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A mostrar mensagens de janeiro, 2011

Paridos

Há quem desrespeite. Há quem despreze. Aquelas mulheres que abriram as pernas para os parirem. A muito custo. Com muita dor. Sem anestesias e cortes a sangue frio. Com prognósticos de virem a ficar ali mesmo por levarem uma gravidez até ao fim. E hoje estão cá todos, os paridos e quem os pariu. E hoje parecem estranhos uns dos outros. Desconhecidos no próprio sangue que os une. Este texto é uma homenagem à grandeza da minha mãe, que teima em dizer que não é nada nem ninguém. Mas eu digo que pode passar muita gente pela nossa vida, mas Mãe, daquelas que realmente são dignas dessa qualidade, só há uma. E eu tenho muito orgulho em ter sido parida por uma grande mulher, em todos os sentidos e mais algum, se o houver. A sangue frio, com dores insuportáveis e mais uma vez, com péssimos prognósticos. Mas cá estamos, eu e ela, e quem continuamente dá o desprezo na cara como se de um beijo se tratasse.

Dissolvente

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Tenho a acidez dos afectos a invadir-me o peito. E qualquer dia morrem-me de vez, estrangulados pelo cansaço. E o cansaço cansa tanto, que já não lhe aguento o peso, que do coração vai invadindo os olhos. E o panorama muda por completo. E a vida passa a ser vista de forma tão diferente. Hoje não me apetece sentir mais nada que não seja sentir que já nada sinto. (imagem: representação de Sísifo. Desconheço o autor)