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A mostrar mensagens de março, 2009

Dias a doer

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Os dias têm sido pesados. Daquele peso que pesa no cansaço. Que nos enche as mãos de nada. Que nos prende a alma à corda, qual mola de roupa enferrujada. É um pouco isso. O peso da ferrugem. E claro, da corda, que nos vai roendo a carne em volta dos sentidos. E os nossos dias passam a caber por inteiro apenas por dentro. E sangram por fora. Para lá da própria ferrugem. Sem mais certezas que não um imenso vazio cheio delas. E pensamos onde nos agarrar, senão naquilo que já não sabemos se somos. Na dúvida. Gigante novelo sem ponta visível. E pensamos: onde está o nosso lugar. Qual é o nosso lugar. E os nossos dias passam a caber por inteiro apenas por dentro. Porque lá fora, lá fora está a doer.

Olhem, Coisas!

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Há dias em que as palavras nos fogem, como o Diabo da Cruz. Assim como as ideias que nos caiem pela rua fora, como quem mecanicamente deita uma beata ao chão já sem chama. Nem fumo, nem fogo. Apenas restos de nada. Os dedos esquecidos deixam de doer pela falta de outros dedos, como quem toma uma anestesia ao pequeno-almoço. Há dias em que a verdade das coisas nos grita de tal maneira atravessada, que nem a ferros a parimos. Há dias em que é difícil sermos. Sermos apenas. Até disso nos esquecemos. E se há coisa fácil na humanidade é o esquecimento. É tão simples. Tão presente quanto banal. Há coisas que de facto me dão nos nervos. E já nem sequer é o esquecimento. Entre aquilo que sou, há uma que me caracteriza de forma sindical: a Indignação. E eu pergunto-me: se um dia a perco, para que me servem os nervos? (autor da imagem: desconheço. Por favor não me processem por isto.)