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A mostrar mensagens de outubro, 2011

vómito

Abro a boca e espalho silêncios infecundos por todas as divisões,  como se o silêncio pudesse, de alguma forma, apaziguar-me a alma que deixou de crescer.  Sinto que a vida esventrou-me. Saiu de mim apressadamente como quem foge do medo e do perigo. Parou num beco da existência e mergulhou a fundo num canto sujo qualquer, esgueirando-se por um intervalo do mundo. Hoje sou eu que vomito silêncios, ao mesmo tempo que a alma deambula pelos sítios onde onde dia cantou, pelos sítios onde a minha boca já não sabe chorar.

dúvida

A poesia é tão pessoal para quem a escreve, quanto impessoal para quem a lê. Se eu disser cansa-me não saber esperar por ti , o que significará isto para quem não sabe sentir com os olhos?

Luci

Nesta próxima sexta-feira, casa-se um dos meus melhores amigos. Casa-se no dia em que eu também casei. Já o conheço há quase 20 anos, éramos nós uns adolescentes ranhosos que adoravam jogar basket e foi o basket que nos uniu. Dos amigos e colegas da altura guardo muito pouco e trago muito pouco. Mas dele não. Esteve comigo em situações criticas. Conheço-o como poucos, deixem-me que diga isto com toda a legitimidade. Passamos por momentos muito maus e momentos muito bons. Crescemos juntos em vários sentidos e hoje já estamos tão crescidos... Fumámos juntos e às escondidas. Ele guardava o maço de Marlboro no saco da raquete de ténis na mala do seu Opel Corsa preto (sem direcção assistida!) e com uma botinha azul e branca pendurada no espelho retrovisor. E aos fins-de-semana, lá iamos nós, para o Café do Cais, na Ribeira, tomar o nosso Café com Natas e um cigarrinho. Ainda me lembro do dia em que tirou a carta e de andar a medo comigo pelas ruas do Porto. Ainda me lembro quando ingressou ...