Dias a doer
Os dias têm sido pesados. Daquele peso que pesa no cansaço. Que nos enche as mãos de nada. Que nos prende a alma à corda, qual mola de roupa enferrujada. É um pouco isso. O peso da ferrugem. E claro, da corda, que nos vai roendo a carne em volta dos sentidos. E os nossos dias passam a caber por inteiro apenas por dentro. E sangram por fora. Para lá da própria ferrugem. Sem mais certezas que não um imenso vazio cheio delas. E pensamos onde nos agarrar, senão naquilo que já não sabemos se somos. Na dúvida. Gigante novelo sem ponta visível. E pensamos: onde está o nosso lugar. Qual é o nosso lugar. E os nossos dias passam a caber por inteiro apenas por dentro. Porque lá fora, lá fora está a doer.