O dia de todos os outros dias
Mãe. Por muito que me queira blindar de dias como este, é impossível evitar o contágio. E dói. Saber quem já não tem uma mãe para abraçar. Saber quem a tem e ainda o pode fazer. Quem o pode fazer e não faz. Todos os gestos. Todas as palavras. Todas as omissões. Nunca fomos de coisas materiais em dias como este. Fomos sempre, como todos os dias, o abraço apertado. O beijo ternurento. A presença constante. O telefonema diário. Actos de Amor na sua forma mais pura. É disso que sinto tanta falta, Mãe. Não do dia, mas de todos os outros dias. Contigo. Sabendo-te deste lado, à distância de minutos dos meus olhos. Mas estás tão longe e é já tão tarde que tudo escureceu. Agora Mãe, que me fazes mais falta do que nunca, sei o que me dirias, olhos nos olhos, em braços quentes. Na voz doce que já não consigo ouvir na minha memória. Estás demasiado longe no tempo e eu já não consigo ouvir-te... Mas preciso de te escrever. Como se tu também precisasses de me ler. Para ...