vómito
Abro a boca e espalho silêncios infecundos por todas as divisões, como se o silêncio pudesse, de alguma forma, apaziguar-me a alma que deixou de crescer. Sinto que a vida esventrou-me. Saiu de mim apressadamente como quem foge do medo e do perigo. Parou num beco da existência e mergulhou a fundo num canto sujo qualquer, esgueirando-se por um intervalo do mundo. Hoje sou eu que vomito silêncios, ao mesmo tempo que a alma deambula pelos sítios onde onde dia cantou, pelos sítios onde a minha boca já não sabe chorar.