Por uma gota
Talvez seja esta. A gota tão pequena quanto aparentemente inofensiva na sua queda. Tão subtil na sua dança descendente. Inconsciente do vento que a leva e da gravidade do seu impacto. Talvez seja esta a gota do momento. Aquela que cai e tudo transforma, num efeito de torrente, lamacento. Por vezes necessário para que a beleza possa finalmente brotar. A que faltava para criar uma nova maré que nenhuma margem consiga conter. Talvez tenha sido esta. A gota. A derradeira. Aquela que manteve o charco desiquilibradamente húmido. Por muito tempo estagnado. Mas por fim choveu, sem saber que chovia em força. E com isso, pariu das entranhas do tempo uma nascente de imprevisibilidade. E uma nova consciência líquida gritou o seu lugar no mundo. Com uma gota só. Tão clara como só a água o sabe ser.