CURTAS 6 - Pedido às Estrelas
Esta chuva molha-me as mãos já cansadas de te escrever. Mas a minha vontade de continuar a falar contigo, em monólogos silenciosos, é mais forte que o meu cansaço. À noite, só à noite é que deixo repousar o sentimento por ti, nestas folhas de papel, já amareladas pelo tempo. E à noite, só à noite, abro a janela do meu quarto e deixo entrar as estrelas ao som nítido do mar, que está logo ali, ao alcance do meu olhar pesado e entristecido desde que partiste. Mas continuo a ter-te por minha doce companhia. Não falo contigo, mas escrevo-te. E enquanto as mãos trémulas me deixarem, assim continuarei a fazer. Talvez tu até as leias. Os espíritos rondam-nos por todo o lado, já dizia a minha avó, e depois da minha avó, a minha mãe. E eu quero mesmo acreditar que tu sentas do meu lado, e que vais lendo o que te quero dizer à medida que eu te vou escrevendo. E que te sentas no parapeito da janela, onde contemplas as estrelas juntamente comigo, e te deixas perder na imensidão do mar. As cartas gu...