Mensagens

A mostrar mensagens de abril, 2006

Espelho D’Água

Este Espelho, torna-nos disformes, Em reflexos ridículos. Ao sabor do vento forte, que vai e vem, A água ondula como se tivesse vida própria. Sem vontade, Sem vida, Sem gosto, Sem sonhos de outrora. Esquecemos os olhares, Nítidos como as águas calmas, Agora, afogados neles próprios. Reflexos malditos Que não gostamos de ver, Nem de tocar, Que nos distorce até à alma, Por momentos, inexistente. Aparição irreconhecível, Desnudada de Alma. É apenas alguém estranho, Que vemos do lado de lá. Conheces? Eu não reconheço, este alguém.

Vocês

Hoje dediquei-me a vocês todos, aí, do lado de lá. Aos meus pais, que são os melhores do mundo. Ao meu irmão. Ao meu amor, por simplesmente existir. Ao meu núcleo de amigos, porque sem vocês a minha vida seria uma tristeza. Ao eterno Sunshine, porque continua a brilhar. Aos que deixam mensagens. Aos que não deixam mensagens, porque são preguiçosos. Aos que não deixam mensagens, porque não sabem o que dizer. Aos que estão por perto e ligam. Aos que estão longe e se lembram. Aos que partiram mas continuam presentes. Aos presentes que não existem. Aos que existem mas não para mim. Aos que são recordados. Aos que são chorados. Aos que são sentidos. Aos que são amados. Aos que nos feriram, porque aprendemos. Aos que dão gratuitamente, porque aprendemos a retribuir. Aos que ensinam, porque evoluímos. Aos que ficam porque gostam de nós. Aos que não gostamos, porque nos fazem sentir algo diferente. Aos que deixam de amar porque é preciso. Aos que odeiam mas não matam. Aos que ferem com palavra...

Revelações

Esconde-se o Sol e revela-se a Noite. Revela-se o odor intenso das sensações. Revela-se o uivo do silêncio perturbador E de eco das palavras sem nexo. É loucura, é insanidade, É desejo de liberdade, É perdição, é desvario ao luar, É a paixão pelas coisas e pelos outros, Numa revelação sem tempo nem hora. Desce a Noite sobre nós, purificadora. Alheios a tudo e a nada, Mergulhamos nesta Noite de chuva quente, Que nos consome no suor dos corpos desejados, Por alguma coisa ainda desconhecida. Esperamos uma Revelação, algures, Por entre esses jardins agrestes da nossa mente. Nunca encontramos. E a busca incessante por coisa nenhuma, Que nos atordoa em êxtases humidificados, Deixa-nos à deriva. Deixa-nos em transe. Nunca paramos de procurar, Pelas Noites que nos cobrem, Nestes jardins, desconhecidos, Mas cuja Revelação, É para sempre sonhada.

Gosto

Gosto de viajar por entre os sonhos, pintados a aguarela, quando me sinto livre, nesta pista. Gosto de dançar ao ritmo louco das sensações e das batidas estridentes do coração. Fecho os olhos, e toda eu sou música que explode contra quatro paredes. Elevo-me até onde o meu corpo não me consegue alcançar, e poucos há que me acompanhem. Exorcizo-me sempre que posso e se pudesse, era todas as noites. A noite tem em mim um efeito libertador. É uma simbiose perfeita. Sou dela e ela está em mim, com batidas cardíacas fortes e uma sensação inexplicável como que um animal selvagem quisesse saltar cá para fora. Despeço-me da rotina e expulso todos os meus demónios, um a um, e deixo a noite fluir-me nas veias. Esqueço quem sou, esqueço do mundo lá fora. Deixo as contrariedades do lado de lá, da matéria e da razão e sou apenas energia pura, que abre passagem por entre a carne, fraca demais para albergar tantas sensações. Domino o corpo ao sabor do meu espírito e ele obedece, porque não há maneira ...

Homenagem

Tenho uma reclamação a fazer-te. Partiste cedo demais para um lugar inacessível aos mortais. Mas falo-te como se te conhecesse ou se estivesses aqui, bem perto de mim. Falo-te no mundo dos sonhos, no mundo da luz como no teu nome. Conheço-te por fotografias e pela boca daqueles que tiveram o privilégio de um dia cruzar a tua vida. Guardo a tua imagem na minha carteira, numa das muitas fotografias que tenho tuas, porque gosto de ver o tu sorriso. Parecias-me feliz. Sei que gostas de dançar, tal como eu, se calhar, por força do sangue que nos une. Não te conheço, mas sinto aqui, dentro de peito, uma força invisível que me diz o contrário. Conheço-te nas lágrimas de quem te recorda, reconheço-te nos traços de outras pessoas, conheço-te em mim, porque também me pertences e sinto-me orgulhosa em ter um pedacinho de ti, por imperceptível que seja. Gosto de pensar que tu ouves-me, ao longe, nesse lugar longínquo e sem nome onde de certeza és feliz. Gosto de pensar assim. Que estás feliz. Gost...

Há Dias Assim

Há dias assim, dispostos a não abrir, de nuvens espessas, carregadas de mágoas antigas. Há dias, em que só nos apetece chorar e não dizer nada. Dias sem raios de sol, sem sonhos e sem vontades. Dias tristes, de uma triste melancolia sem razão aparente. Há dias assim, mesmo quando nos sorriem, a vontade de retribuir é nenhuma. Há dias pálidos de cor, em que nada nos agrada ou desagrada. Há dias assim, em que não temos opinião formada sobre coisa nenhuma. Há dias em que as certezas desvanecem-se e as dúvidas assolam-nos o espírito. Há dias em que carregamos ao colo o peso da realidade que não queremos viver. Há dias em que um simples "Bom Dia" é um castigo. Há dias em que apenas nos queremos refugiar do mundo. Há dias assim, em que andamos de braço dado com o desalento, e nunca sabemos para onde ele nos leva. Há dias em que o desânimo é maior do que tudo. Há dias em que desenterramos medos. Há dias em que não nos apetece sentir. Há dias em que tudo nos parece feio. Há dias em q...

Para ti

Ofereço-te este ramo de palavras, Sunshine. Têm a cor que nos une e o aroma da nossa amizade. É feito de flores do campo, agrestes e de beleza única. Composto de gestos e valores que só nós compreendemos. Estas flores falam só para nós os dois. Flores pequeninas que regadas diariamente com a troca de sorrisos, e intenções iluminadas, vão crescendo à velocidade dos dias felizes e radiosos. Crescem rápido, tal como tu e eu e nós. Não te sentes a crescer por dentro? Não sentes a seiva a passar-te nos veios tal como nestas flores que ajudaste a descobrir? Eu sinto! Sinto a brisa suave que me levita a alma. Pairo sobre o maravilhoso mundo da redescoberta das coisas e dos outros, e de ti! Descobri-te a ti, Sunshine, que és a Clorofila destas flores! Sem ti, não sentiria o verde destes momentos que me ajudas a saborear todos os dias e com mais vontade. Adoro caminhar contigo, de mãos dadas, sobre as palavras que vamos lançando à nossa frente como pedras, à medida que construímos um caminho e ...

A Difícil Empreitada que é o Coração

Há empreitadas difíceis! Aquelas que precisam de licenças e licenciamentos, projectos e projectistas, engenheiros e arquitectos. Contraem-se créditos e compram-se terrenos. Iniciam-se infra-estruturas e erguem-se gigantescos pilares de betão. Dos tijolos fazem-se paredes e de telhas os telhados. Há empreitadas que movimentam céus e terra para serem erguidas. E assim vai crescendo um arranha-céus, feito dos melhores materiais e com acabamentos de luxo. Mas há empreitadas que afinal, não chegam a ser finalizadas. A obra embarga, o construtor abre falência, e a empreitada fica difícil de concluir. Mais ninguém quer acabar algo que outros começaram e não quiseram terminar. Assim, ali repousa um arranha-céus gigantesco e pomposo, que nada tem a não ser uma carcaça exuberante mas oca por dentro. Tem átrios ladrilhados, madeiras maciças e exóticas mas ninguém que lá queira morar. Está vazio, reduzido a abrigo para os bichos e almas que deambulam na noite. Assim, são construídos os corações fú...

Naveguei...

Naveguei pelos teus dedos e bailei ao som dos arrepios. Naveguei pelos teus dedos que me percorrem o corpo e me afagam a alma. Naveguei pelas tuas mãos ásperas da vida e de toque tão suave que me fazem perder as palavras na suavidade do momento. Estremeço quando os teus dedos, cuja magia que comportam e desconheço, tocam na minha pele e, quase não os sentindo, sinto tanto e com tanta intensidade, na alma. Os teus dedos, discretos como o amanhecer, fazem voar os sentidos e aliviar os tormentos. O entrelaçar dos teus dedos nos meus fazem vibrar no peito tantas sensações. As tuas mãos nas minhas mãos, transformadas em conchas de céu e estrelas, transportam um amor sem tempo sem receios. Naveguei em ti, em mar revolto de tempestades, com medo de me perder, mas encontraste-me, e pequenina fizeste-me crescer em ti e em mim e em nós. Agora sou grande porque grande é o meu amor por ti e grande é a certeza que pretendo continuar a navegar, aos som do toque de chuva dos teus dedos e ao som das b...

Caminho da Cor

Que pesar é esse que te assombra o semblante? Que pesar é esse que, apesar do dia radioso, te pesam tanto nos teus olhos carregados de mágoa e tristeza? Que braços caídos são esses? Ergue-os em busca do sol! E que, pelo menos este, seja capaz de te aquecer a alma, já que mais ninguém é capaz. Endireita as costas, amiga, olha em frente. Não vivas para trás. Deixa o passado no lugar que lhe pertence. Aprende e retira dele apenas aquilo que te faça progredir, no presente. O teu caminho é para a frente e é efeito de riachos de água fresca e de pétalas vivas de cor. Olha em frente. O teu caminho faz-se à medida dos teus passos seguros. Não percas a confiança quando calcas as pedras ou os ramos secos de vida. As pedras e os ramos espinhosos estão lá por alguma razão, e se porventura te magoam, às vezes, é porque é natural. Pensa que mais à frente, encontrarás a verdura dos teus anos que teimas em não querer viver. E porquê isso? Porque teimas em não ver os raios de sol e as nuvens de algodão...

O Fio dos Teus Olhos

O fio dos teus olhos doura-me o olhar com doçura. De um castanho dourado eterno, o teu olhar revela-se profundo na cor das amêndoas doces. Enlaço-me nesse fio, que vou tecendo em todos os momentos que estamos juntos e teço algo disforme e grandioso. Trocamos olhares como que palavras num dialecto próprio que só nós os dois entendemos, cheio de sentido e significado. Olhamo-nos infinitamente na profundidade desse fio de luz que irradia e nos abraça e prende como aço. Os nossos olhos beijam-se ardentemente e bailam numa dança sem passos estudados. Voam juntos, ao sabor da cor dos sentimentos, e da partilha sem lamentos. Ai, esse teu campo dourado à luz dos dias claros, enchem-me o dia e iluminam-me a vida. Esse fio que gosto de desfiar à minha maneira e que é só meu porque mo deste um dia, parece que não tem fim. Sou bem capaz de me pender nele, e balançar-me à vontade, sem medo de cair, porque sei que estou segura. Entretenho a razão sem cor enquanto me balanço nesse baloiço de sonhos, ...