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Não sei

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Em que lugar pousar agora os olhos. Em que mesa descansar agora os cotovelos. Ser certeza quando a dúvida me leva pela mão. Nessa cegueira do querer, a dormeceste.  Ao fazer de conta que chegaste a um lugar que não existe. (Abre os olhos...) Mas os olhos já não pousam do lado de fora, por não saberem onde acontecer. Rasam sós e muito levemente, a passagem dos dias, a tocar os nadas simultâneos. E os medos. E as (in)certezas. Porque não sei se saberei ser. A estranheza de um fim sem nome. A nascer de um gemido lento. Em abandono. Quase absurdo. Não sei se saberei ser regresso. Mesmo antes de saber o que é ser partida. Porque tudo é ruído silencioso. Enorme. A estilhaçar num peito rasgado  e sem sopro de dor. Contínuo. Entre os nadas simultâneos. Na indiferença dos dias. E já não sei o que saber. Já não sei o que (vale a pena) perguntar. Não sei onde pousar os olhos, os cotovelos. Ou como largar a mão à dúvida. Porque tudo são vidros. E mais uma vez aqui est...

O dia de todos os outros dias

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  Mãe.  Por muito que me queira blindar de dias como este, é impossível evitar o contágio.  E dói. Saber quem já não tem uma mãe para abraçar. Saber quem a tem e ainda o pode fazer. Quem o pode fazer e não faz. Todos os gestos. Todas as palavras. Todas as omissões.   Nunca fomos de coisas materiais em dias como este. Fomos sempre, como todos os dias, o abraço apertado. O beijo ternurento. A presença constante. O telefonema diário. Actos de Amor na sua forma mais pura. É disso que sinto tanta falta, Mãe. Não do dia, mas de todos os outros dias. Contigo. Sabendo-te deste lado, à distância de minutos dos meus olhos. Mas estás tão longe e é já tão tarde que tudo escureceu. Agora Mãe, que me fazes mais falta do que nunca, sei o que me dirias, olhos nos olhos, em braços quentes. Na voz doce que já não consigo ouvir na minha memória. Estás demasiado longe no tempo e eu já não consigo ouvir-te... Mas preciso de te escrever. Como se tu também precisasses de me ler. Para ...