E hoje, espero-te Do outro lado da margem. Aquela que eu atravessei como um deserto, quando a saudade decidiu actualizar a morada no meu peito. E hoje, espero-te E digo-te, que a saudade aperta mais do que no primeiro dia, em que os meus olhos deixaram de te ver, a minha pele de te sentir, e as minhas mãos de te tocar. E hoje, espero-te Sedenta da tua silhueta ao longe. Do outro lado da margem. Do outro lado, onde deixei um coração de papel suspenso na tua volta. E hoje, espero-te Continuo a molhar os pés no riacho, cheio de vida. Todos os dias. E continuo a olhar o horizonte, à espera que uma qualquer sombra anuncie o teu retorno. E hoje, espero-te Porque todos cremos em reencontros. E eu creio no nosso. E hoje, espero-te No reencontro dos sentidos, da minha pele com a tua, do teu cheiro com o meu, das minhas mãos novamente preenchidas com as tuas. E hoje, espero-te Que o teu regresso me mate a saudade. Ou pelo menos, que encontre ...