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A mostrar mensagens de 2006

Último post de 2006…

…para 2007… Uma palavra: esperança. Um desejo: mudança. Um sonho: é segredo. Uma música: qualquer uma desde que me estremeça. Um orgulho: os amigos. Um desafio: mudar de rumo. Um novo destino: qualquer um desde que seja novidade. Uma promessa: continuar a escrever. Um instrumento: violino. Uma flor: miosótis. Uma bebida: muita cuba libre! Um lugar mágico: Ribeira, sempre. Uma conquista: descobrir pessoas especiais. Uma desilusão: donde e de quem menos se espera… infelizmente. Uma descoberta: algo em mim. Uma provocação: a irónica poesia da vida. Uma impossibilidade: deixar o mau feitio… Uma característica: rebeldia (e o mau feitio, pois claro…) Uma vontade: só uma não chega! Uma certeza: todos colhemos aquilo que plantamos... Um lema: “…eu sou do tamanho do que vejo, e não do tamanho da minha altura…” A todos vocês: que o novo ano vos sorria, mas lembrem-se de retribuir na mesma moeda. Por isso, façam o favor de serem Felizes! Bom Ano a todos. Aqui deixo o meu último beijo do ano, PCat

Árvore dos Desejos de Natal

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A todos os Amigos, desejo um Natal no minimo, memorável. Beijos e um Feliz Natal. PCat

Quero

Quero encontrar-te. Quero dizer-te tudo aquilo que em mim abafei. Quero alcançar-te de uma forma que nunca sentiste. Quero dizer-te aquilo que nunca ouviste. Quero que saibas o que nunca de mim soubeste. Quero-te meu e meu para sempre. Quero uma janela no teu olhar, E quero uma porta aberta no teu coração. Quero a tua voz todos os dias. Quero os teus braços em volta de mim. Quero-te como tu és, E quero-te reinventado nas minhas mãos. Quero-te como porto seguro, Quero-te por inteiro. E tu, Se não for ontem, nem hoje, talvez amanhã. Talvez amanhã sejas meu, porque o amanhã é o futuro E o futuro, é fruto da vontade e da acção. O futuro é esperança. E essa eu tenho de sobra para mim e para ti. Eu estou pronta a contribuir. E tu? 2006 Dezembro 07

(...)

(...) Eras um sonho bom, tão bom que julguei ser demais para mim, e por isso mesmo eras intocável. Vivíamos mundos aparte. Percorríamos estradas paralelas e sem cruzamentos. E eu não me ia importando de te ver ao longe, à distância de dois universos incompatíveis, com esse teu ar altivo de quem tudo tem e nada teme, porque acha que nada pode perder. Gostava de ti há muito tempo e esse tempo era curto demais para a minha fantasia que criava em teu redor. Como nunca falei contigo, tratei de definir-te um timbre de voz, suave, pausado e másculo, como eu sempre gostei, imaginei-te umas mãos mornas e grandes e imaginei-te um coração do tamanho do mundo, onde eu esperava que o meu pequeno coração de menina pudesse caber por inteiro. À parte disso, imaginava-te a levar-me até à praia, onde eu sempre gostava de ir, e lá davas-me a mão e percorríamos quilómetros de conversa, à medida que a maresia nos enchia os pulmões de saúde e o coração de felicidade. No final da tarde, quando o sol começava...

Nada

Observo no espelho, O reflexo ressoado do meu ser, Como purga reflectida de tudo aquilo que me polui. Passo a mão pelo espelho, Á medida que desfaço essa névoa embaciada, Em gotas que escorrem até ao chão. E a imagem que o espelho me devolve É uma imagem húmida e escorrida de nada. Dezembro 05 2006

CURTAS 6 - Pedido às Estrelas

Esta chuva molha-me as mãos já cansadas de te escrever. Mas a minha vontade de continuar a falar contigo, em monólogos silenciosos, é mais forte que o meu cansaço. À noite, só à noite é que deixo repousar o sentimento por ti, nestas folhas de papel, já amareladas pelo tempo. E à noite, só à noite, abro a janela do meu quarto e deixo entrar as estrelas ao som nítido do mar, que está logo ali, ao alcance do meu olhar pesado e entristecido desde que partiste. Mas continuo a ter-te por minha doce companhia. Não falo contigo, mas escrevo-te. E enquanto as mãos trémulas me deixarem, assim continuarei a fazer. Talvez tu até as leias. Os espíritos rondam-nos por todo o lado, já dizia a minha avó, e depois da minha avó, a minha mãe. E eu quero mesmo acreditar que tu sentas do meu lado, e que vais lendo o que te quero dizer à medida que eu te vou escrevendo. E que te sentas no parapeito da janela, onde contemplas as estrelas juntamente comigo, e te deixas perder na imensidão do mar. As cartas gu...

Mensagem para Fim-de-Semana

Um dia a maioria de nós irá separar-se. Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que partilhámos. Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia, das vésperas dosf inais de semana, dos finais de ano, enfim...do companheirismo vivido. Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre. Hoje, não tenho mais tanta certeza disso. Em breve cada um vai para seu lado, seja pelo destino ou por algum desentendimento, segue a sua vida. Talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe...nas cartas que trocaremos. Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices... Aí, os dias vão passar, meses...anos...até este contacto se tornar cadavez mais raro. Vamo-nos perder no tempo... Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e perguntarão: "Quem são aquelas pessoas?" Diremos ...que eram nossos amigos e...isso vai doer tanto! "Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons a...

Hoje sonhei-te…

Hoje sonhei-te. Sonhei-te a noite toda. As tuas mãos tocaram nas minhas, E os teus lábios bailaram nos meus. Sonhei-te palavras lindas que me dizias em sussurro, Enquanto estávamos aninhados um no outro. Sonhei que te afagava o cabelo Enquanto passarinhavas os teus dedos pelo meu corpo. Hoje sonhei que ia ser sempre assim. Que tínhamos um mundo só nosso e secreto. Intocável e inquebrável. E um amor alinhavado a 4 mãos e a duas vontades. Hoje quero continuar a sonhar-te Porque tu, és o meu sonho mais bonito e mais inocente, Que elevo ao sabor das estrelas como um papagaio de papel. E hoje quando acordar, vou voltar a sorrir. Porque amanhã voltarei a sonhar-te.

Aniversário pequenino...

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14 Novembro 2006 ... completei 1 mês de casada... Hoje dou-vos um "cheirinho" desse dia.

Doce Amigo

Querido Amigo, Hoje escrevo-te, porque sinto a necessidade de o fazer. Mesmo na curta distância física que nos separa, estou sempre contigo, estejas onde estiveres. Porque o meu pensamento flui para ti e o meu coração já bem te conhece. E choro também contigo, porque é-me impossível não o fazer. Porque embora a família seja extensão do nosso sangue e da nossa carne, os amigos são extensões da nossa alma, do nosso ser e do nosso sentir. E a minha alma enriqueceu desde que tive o privilégio de te conhecer. Por isso, Amigo, também me “dóis”, aqui no peito, e nada posso fazer para aliviar o teu pesar e a tua dor, a não ser aquilo que de melhor sei fazer. Escrever e escrever-te. E às vezes as palavras valem mais que um gesto, quando entre nós, decidimos estabelecer um “pacto de palavras” escritas, que sabem tão bem e cada vez melhor. E com elas, tens a capacidade de me arrancar um sorriso, quando eu própria não quero sorrir, e fazes-me falar quando eu teimo em remoer por dentro. Tu, passast...

Desejo de não Ser

Hoje, Apetecia-me deitar na areia e desfazer-me nas ondas. Tornar-me parte integrante da imensidão. Encomendar a minha alma às estrelas. E ter o sol e a lua por companhia. Putty
(...) Gostava que ficasses a saber que existe alguém no mundo que gosta de ti e que sonha contigo todos os dias. Que te escreve e que imagina diálogos e passeios na praia a dois. Que adorava um dia, andar de mão dada contigo. Que adorava misturar o teu suor no dela. Gostava tanto que soubesses, que quando essa pessoa acorda, o primeiro pensamento é para ti, que o primeiro sorriso matinal é para ti, que o primeiro suspiro é para ti. Gostava que soubesses, que és tu a aguarela dos seus sonhos, que és tu que lhe pintas todos os dias com cores diferentes e és tu a razão pela qual ela ganhou a vontade de mudar. Mudar tudo! Até mudar de Mundo se pudesse. Ou então, que, de vez em quando, tu quisesses dar uma saltada até ao dela. Mas o meu Mundo era pequeno demais para ti. Tu desejavas já o Universo por inteiro, sem partilhas, sem cedências. E eu desejava que tu quisesses ser o meu Universo, quando no meu coração já o eras. O tempo tudo cura. Eu queria que o tempo te curasse dessa cegueira que...

Até Breve

Regresso em Novembro... Até lá, não deixem murchar o nosso jardim. Conto com vocês para regas diárias. Beijo Putty

Tchim, Tchim, Mulheres!

Hoje brindemos às mulheres. Às que somos, Ás que fomos, Ás que haveremos de ser. Ás mães e às avós. Ás avós das nossas avós. Á nossa força inquebrável. Á nossa “fragilidade” de aço. Á nossa capacidade de gerar vida. Á capacidade que temos e que nenhum homem tem, De enfrentar a tempestade com lágrimas no rosto, mas força no peito. Á nossa cabeça erguida para a vida. Ás mulheres que usam a sabedoria como espada e o coração com escudo. Ás mulheres que vencem num mundo tipicamente masculinizado, ainda! Ás conquistadoras e ás rebeldes. À nossa capacidade invejável de suportar a dor no corpo e no espírito. Á nossa capacidade de dar alento, mesmo estando de rastos. Ao nosso mistério. Á nossa complexidade. Á nossa capacidade de amar mais com o coração e menos com o corpo. Ao nosso “toque” feminino que tudo embeleza. Ao nosso charme avassalador. Ao nosso olhar encantador. Á nossa perseverança. A nós, mulheres, porque somos absolutamente FANTÁSTICAS! Brindemos a nós!

Amor & Ódio

O Amor tudo lava. Lava almas, Lava dores do corpo, Lava mazelas e nódoas negras. Só não lava sentimentos de perda. Faz-nos voar, mas faz-nos cair também a toda a velocidade. Faz despertar o que há de melhor e de pior nas pessoas. Desperta risos incontroláveis e lágrimas devastadoras. Enche-nos o coração de alegria, E esvazia-nos os pulmões de um momento para o outro. Deixa-nos as pernas bambas E deixa-nos com vontade de não querermos levantar no dia seguinte. A linha que separa o Amor do ódio é tão ténue, dizem. E acredito nisso. Acredito que quem tem a capacidade de amar tem a de odiar. E despertar o ódio é bem mais fácil do que despertar o amor. Acredito nisso, porque é mais fácil. Todos já odiamos, certo? E hoje continuamos a odiar. Sejamos verdadeiros. E as razões que nos levam a amar e a odiar, estão tão próximas, embora circulem em estradas paralelas que a certo momento se cruzam. E passamos a amor o que um dia odiamos e passamos a odiar o que um dia amamos. O ódio não é incapaci...

Curtas 5 - Pegadas

Segui-te as pegadas durante muito tempo. Porque subitamente deixei de te ver, e tu de me procurares. Desapareceste da minha vista e nada disseste. Apenas me deixaste pegadas leves, pouco vincadas ao longo do caminho. Procurei-te por trilhos, vielas e ruelas e nada de ti. Ninguém sabe quem tu és e ninguém te viu passar, mas tu também passas bem despercebido, porque és discreto. E isso chamou-me tanto à atenção, porque eu sou como tu e sempre pensei que nos daríamos bem. Encontrei-te perdido, incapaz de pedir auxilio, e fui eu que te dei a mão, e que te levei onde querias ir. Dei-te abrigo do frio do coração e um refugio para a alma. E quando já estavas bem, quando já te sentia bem quente, quando já tinha conseguido arrancar um sorriso envergonhado de ti, tu perdeste-te novamente. E eu perdi algo de mim, que não sabia que me pertencia. E agora, ando à deriva, porque tu também o andas. Perdi-me porque tu também andas perdido. E eu quero tanto encontrar-te mas não sei se queres que eu te e...

Curtas 4 - O Começo de Tudo

Hoje que me rendo ao sentimento, não sei por que lado nos hei-de começar. Se por um beijo, se por um abraço, se por um aperto de mãos. Se te falo, ou me mantenho em silêncio. Se espero que avances, ou que me chames. Não sei se te escrevo, ou se te envio um sms a dizer o que sinto, Mesmo sem ter-mos começado coisa nenhuma. Esta história tem que ser longa, e por isso, só posso esperar um inicio envolvente, Que traga mistério e nos cative. A mim para ficar em ti, e a ti para ficares em mim. Não preciso que me digas muita coisa, prefiro que faças coisas. Prefiro pequenos gestos a grandes palavras. Quando começar-mos, leva-me para bem longe. Leva-me para onde nunca fui, e para onde nunca sequer sonhei. È isso que espero de ti: novidade e surpresa. Quero que me enchas o peito de alegria e os olhos de emoção. Quero saborear o teu abraço com intenções sinceras e não apenas sentir os teus braços à minha volta. Quero o calor da tua respiração na minha cara quando acordar, e a primeira coisa que ...

Dias Difíceis

Dias difíceis, meus amigos, Todos nós temos. Uns piores do que outros E pessoas com bagagens mais resistente para os suportar. Outros com meras malas de cartão. No entanto, há pessoas que surpreendem de sobremaneira. Mesmo com nuvens negras no coração e olhos carregados de dor, Não deixam o optimismo na gaveta. Não deixam de andar para a frente. Porque realmente, a vida é tão curta para nos aborrecermos. A vida é tão curta para dar-mos importância ao que não deve ter. E é nos dias difíceis que mostramos quem realmente somos. Mostramos de que matéria somos feitos. Uns de baralhos de cartas e outros de aço, Que não se deixam dobrar perante as pedras no caminho. Porque a vida também tem “pesos pesados”. Tão pesados, que parece que levamos chumbo nos ombros. Por isso: A todos os que têm bagagem resistente, que têm almas de aço e A derrota não faz parte do seu dicionário; A todos que perante a tempestade reconstroem corações e esperanças; Que não deixam que outros percam a fé e o gosto pela...

Dissertação ingénua do Amor

Gostava de ter a certeza que o amor é eterno. Que não murcha como as flores; Que não morre com as pessoas; Que não se desintegra como os átomos; Que não nasce nas árvores como os frutos, Que amadurecem, apodrecem e caiem. O amor devia ser como as estrelas, Que mesmo depois de morrerem, Continuam a brilhar, E todos nós acreditamos que elas continuam lá, Brilhantes e cintilantes, Como as vemos a anos luz de distância. Era bom acreditar, Que o Amor é como o ar que respiramos, E que quando ele rareia, Podemos ir à farmácia, Comprar uma botijinha dele, como se fosse oxigénio. Que podemos apanhá-lo no ar, mesmo sem querer, Tropeçar nele, sem nunca nos magoarmos. Ou então, que vem nos alimentos, como uma vitamina. Se assim fosse, não me importava de apanhar uma vitaminose. Amar tudo e para sempre! Não haveria de passar doença por este corpo!

Curtas 3 - Carta de Despedida

Se houvesse uma palavra que eu te pudesse dizer já, diria, mas as palavras já de nada valem, porque o abismo está à vista, e junto com o abismo, o fim. Vou poupar-te as palavras, meu amor. Deixo-te apenas a minha imagem de quando era feliz, o sabor dos nossos melhores momentos e o trago de mel do último beijo que te dei, ainda hoje. Parto, porque a vontade de ir é mais forte do que a de ficar, mesmo por ti. Não é egoísmo. É uma vontade avassaladora de deixar tudo para trás. Tudo o que não quis na vida, tudo o que não quero. De deixar de ser simplesmente eu. Só não pretendia deixar-te. Mas serás feliz. Tenho a certeza disso. Sei que vais ser feliz. Sei que vais encontrar alguém disposto a dar-te muito mais do que eu te dei. Sei que vais deixar uma semente, um marco na vida, no mundo. Em mim, não germinou. Sou solo pobre que não deixa ganhar raiz. Por isso, não chores por mim, agora que lês a minha despedida. Chora pelo que fui, pelo que fui e não queria ter sido. Não quero funerais, nem...

Curtas 2 – Receita para a Solidão

Captei o teu semblante, no meio da multidão. E rapidamente, desenhei a traços largos, a tua face com a minha imaginação, que é tão generosa e muito melhor do que a matéria. Debruei os teus olhos, grandes, cor de amêndoa, com traços finos e de suave aguarela, tracei o teu nariz, contornei a tua boca, dei-te uns dentes alvos perfeitos, e um sorriso envolvente. Não tens corpo, aos olhos da mente. Apenas face, e isso basta-me. És fruto colorido da minha tela imaginária. És rosto perfeito. E és só meu, porque só eu te vejo. Só eu sei quem és. Não passas de um perfeito desconhecido na imaginação de outros. Se passares por eles, passas despercebido, porque para eles, és mais um entre tantos outros estranhos. Se te perder de vista, é porque calcorreio caminhos nos quais tu não me segues. Se deixar de te ver ou de te falar, é porque morri e não porque te substitui por outro rosto qualquer. Não! Porque só tu me isolas da solidão. Só tu me fazes companhia. Só tu me contas histórias que me fazem c...

Curtas 1 - Enquanto houver Sol e Lua

No 1º dia em que entrei por esta porta, olhaste-me e sorriste, e mesmo sem poder falar, senti o eco da tua voz bem fundo em mim. Agarrei-te a mão e tu, com a pouca força que já em ti pulsava, fizeste um esforço quase sobre-humano para corresponder ao meu gesto. Ali ficamos, naquele quarto de hospital, despersonalizado, desumanizado com tantas máquinas que te agarram à vida. Pudesse eu ter esse poder. De te agarrar à vida como essas máquinas que te invadiam o corpo. Pudesse eu ter o dom de te ver novamente iluminado como sempre foste. Pudesse eu. Mas não posso. Apenas posso agarrar-te a mão e dizer-te tudo aquilo que não te disse. Apenas te posso dizer que és o amor da minha vida e que sempre o serás. Sempre. Sempre, enquanto houver Sol e Lua. Que me vejo a fazer promessas a um qualquer deus para que fiques bom e para que te traga de novo à vida. À nossa vida que ficou a meio, incompleta, tal como um livro cuja continuação ficou suspensa. Não sei escrever sem ti. Não quero escrever sem ...

Outubro

Neste Outubro em que, finalmente, vamos unir as nossas vidas na plenitude merecida, espero, nem mais nem menos, que doces momentos. Espero ter um coração a querer-me saltar do peito e pernas bailarinas ao ritmo do nervoso miudinho. Espero sorrir muito, para disfarçar as emoções do momento, mas sobretudo, espero ter-te do outro lado, com um sorriso aberto e mãos dispostas a receberem-me na tua vida, já que me mudei, definitivamente, para o teu coração. Espero partilhar com todos os amigos, mesmo os ausentes, este momento único e tão desejado. Espero receber e retribuir sorrisos de felicidade. Espero que a emoção faça explodir o coração e estremecer o espírito e que os meus pés deixem de sentir o chão, nem que seja por alguns segundos. Quero sentir-me etérea, quero ter a alma leve de arrependimentos. Quero respirar fundo, e ter esperança de que ao cortar cordões e elos não deixo ninguém com pesos e preocupações na alma. Neste Outubro quero ter apenas, sobre os meus ombros, a certeza do ...

Personalidade

A nossa personalidade deve ser indevassável, mesmo por nós próprios: daí o nosso dever de sonharmos sempre, e incluirmo-nos nos nossos sonhos, para que nos não seja possível ter opiniões a nosso respeito. E especialmente devemos evitar a invasão da nossa personalidade pelos outros. Todo o interesse alheio por nós é uma indelicadez ímpar. O que desloca a vulgar saudação - como está? - de ser uma indesculpável grosseria é o ser ela em geral absolutamente oca e insincera. Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego

Amigo, cá te espero!

Amigo, Cá te espero, Tal como o dia que nasce, aguarda os raios de Sol, E o fim de tarde, anseia por um crepúsculo. Cá te espero, De braços estendidos e coração aberto. Ansiosa por novidades, Mas sobretudo pelo sorriso, E pela companhia que fazes, Através do universo perfumado das palavras. Cá te espero, Juntamente com o calor da tua amizade Que fizeste questão em não deixar arrefecer, Através de sinais e mensagens Que guardo com todo o carinho, Nesta caixinha chamada Coração. Coisas simples e preciosas, Tão fáceis de dar, e tão boas de receber. E tão poucos o sabem fazer como tu… Que apenas esperas, como retribuição, Um sorriso sincero e boas palavras. Assim, cá te espero, Amigo! Espero que venhas com a rapidez do Vento E com o silêncio da Madrugada, E aguardo ar renovado, Com o teu regresso. Cá te espero. Bom regresso!

A minha Cidade

Sempre pensei que não deve haver ninguém que goste mais desta cidade do que eu. No limite, deve gostar tanto dela como eu. Simplesmente amo-a e tenho-a entranhada na pele. Sou tripeira de gema, natural de Massarelos, e orgulhosamente digo que sou do Porto. Não gostava de ter nascido em mais nenhuma Cidade. O Porto é a minha terra e mesmo para alguém como eu, que não conhece nada do mundo, é a Cidade do meu coração e por isso mesmo, só pode ser a mais bonita, a mais rica, a mais em tudo, para mim. Não consigo deixar de esboçar um sorriso, logo que me aproximo da minha velhinha Ribeira. Que confortável me sinto neste lugar. Que apetecível. Sento-me na esplanada e sou capaz, durante horas a fio, de estar ali, calada, apenas a mirar as gentes e a contemplar a paisagem. Que paz de alma que aquele lugar transmite. Sempre desejei morar por ali. Comprar uma daquelas casinhas típicas e transformá-la no meu estúdio de sonho. Sempre quis ter um estúdio. Capricho? Talvez. Todos temos direito aos n...

Para a Papoila

Medos que assustam. Medos que paralisam. Medos que metem muito medo. Existem alturas em que estamos dispostos A ultrapassá-los. E sentimos uma força dentro de nós Tão forte, que pensamos invencível. Sentimos os pulmões cheios de ar, Pronto a ser renovado. Temos vontade de sorrir O gosto da conquista, Mas sobretudo, Sorrir a vontade de conquistar. Até de cometer algumas loucuras Pelo meio, não é? E que boa que é esta sensação, De sentirmos que temos o poder E as rédeas não da nossa vida Mas do nosso desejo e da nossa vontade Apenas nas nossas mãos. Que força! Que pulsar de vida dentro nós! Mãos dispostas a trabalhar, E coração aberto a mudanças. É isso que é preciso. É preciso, sentir nas nossas entranhas, O ímpeto de calcar o medo, E a vontade louca de ir em frente. Não sabes o que vais encontrar, Mas também não perdes nada com isso. Ergue-te, Papoila! Ergue-te e cria a confiança necessária Para seguires os teus trilhos, Como diz o Brain, OPTA, se puderes! Sei que não é fácil. É muito ...

Cansaço...

O que há em mim é sobretudo cansaço Não disto nem daquilo, Nem sequer de tudo ou de nada: Cansaço assim mesmo, ele mesmo, Cansaço. A subtileza das sensações inúteis, As paixões violentas por coisa nenhuma, Os amores intensos por o suposto em alguém, Essas coisas todas Essas e o que falta nelas eternamente Tudo isso faz um cansaço, Este cansaço,Cansaço. Há sem dúvida quem ame o infinito, Há sem dúvida quem deseje o impossível, Há sem dúvida quem não queira nada Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles: Porque eu amo infinitamente o finito, Porque eu desejo impossivelmente o possível, Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser, Ou até se não puder ser... E o resultado? Para eles a vida vivida ou sonhada, Para eles o sonho sonhado ou vivido, Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto... Para mim só um grande, um profundo, E, ah com que felicidade infecundo, cansaço, Um supremíssimo cansaço, Í ssimo, íssimo, íssimo, Cansaço... Álvaro de Campos

Templos

Todos nós temos um templo. Interior ou exterior, Feito de pedra, divindades Ou mesmo de carne e osso, Para onde fugimos quando o coração aperta E o espírito mingua. Nesses templos, Tentamos resolver-nos Como se fossemos um problema. E nas paredes do nosso templo, Tentamos a resolução. Construímos equações extensas, Compostas de fórmulas complicadas, Cheias de incógnitas. Fazemos contas aos dias, Subtraímos derrotas E multiplicamos vitórias, Na esperança Que o resultado seja positivo. Quando damos por isso, Temos a parede do nosso templo Repleta de gatafunhos, cálculos, Raciocínios e rasuras. Resultado? Achamos as incógnitas? Persistimos na busca? Afinal, O que tanto procuramos no nosso templo? Refúgio ou orientação? Soluções ou caminhos para os atingir?

Teia

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Teço os meus pensamentos, Tal como uma aranha tece a sua teia. A ordem pela qual começo É que nem sempre é a mesma. Ora pelo inicio, Ora pelo fim, Ou até mesmo pelos meandros. Quando dou por mim, Tenho um emaranhado de pensamentos, De sentimentos, De opiniões difusas. Hoje digo sim, Amanhã digo não. Depois não sei, No futuro, … talvez. Depois de bem tecer a minha teia, Pulo em cima do meu raciocínio, Para ver se está ou não consistente. (Será que a aranha faz o mesmo?) E tal como este bichinho, Tento captar para a minha teia, quem comigo A quiser partilhar. Poucos caíram. Mas os que caíram, ainda hoje, pulam comigo! Fizemos do meu emaranhado De pensamentos, ideologias, visões sobre mundo, Sobre as coisas e sobre os outros. Algo comum… E se cada um de nós, Puxar por um fiozinho desta teia disforme, Mas mágica, Conseguimos fazer música! Inaudível e incompreensível para todos os outros, Talvez. Mas fio a fio, Puxando fio aqui e fio acolá, Lá vamos afinando tons e ajustando Ritmos de vida....

O Meu Amor Existe

O meu amor tem lábios de silêncio E mãos de bailarina E voa como o vento E abraça-me onde a solidão termina. O meu amor tem trinta mil cavalos A galopar no peito E um sorriso só dela Que nasce quando a seu lado eu me deito. O meu amor ensinou-me a chegar Sedento de ternura Sarou as minhas feridas E pôs-me a salvo para além da loucura. O meu amor ensinou-me a partir Nalguma noite triste Mas antes, ensinou-me... A não esquecer que o meu amor existe. Ao Brain e esposa. Parabéns.

Adeus

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor, E o que nos ficou não chega Para afastar o frio de quatro paredes. Gastámos tudo menos o silêncio. Gastámos os olhos com o sal das lágrimas, Gastámos as mãos à força de as apertarmos, Gastámos o relógio e as pedras das esquinas Em esperas inúteis. Meto as mãos nas algibeiras E não encontro nada. Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro! Era como se todas as coisas fossem minhas: Quanto mais te dava mais tinha para te dar. Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes! E eu acreditava! Acreditava, porque ao teu lado todas as coisas eram possíveis. Mas isso era no tempo dos segredos, no tempo em que o teu corpo era um aquário, no tempo em que os teus olhos eram peixes verdes. Hoje são apenas os teus olhos. É pouco, mas é verdade, uns olhos como todos os outros. Já gastámos as palavras. Quando agora digo: meu amor... já não se passa absolutamente nada. E, no entanto, antes das palavras gastas, tenho a certeza De que todas as coisas ...

Conselho

Cerca de grandes muros quem te sonhas. Depois, onde é visível o jardim Através do portão de grade dada, Põe quantas flores são as mais risonhas, Para que te conheçam só assim. Onde ninguém o vir não ponhas nada. Faze canteiros como os que outros têm, Onde os olhares possam entrever O teu jardim com lho vais mostrar. Mas onde és teu, e nunca o vê ninguém, Deixa as flores que vêm do chão crescer E deixa as ervas naturais medrar. Faze de ti um duplo ser guardado; E que ninguém, que veja e fite, possa Saber mais que um jardim de quem tu és Um jardim ostensivo e reservado, Por trás do qual a flor nativa roça A erva tão pobre que nem tu a vês... Fernando Pessoa Um conselho de Pessoa e meu também...

Viagem ao Fundo de Nós

Por vezes é necessário, levantar ancoras E ir à descoberta de nós mesmos. E nesta viagem, de caminhos desconhecidos E ruelas tortuosas, Teremos que enfrentar tantas coisas: Coisas conhecidas mas esquecidas; Coisas que queremos esquecer, mas não conseguimos; Pessoas que se perderam no caminho; Pessoas novas e reencontradas; Sonhos perdidos; Sonhos alcançados; Choros sufocados; E risos de nos encher os pulmões de vida. Há que fazer as pazes connosco. Reencontrar-nos e dar-nos um abraço Do tamanho do alcance da nossa vontade. Há que aliviar os pulmões, E gritar bem alto que nos reencontramos E que apaziguamos dores e mazelas Que recuperamos forças e vontade, De continuar esta viagem dentro de nós. De conhecermos becos sem saída E ter a capacidade de encontrar brechas Por onde fugir. Há que ter medo também, Para que o possamos ultrapassar, Como se de um muro se tratasse. Há que ter fé que um dia Nos vamos conhecer, Conforme outros já nos conhecem.

Estações do Coração

Existem amigos, que vão ficando para trás. E tomar-mos consciência disso é muito triste. O que leva uma amigo a afastar-se? Este pergunta levanta outras tantas, Para as quais buscamos respostas. O que me leva a chamar alguém de amigo? Afinal, terá sido esta pessoa merecedora Do que de melhor trago em mim? Será? Até que chegamos à conclusão, Que esse amigo, afinal estava de passagem. Não gostou da estadia no nosso coração Nem gostou da paisagem que o mesmo lhe oferecia. Arrumou malas, e fez-se à vida, Como tantas outras pessoas que por nós passam, E esquecem. No fundo, seremos uma comparação triste De uma estação. Ou mesmo de um apeadeiro, Onde por vezes ninguém Quer sequer parar. Isto é tão triste. Este sentimento de que, Algo que supostamente parecia de betão firme Afinal, tinha alicerces de barro, Que se desfizeram, mal caíram as primeiras chuvas. Que triste uma amizade desfeita. E ainda mais triste é, Aquele primeiro olhar, depois da uma já distante despedida, Tão frio, Tão penaliza...

Escuridão

Não estou com grande disposição P'ra outra enorme discussão Tu dizes que agora é de vez Fico a pensar nos porquês Nós ambos temos opiniões Fraquezas nos corações As lágrimas cheias de sal Não lavam o nosso mal E eu só quero ver-te rir feliz Dar cambalhotas no lençol Mas torces o nariz e lá se vai o sol Dizes vermelho, respondo azul Se vou para norte, vais para sul Mas tenho de te convencer Que, às vezes, também posso... Ter razão! Também mereço ter razão Vai por mim Sou capaz de te mostrar a luz E depois regressamos os dois À escuridão Se eu telefono, estás a falar Ou pensas que é p'ra resmungar Mas quando queres saber de mim Transformas-te em querubim Quero ir para a cama e tu queres sair Se quero beijos, queres dormir Se te apetece conversar Estou numa de meditar E tu só queres ver-me rir feliz Dar cambalhotas no lençol Mas torço o meu nariz e lá se vai o sol Dizes que sou chato e rezingão Se digo sim, tu dizes não Como é que te vou convencer Que, às vezes, também podes... Te...

Grandes são os Desertos...

Grandes são os desertos, e tudo é deserto. Não são algumas toneladas de pedras ou tijolos ao alto Que disfarçam o solo, o tal solo que é tudo. Grandes são os desertos e as almas desertas e grandes. Desertas porque não passa por elas senão elas mesmas, Grandes porque de ali se vê tudo, e tudo morreu. Grandes são os desertos, minha alma! Grandes são os desertos. Não tirei bilhete para a vida, Errei a porta do sentimento, Não houve vontade ou ocasião que eu não perdesse. Hoje não me resta, em vésperas de viagem, Com a mala aberta esperando a arrumação adiada, Sentado na cadeira em companhia com as camisas que não cabem, Hoje não me resta (à parte o incômodo de estar assim sentado) Senão saber isto:Grandes são os desertos, e tudo é deserto. Grande é a vida, e não vale a pena haver vida, Arrumo melhor a mala com os olhos de pensar em arrumar Que com arrumação das mãos factícias (e creio que digo bem) Acendo o cigarro para adiar a viagem, Para adiar todas as viagens. Para adiar o universo in...

Neste Mar

Neste Mar, Onde escuto o silêncio das ondas E os murmúrios das rochas Em choros sufocados, Aqui me sento, E contemplo. Ao longe, O horizonte parece-me tão perto. E se entreabrir os olhos, Quase que o consigo tocar Com um simples toque de dedos. Se ao menos estivesse assim tão perto… Se ao menos soubesse como é tocá-lo… E este nevoeiro, Que ma ataca a face Em salpicos temperados De fins de tarde quentes, Refresca-me o espírito E Lava-me memórias. Tal como as ondas que vêm e vão Em movimentos ritmados Sinto os meus pensamentos da mesma forma: Vêm e vão em movimentos ondulantes, Cobertos de Sal. Talvez purifiquem, Talvez apazigúem as mazelas Do coração e dos sentidos.

Cume da Solidão

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Hoje, É assim que me sinto. Sozinha, com os meus pensamentos E demónios à solta. Hoje, E a única coisa que em mim pulsa, São pensamentos dispersos e confusos. E a vontade latejante De encontrar respostas, É maior que a minha vontade De encontrar novamente O caminho dos sentidos. Hoje, O meu coração, É como este monte de areia, Feito de minúsculos grãos, À espera que o vento sopre E que o leve para outro lugar.

Agora

Agora, Que faço serão, no trabalho, Estou sozinha. Sem ninguém à minha volta que atrapalhe O fluir dos meus pensamentos. E sinto-me tão bem, hoje! Mesmo aqui, neste lugar Onde estou, em frente a uma janela gradeada. Mas hoje, Não há grades que me impeçam De "fugir" dentro de mim. E de usufruir deste sorriso interno, Que hoje foi alimentado, Por um sentimento vivo de conquista. Que felicidade tão pura! Que bom seria, se todos os dias fossem assim! Puros, intensos, pacificadores. Hoje, Tenho o coração acelerado, Mas não por um qualquer sentimento mau! Não! Hoje, sinto-me viva, Como nunca me senti na vida! Hoje sinto o verde fresco da juventude Bem vivo, dentro de mim! Tento controlar todos estes sentimentos Que querem fugir, Deste corpo de quatro paredes. Então, hoje, Limitei-me a rodopiar De olhos fechados, E de sorriso aberto. Alegrei a alma, E consegui saltar esta janela! Finalmente, CONSEGUI !

Momento

Hoje, Lancei mais uma pedra No caminho da Felicidade. Hoje, Não sinto o chão, Debaixo dos meus pés. Hoje, não há ninguém Que me arranque O sorriso da cara. Hoje estou FELIZ. Hoje, Sinto uma felicidade Nunca antes sentida. Hoje, Apetece-me Subir às estrelas E mergulhar Neste céu, Hoje, Ainda mais bonito, Ainda mais azul, Ainda mais perfeito. Hoje, Mais uma pedrinha, No caminho Da minha felicidade. Quero partilhar Com todos vocês Este momento. Um beijo a todos(as). PCat

Hoje…

Espero que o Sol Que sinto lá fora, Para lá da prisão do trabalho, Me dê um pouco mais de alento, Porque os tempos estão difíceis. E apesar da fase de felicidade Em que me encontro, Não deixo de sentir algumas Nuvens negras, a pairar Sobre mim e sobre outros. Não deixo de sentir Um negrume no coração. Por isso, hoje, Pretendo transpor A minha alma Para lá destas portas, E destas grades. Hoje, Desejo muito sorrir. Hoje, Desejo muito Sentir o calor de um sorriso.

À espera de ti....

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Aqui está o resultado de uma brincadeira, entre dois amigos... Um beijo para ele. À espera de ti.... Aqui permaneço, Sentada nesta pedra, Onde fito o olhar No horizonte, À procura dessa linha ténue Que une o Mar e o Céu Num beijo diário, Feito de silêncios Ininterruptos... Porque tu... És como essa infinita linha Onde me pendo, De olhos fechados, E balanço o coração. Por isso, pendo o olhar, No horizonte, À procura De um sinal teu, Talvez... E eu... Permaneço De olhar fixo e atento, À espera, quem sabe, Que voltes, Com a Estrela da Manhã, A este céu E a este Mar, Que nos pertence por inteiro, E cujo beijo Deixou de ser sentido, Desde que perdi o teu olhar.

Nesta Janela...

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Nesta Janela, Observo o Mundo lá fora. E encostando a minha cara Contra o vidro, Consigo sentir O pulsar da vida, Do lado de lá, À medida que as gotas Da chuva que cai Deslizam, Nesta Janela, Fechada sobre mim mesma. Nesta janela, Permanecem embaciados, Todos os sonhos, Todas as vontades, De saltar lá para fora E sentir, no corpo O deslize da chuva, Suave como um sorriso Perpétuo como um beijo. É isso mesmo! Desejo beijar a chuva E da erva que cresce, selvagem, Fazer uma cama, E nela rolar, rolar Até me cansar. E espero que o Sol Me aqueça o coração, E que o azul cegante do Céu Me transporte de vez Para o Mundo, Lá fora, Para lá desta janela, Onde cristalizo Os meus sonhos. Para a nova Flor, deste Jardim.

Existem momentos…

Existem momentos na vida em que por mais que queiramos ver e tocar a luz, lá em cima, não conseguimos. Porque elas não deixam. Por serem tantas e tão densas formam uma barreira intransponível, que vai crescendo em forma de torre e que apenas nos deixa vislumbrar, cá de baixo, o maravilhoso céu azul, as nuvens de algodão, tão alvas, tão bonitas, e por vezes, só por vezes, isto nos basta para nos arrancar um sorriso, mas isso não basta. Aquele eterno cinzento, feio, denso, que gira à nossa volta, que nos amedronta e assusta, alimenta-se dos nossos medos, das nossas angústias e fica forte! E a nossa força dilui-se à medida que as sombras giram, feito tornado do mal. E nós acabamos aninhados, à espera de uma trégua, ou à espera que um dia a nossa alma tenha a força necessária, para trepar por essa torre acima e colocar a uma bandeira vitoriosa, feita de luz, de sorrisos e de conquistas. E só aí, poderemos desfrutar do infinito do céu, e das nuvens fazer um castelo, e das estrelas o nosso a...

Palco

Quando mais nada importa O que nos resta? O que podemos procurar, Quando em nós, Não vemos a ponta do fio. Então, Decidimos procurar nos outros, Algo que nos prenda, Que nos enlace um pouco mais De esperança, De motivações, De alegrias. Porque a vida é boa Apenas assim. Se tivermos um argumento Bem escrito, E um papel principal A desempenhar. Caso contrário, Apenas nos tornamos Espectadores De nós mesmos, Num palco que é nosso Mas decerto desconhecido. E no final da peça, Apenas nós, Podemos contar Com aplausos solitários E um desfecho sem eco.

Gosto (2)

Gosto de pairar O meu pensamento, Sobre outros horizontes. Gosto dos passeios Por entre os sorrisos trocados. Gosto de vaguear Nas minhas próprias sombras. Gosto de autenticidade dos sorrisos límpidos. Gostos de olhares tranquilos, De quem não tem nada a temer. Gosto de vencer os medos. Gosto de qualquer vitória, Seja ela qual for. Gosto do azul do céu E do branco das nuvens. Gosto da liberdade dos pássaros Que voam à toa, parece. No entanto, sabem bem Qual o seu rumo. Gosto do verde da Natureza E do cheiro a terra molhada, Em dias quentes de Verão. Gosto da praia, Na doce melancolia do Inverno. Gosto de sentir O frio da areia nos pés E na cara, os salpicos do mar. Gosto de saborear palavras doces E de sentir o coração quente. Gosto de sorrir. Gosto de chorar de alegria. Gosto de companhia. Gosto de ti.

Ao meu Amor

Hoje, Escrevo E grito ao Mundo, O meu amor incondicional por ti. Tatuei definitivamente Na alma, Os beijos trocados, As palavras pronunciadas, O toque dos arrepios, Os olhares secretos, E os sorrisos malandros. Quero gritar ao Mundo, Que fazes a minha felicidade, Que és uma parte vital em mim. Que me pertences, e que eu te pertenço Em toda a plenitude. Que juntos decidimos unir pontos e pontes De afectos e desejos, Que juntos iniciamos alicerces Para uma vida conjunta. Quero sempre sentir as tuas mãos, Entrelaçadas nas minhas mãos, Com o calor de sempre. E hoje estou muito melhor E tu também, Porque decidimos substituir defeitos Em pontos a nosso favor. E vamos vencer. Porque te amo, como nunca amei ninguém, E esse sublime sentimento, É da tua responsabilidade. Porque transporto no peito O calor da reciprocidade, Do desejo, E da cumplicidade Do teu Amor. Do nosso Amor.

Demónios de Fogo

Há Demónios que entram Na nossa vida, Enfeitiçam-nos, prendem-nos, E traçam-nos um caminho Que não é nosso. Não o escolhemos, E noutras circunstâncias, Nunca o aceitaríamos. Mas porque os Demónios Têm esse poder, Arrastam-nos pela vontade E pelo desejo, De ver e sentir Algo que nunca conhecera-mos. Demónios de Fogo, Que nos queimam a pele Com palavras macias E cheias de nada. Palavras ocas, Sem significado, Mas que para nós Tanto nos dizem, Tanto nos fazem sonhar. E os nossos ouvidos, Apenas ouvem a melodia Por trás de tudo isso. Embalamos o coração, Ao som dessa música infernal, Que celestial nos parece, Que nos prende, nos amarra, E nos engana, Sem nos sentirmos enganados. Dançamos a um ritmo louco, Essa Valsa do Inferno, Até que por fim, Quebramos o feitiço, E despertamos para a vida.

Amizade

Na amizade, esta imensa troca de afectos, nada mais se espera que não seja um ombro para chorar, uns olhos compreensivos que nos conhecem bem, uma alma atenta para nos ouvir, um coração de porta aberta, sempre que quisermos entrar e uma atenção sem limites. Porque a amizade é algo que não se consegue explicar por palavras, mas que se sente, não se sabe muito bem como se sente, mas ela está ela com a sua presença indescritível e tão saborosa. Mesmo sozinhos, sentimo-nos acompanhados, mesmo quando choramos, não choramos sozinhos, porque ela está lá, materializada em almas que se compatibilizam com a nossa, em rejúbilos celestiais. Há sempre uma palavra mágica que conjugado com um outro sorriso mágico, nos trazem, perante a realidade, um rasgo de luz. E o panorama, afinal, já não nos parece tão mau! A simples partilha de uma boa noticia, a simples partilha de um café, um simples telefonema, uma simples mensagem, é tão especial, que o nosso coração alegra-se só por isso. Que maravilhosa ha...

Alma Livre

Hoje, Deixei a minha alma, Cansada da viagem, Em cima de uma ramada bem alta. Deixei-a em repouso, Numa tarde de Sol quente, E com ventos de desejos ardentes, Porque a jornada é grande. E aliando a vontade da caminhada E a ânsia de chegar ao destino, Prefiro assim. Deixá-la repousar. Apartei-a do corpo pesado, E deixei-o à deriva. Sem regras, sem limites. Selvagem, feito um touro bravo. Despi-o dos valores, Despi-o de razões. Todo ele é apenas sensações. Já a minha alma, respira fundo De alivio, por apenas alguns minutos, Ver-se livre de tão pesado fardo, De ter que dar uma existência, Uma orientação, uma luz, A um corpo que não quer ser mandado.

Este Silêncio

Este silêncio interrompe o som à nossa volta. Ás vezes é bom, mas também por vezes, não gostamos de o ouvir, porque esse silêncio tem uma voz que te sussurra bem dentro do ouvido e da mente. Nunca ouviste essa vozinha que vem lá de longe, de algures que não conseguimos atingir fisicamente? Sabes de onde ela vem? Da razão? Do coração? É a revelação do pensamento que julgamos não ser nosso, mas de um outro alguém, desconhecido? E quando ela decide manifestar-se, tu não podes fugir. Ela possui-te todo o ser e fala à medida que o teu coração bate, e quanto mais rápido bate mais rápido ela fala. E quanto mais a queres calar, mais ela grita. Vozinha maldita, esta, que nos faz pensar no que não queremos, que nos faz lembrar o que queremos esquecer e que decididamente veio para ficar connosco. Ambas coexistimos numa relação de Amor Ódio. Tentamos pacificar os diálogos e juntas lá tentamos dissecar dúvidas e problemas. Algumas com sucesso, outras apenas tentativas e outras sem sucesso algum. Às...

Espelho D’Água

Este Espelho, torna-nos disformes, Em reflexos ridículos. Ao sabor do vento forte, que vai e vem, A água ondula como se tivesse vida própria. Sem vontade, Sem vida, Sem gosto, Sem sonhos de outrora. Esquecemos os olhares, Nítidos como as águas calmas, Agora, afogados neles próprios. Reflexos malditos Que não gostamos de ver, Nem de tocar, Que nos distorce até à alma, Por momentos, inexistente. Aparição irreconhecível, Desnudada de Alma. É apenas alguém estranho, Que vemos do lado de lá. Conheces? Eu não reconheço, este alguém.

Vocês

Hoje dediquei-me a vocês todos, aí, do lado de lá. Aos meus pais, que são os melhores do mundo. Ao meu irmão. Ao meu amor, por simplesmente existir. Ao meu núcleo de amigos, porque sem vocês a minha vida seria uma tristeza. Ao eterno Sunshine, porque continua a brilhar. Aos que deixam mensagens. Aos que não deixam mensagens, porque são preguiçosos. Aos que não deixam mensagens, porque não sabem o que dizer. Aos que estão por perto e ligam. Aos que estão longe e se lembram. Aos que partiram mas continuam presentes. Aos presentes que não existem. Aos que existem mas não para mim. Aos que são recordados. Aos que são chorados. Aos que são sentidos. Aos que são amados. Aos que nos feriram, porque aprendemos. Aos que dão gratuitamente, porque aprendemos a retribuir. Aos que ensinam, porque evoluímos. Aos que ficam porque gostam de nós. Aos que não gostamos, porque nos fazem sentir algo diferente. Aos que deixam de amar porque é preciso. Aos que odeiam mas não matam. Aos que ferem com palavra...

Revelações

Esconde-se o Sol e revela-se a Noite. Revela-se o odor intenso das sensações. Revela-se o uivo do silêncio perturbador E de eco das palavras sem nexo. É loucura, é insanidade, É desejo de liberdade, É perdição, é desvario ao luar, É a paixão pelas coisas e pelos outros, Numa revelação sem tempo nem hora. Desce a Noite sobre nós, purificadora. Alheios a tudo e a nada, Mergulhamos nesta Noite de chuva quente, Que nos consome no suor dos corpos desejados, Por alguma coisa ainda desconhecida. Esperamos uma Revelação, algures, Por entre esses jardins agrestes da nossa mente. Nunca encontramos. E a busca incessante por coisa nenhuma, Que nos atordoa em êxtases humidificados, Deixa-nos à deriva. Deixa-nos em transe. Nunca paramos de procurar, Pelas Noites que nos cobrem, Nestes jardins, desconhecidos, Mas cuja Revelação, É para sempre sonhada.

Gosto

Gosto de viajar por entre os sonhos, pintados a aguarela, quando me sinto livre, nesta pista. Gosto de dançar ao ritmo louco das sensações e das batidas estridentes do coração. Fecho os olhos, e toda eu sou música que explode contra quatro paredes. Elevo-me até onde o meu corpo não me consegue alcançar, e poucos há que me acompanhem. Exorcizo-me sempre que posso e se pudesse, era todas as noites. A noite tem em mim um efeito libertador. É uma simbiose perfeita. Sou dela e ela está em mim, com batidas cardíacas fortes e uma sensação inexplicável como que um animal selvagem quisesse saltar cá para fora. Despeço-me da rotina e expulso todos os meus demónios, um a um, e deixo a noite fluir-me nas veias. Esqueço quem sou, esqueço do mundo lá fora. Deixo as contrariedades do lado de lá, da matéria e da razão e sou apenas energia pura, que abre passagem por entre a carne, fraca demais para albergar tantas sensações. Domino o corpo ao sabor do meu espírito e ele obedece, porque não há maneira ...

Homenagem

Tenho uma reclamação a fazer-te. Partiste cedo demais para um lugar inacessível aos mortais. Mas falo-te como se te conhecesse ou se estivesses aqui, bem perto de mim. Falo-te no mundo dos sonhos, no mundo da luz como no teu nome. Conheço-te por fotografias e pela boca daqueles que tiveram o privilégio de um dia cruzar a tua vida. Guardo a tua imagem na minha carteira, numa das muitas fotografias que tenho tuas, porque gosto de ver o tu sorriso. Parecias-me feliz. Sei que gostas de dançar, tal como eu, se calhar, por força do sangue que nos une. Não te conheço, mas sinto aqui, dentro de peito, uma força invisível que me diz o contrário. Conheço-te nas lágrimas de quem te recorda, reconheço-te nos traços de outras pessoas, conheço-te em mim, porque também me pertences e sinto-me orgulhosa em ter um pedacinho de ti, por imperceptível que seja. Gosto de pensar que tu ouves-me, ao longe, nesse lugar longínquo e sem nome onde de certeza és feliz. Gosto de pensar assim. Que estás feliz. Gost...

Há Dias Assim

Há dias assim, dispostos a não abrir, de nuvens espessas, carregadas de mágoas antigas. Há dias, em que só nos apetece chorar e não dizer nada. Dias sem raios de sol, sem sonhos e sem vontades. Dias tristes, de uma triste melancolia sem razão aparente. Há dias assim, mesmo quando nos sorriem, a vontade de retribuir é nenhuma. Há dias pálidos de cor, em que nada nos agrada ou desagrada. Há dias assim, em que não temos opinião formada sobre coisa nenhuma. Há dias em que as certezas desvanecem-se e as dúvidas assolam-nos o espírito. Há dias em que carregamos ao colo o peso da realidade que não queremos viver. Há dias em que um simples "Bom Dia" é um castigo. Há dias em que apenas nos queremos refugiar do mundo. Há dias assim, em que andamos de braço dado com o desalento, e nunca sabemos para onde ele nos leva. Há dias em que o desânimo é maior do que tudo. Há dias em que desenterramos medos. Há dias em que não nos apetece sentir. Há dias em que tudo nos parece feio. Há dias em q...

Para ti

Ofereço-te este ramo de palavras, Sunshine. Têm a cor que nos une e o aroma da nossa amizade. É feito de flores do campo, agrestes e de beleza única. Composto de gestos e valores que só nós compreendemos. Estas flores falam só para nós os dois. Flores pequeninas que regadas diariamente com a troca de sorrisos, e intenções iluminadas, vão crescendo à velocidade dos dias felizes e radiosos. Crescem rápido, tal como tu e eu e nós. Não te sentes a crescer por dentro? Não sentes a seiva a passar-te nos veios tal como nestas flores que ajudaste a descobrir? Eu sinto! Sinto a brisa suave que me levita a alma. Pairo sobre o maravilhoso mundo da redescoberta das coisas e dos outros, e de ti! Descobri-te a ti, Sunshine, que és a Clorofila destas flores! Sem ti, não sentiria o verde destes momentos que me ajudas a saborear todos os dias e com mais vontade. Adoro caminhar contigo, de mãos dadas, sobre as palavras que vamos lançando à nossa frente como pedras, à medida que construímos um caminho e ...

A Difícil Empreitada que é o Coração

Há empreitadas difíceis! Aquelas que precisam de licenças e licenciamentos, projectos e projectistas, engenheiros e arquitectos. Contraem-se créditos e compram-se terrenos. Iniciam-se infra-estruturas e erguem-se gigantescos pilares de betão. Dos tijolos fazem-se paredes e de telhas os telhados. Há empreitadas que movimentam céus e terra para serem erguidas. E assim vai crescendo um arranha-céus, feito dos melhores materiais e com acabamentos de luxo. Mas há empreitadas que afinal, não chegam a ser finalizadas. A obra embarga, o construtor abre falência, e a empreitada fica difícil de concluir. Mais ninguém quer acabar algo que outros começaram e não quiseram terminar. Assim, ali repousa um arranha-céus gigantesco e pomposo, que nada tem a não ser uma carcaça exuberante mas oca por dentro. Tem átrios ladrilhados, madeiras maciças e exóticas mas ninguém que lá queira morar. Está vazio, reduzido a abrigo para os bichos e almas que deambulam na noite. Assim, são construídos os corações fú...