Paridos
Há quem desrespeite. Há quem despreze. Aquelas mulheres que abriram as pernas para os parirem. A muito custo. Com muita dor. Sem anestesias e cortes a sangue frio. Com prognósticos de virem a ficar ali mesmo por levarem uma gravidez até ao fim. E hoje estão cá todos, os paridos e quem os pariu. E hoje parecem estranhos uns dos outros. Desconhecidos no próprio sangue que os une. Este texto é uma homenagem à grandeza da minha mãe, que teima em dizer que não é nada nem ninguém. Mas eu digo que pode passar muita gente pela nossa vida, mas Mãe, daquelas que realmente são dignas dessa qualidade, só há uma. E eu tenho muito orgulho em ter sido parida por uma grande mulher, em todos os sentidos e mais algum, se o houver. A sangue frio, com dores insuportáveis e mais uma vez, com péssimos prognósticos. Mas cá estamos, eu e ela, e quem continuamente dá o desprezo na cara como se de um beijo se tratasse.