dia. Foi mais uma vez o tudo. Mais uma vez, fizemos da ânsia premente em nós Matéria-prima do querer, Onde, no seu silêncio, mergulhámos as mãos E de dentro dele, fizemos voar todos os gritos. Foi mais um dia, foi mais uma vez, Que tu, coração da minha saudade, Deixaste de bater, Para seres, simplesmente, Um lugar para mim . (imagem retirada da net)

Em silêncio

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És-me, em silêncio, toda a alma por dentro do sangue. E do sangue o oxigénio: Poema soluçado, sem princípio nem fim Onde, no meio das tuas mãos Eu me esqueço.

Menos de mim

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A cada rasgo de dia És-me cada vez menos, um pouco mais. Como se cada aurora Viesse acompanhada por um crepúsculo De luz cada vez mais quebradiça. Era bom que te dissesse que és cada vez mais meu Mas isso seria ignorar o vazio das minhas mãos, Que minguam a cada alcance do teu peito. Seria mentir a cada novo acordar, De onde tu me vais fugindo um pouco mais, Até o teu reflexo, Cada vez menos, Se notar na madrugada dos meus olhos. (imagem retirada da net)

De vez em quando

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de vez em quando dói-me tudo dói-me o frio do Inverno e a réstia do sol da tarde dói-me a chuva e dói-me o vento dói-me as gargalhadas estridentes os choros magoados dói-me o olhar desesperado de tanta gente e a voz embargada de quem trago cá dentro dói-me a música, o amor a solidão e o prazer dói-me o silêncio do sangue e a vontade de viver tudo isto e muito mais dói-me de tanto me doer há dias em que me dói tudo até ao último fio de alma (imagem retirada da net)