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Curtas 24 - Amor de Guerra

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O meu Amor foi à guerra e saiu ferido. Matou saudades como quem mata inimigos. Rendeu-se com o hastear da bandeira branca, erguida à primeira súplica do teu coração a que o meu não consegue resistir. O meu Amor foi à guerra e matou saudades, como quem toma um qualquer posto de controlo. Veio ferido e cansado, de peito aberto e alma ensanguentada. Mas continua a matar. As saudades. Não sei por que luto. Não sei o porquê de continuar a lutar. Não sei porque não te venço nem sou vencida. E mesmo assim, sinto-me uma ganhadora, que tudo perde e nada tem, em nome de uma guerra silenciosa. A nossa. E em qualquer guerra, muito se perde, tal como este soldado sem quereres, que perdeu o coração, algures entre as tuas mãos. Foi feito refém sem se tornar vitima. Apenas se adaptou à morada do teu peito, com vontade de não mais regressar. E o meu Amor, lá vai matando as saudades, mesmo ferido. Mesmo sabendo que nunca as vai conseguir matar de vez, porque esta gue...

Mata-me

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Mata-me. Diz-me que estou doente. Terminal. Que o Amor apodreceu dentro de mim. Contaminou-me. Infectou-me de mil e um sentimentos. Mais vivos do que eu. Sentenciou-me com um milhão de razões. Que estou a cumprir. Que o coração parou num ponto final. Vazio sem parágrafo nem travessão. Que o sangue já não corre nas veias. Passeia-se. Que as minhas mãos perderam o lugar. Do teu Corpo. E as minhas pernas movem-se. Sem porquês. Que o meu olhar já pouco fala. E pouco se sente. É o melhor que tens a fazer. Mata-me! Já nada provoco. Perdi-me. De mim. Pouco me sei, a não seres tu. Sobrevives-me. E eu, Apenas existo-me. Sem nada me existir. R.B. (foto: Dave Bowering)

Curtas 23 – Fazes-me Falta

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Sinto-me uma pequena casa vazia. Sem jarras, nem flores. Sem música, nem aromas a incenso de baunilha e ópio. Uma casa empoeirada, de móveis cobertos por lençóis brancos e objectos mascarados de jornal envelhecido. Entro, e cheiro-lhe o pó. Apenas. Pó… De memórias, de quando abria a porta e dava de frente com o teu sorriso. Pó. Da música, das velas sobre a mesa, do gelado comido a dois. Pó. De quando sentia que tinha um coração a fazer sentido dentro do peito. Pó. De quando as minhas mãos tinham a missão de te percorrer o corpo. Pó. De quando no sofá, as minhas pernas se sobrepunham nas tuas, e as mãos, autónomas, se entrelaçavam. Pó. De quando esta casa, fazia sentido em existir. De quando tão pequena, me parecia tão imensamente grande. Época, em que tinha uma identidade. E eu também. Hoje, não sei o que sou e sinto a minha casa perdida. Caiada de saudade. Paredes lascadas de histórias. Janelas enegrecidas, pelo amont...

Curtas 22 - Partida sem Ida

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Partiste. Fizeste a mala, aniquilaste o passado, com sede do futuro. As meias de renda, que sempre te fizeram companhia nas noites frias, foram a única coisa que contigo levaste. Partiste. Meia dúzia de recordações na pequena mala, de quem te possuía o corpo assiduamente. Sem valor. Mas que fizeste por merecer ... pensam eles. Pensam sempre. Todos eles. Os que te devolviam um sorriso nojento, no fim de te consumarem. Tu devolvias o sorriso. Amarelo. Sem sentido, a não ser para receber os trocos despojados em cima da mesa-de-cabeceira de uma qualquer pensão reles. Como eles. Esses. Homens sem rosto, de quem guardas apenas isso. Um sorriso apodrecido. E um bafo putrefacto que o pescoço ainda hoje guarda. O pescoço guarda memórias, que o resto do corpo prefere esquecer. Nos pulsos furados pelos cigarros em brasa. Nos arranhões, nos golpes auto infligidos. Partiste. Fizeste a mala. Calçaste essas mesmas meias de renda. Marca própria. Tua. Sapatos ve...

Curtas 21 – Relatividade

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Sabes, tenho medo. Tenho medo, que um dia destes, alguém tenha a ousadia de me vir falar de amor. Aquele amor banalizado, de príncipes e princesas, de castelos, tranças e cavalos brancos. Aquele Amor com que toda a gente sonha um dia, e que nunca acontece, mas que grande parte das pessoas, pensa que sim. Tenho medo que este tiquetaque , em tom de bomba-relógio que em mim escondo, rebente, e te deixe escapar por entre as minhas sílabas danadas, sem ordem, principio nem fim e acorde aí, umas tantas consciências desenganadas pelas arritmias do coração. Ousar falar-me de amor, depois de ti, parece-me impossível. Faz-me sentir que, ninguém o conhece como eu. Que ninguém o viveu como eu. Que mais ninguém teve o mesmo privilégio que eu tive. Eu tive-o. E eu tenho-o e guardo-o dentro de mim, quando outros se julgam capazes de saltar fora dele, para dele poderem falar. Eu não te consigo falar deste amor. Não consigo saltar fora e racionalizá-lo, nem descrevê-lo na distância de ti....

Just Be...Mine

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Existem cicatrizes que ficam. Que marcam a pele, como quem marca um papel a carimbo. E é isto. Tenho um carimbo que te comprova em mim, para quando eu própria duvidar da tua existência. Tu existes. Inviolável, tingido a vermelho sangue , com gosto de fogo. Existes, e hoje, só me apetece romper-te o lacre. Violar-te! E seres meu. Meu, para sempre. (a putty a delirar...) (imagem ?)

Skin Memories

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Quando o tempo se mistura nas palavras E a acção verbal se faz sentir em pleno Quando tudo parece (im)perfeito E as lágrimas vão buscar o sal do meu olhar Quando a tua mão fazia magia na minha pele Quando me dedilhavas a alma com os teus dedos Quando a tua boca me falava ao corpo, baixinho Quando os meus olhos chamavam pelo profundo dos teus Quando a música fala de nós Quando os trajectos são bem mais importantes que o destino Quando o passado é mais presente que o meu hoje, E o meu hoje se faz no minuto em que te vivo. … Quando te chamo sem tu saberes… Quando me respondes sem eu te ouvir… Quando… Tudo isto é (ainda) poesia. E Enquanto… A memória da pele, não nos atraiçoar ... ..... ...... Assim será. (escrito, entre dois Mundos) (imagem ?)

Cansaço

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Tenho os meus dias cansados De um cansaço profundo e doente Daqueles que nos afogam por dentro E reviram entranhas Daqueles que doem na alma Aleijam o coração E moem no corpo Dias trémulos de cansaço Sem identidade Sem nada de dia Sem nada de noite Nem mesmo o testemunho das estrelas Tenho os meus longos dias cansados Um cansaço crescente e até injusto Um cansaço maior do que eu Maior do que as palavras cansadas que aqui deixo Maior que o significado da palavra cansaço . (imagem ?)

O Quanto de Ti em Mim

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O que é de ti que é meu? Não falo da tua carne nem das tuas posses Falo-te do imaterial, do invisível Do mundo dos sentires E das emoções Daquilo que não se diz Não se escreve E não se omite O que é de ti, que posso chamar de meu O que é de ti, que só a mim pertence O que é de ti, que só em mim (te) encontras O que é de ti, que só em mim (te) descobres Quanto dos meus olhos te chamam Quanto das minhas mãos te pedem Quantos dos meus (re)cantos fizeste teus Quanto da minha vida se mistura na tua? ( O que é de ti? Quanto de ti? ) Não me fales Olha-me Não me toques no que não se diz Não se escreve E não se omite. … Sente-me-te!

Curtas 20 – Esta Menina

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Esta menina, que aqui se apresenta perante vós, tem crescido. Não no tamanho e muito menos no cérebro! Continua a ter mãos pequenas e a calçar o 37. Veste M’s e de cintura um 36. Mas esta menina tem crescido. Crescido dentro dela própria e dentro dos outros. Tem vagueado, Discutido, Ouvido, Sonhado, E tirado conclusões. Acho que esta menina está a tornar-se numa mulherzinha à séria. Daquelas que enfrentam o touro pelos cornos. Daquelas que não se importam, e até fazem questão, de estar na linha da frente de uma qualquer causa ou batalha. Daquelas que erguem bandeiras e ditam palavras de ordem, porque acreditam nelas. E se acreditam, defendem-nas, com unhas e dentes, se for preciso. Esta menina, que aqui se apresenta perante vós, cresceu. Lutou para conseguir o que tem. E continua a lutar por novas conquistas. Ganhou uma voz interior, nova e madura. Ama e é amada. Aprendeu a chorar por coisas novas. Tem um coração e sofre, como qualqu...

És Tu?

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Sim… Sinto uns batimentos estranhos, aqui, bem dentro de mim. Não sei se de uma arritmia se trata. Não sei. Antes soubesse. Antes soubesse que quem bate cá por dentro és tu. ( És tu?) Que não é o coração, Que não é o desespero do estômago vazio, Que não é a tensão arterial ao rubro. Mas a que porta me estão a bater? Na porta da razão, não. Nessa não, por favor. Tranquem-na! Tranquem-na a sete chaves! Que o Cão de Duas Cabeças lhe faça guarda! Na porta do sentir? Talvez…pode ser…recebo sempre tantas visitas por aí! Na porta do coração? Não creio…essa está permanentemente aberta. Alguém roubou a chave de uma porta sem fechadura, sem porta, sem chave. ( Perceberam?) Na realidade, o coração não tem portas, não tem entradas, nem saídas institucionais. Muito menos de emergência. É o salve-se quem puder… Tem brechas, tem falhas, tem rupturas. E os habilidosos sabem! E como sabem! (E como o sabes, não é?) Qual espermatozóide à conquista do...