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A mostrar mensagens de janeiro, 2008

Curtas 26 – Come Back to Me

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Mais uma carta que te escrevo. Mais uma carta que não sei se vais receber. Mais uma carta, à qual não sei se me vais responder. E eu, vou permanecendo deste lado da barricada, na fronteira entre o céu da tua presença e o Inferno da tua ausência, à espera que tu voltes. Que tu, voltes para mim, com esses teus olhos azuis, imensos de mar e saudade. E com essas tuas mãos, que a guerra sujou, mas que a memória das minhas ainda lhes reconhecem a maciez da pele e as intenções dos dedos a passearem pelo meu cabelo. Volta… Volta para mim… Não permitas que o mar, da cor dos teus olhos, azede e nos divida. Não deixes que o céu abra uma brecha no nosso horizonte. E sobretudo, não desistas de voltar. De voltar para mim. A espera dói. Como dói… Por companhia, tenho as palavras por te dizer, que me choram todos os dias e todas as noites sobre a tua travesseira. Tenho os cigarros enfileirados na cigarreira, que um a um, vou matando, sem piedade. Tenh...

Dúvida

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Cá por dentro, Estranha-me a pele que um dia foi minha. E os poros já não obedecem aos gritos. Nem o encrespar dos pêlos ao frio da noite. Toco-me, E sinto-te como um manto de elasticidade. Diz-me… Quando foi que a tua epiderme encarnou na minha?
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A Felicidade, dói ou magoa?

Curtas 25 - Inverno de Mim

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É Inverno desolador. Lá fora e cá por dentro. Cá por dentro chove. Lá fora, apenas um frio muito frio, estranho aos dias e à pele. É Inverno na minha vida. Um Inverno que nunca quis conhecer. Que sempre tentei ignorar. E hoje, agora, chove cá por dentro. Lá fora, as folhas secas giram em rebuliço, como se os espíritos anunciassem mais uma partida. A tua. A tua partida e a anunciação de um longo e pesado Inverno de mim. Nem sei se me apetece chorar. Nem sei se me devem sequer, tentar consolar. Olho os rostos que me devolvem aquele olhar de Inverno, mas mesmo assim, é um Inverno diferente. É um Inverno sem o trago da bebedeira dos sentires. E é isso que eu tenho. Uma enorme bebedeira, onde tudo o que sou e conheço, bate nas paredes, agora ocas, desta massa de carne a que chamam de corpo. Não sei se devo chorar. Não sei sequer quem devo consolar, quando eu própria sinto os meus sentidos inconsoláveis. Não sei o que posso vir a sentir a partir de hoje, deste...