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A mostrar mensagens de maio, 2009

Procuro-te

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procuro-te… e vivo-te na minha própria saudade, sabendo que para lá dela está também a tua, num bater de alma que nos afoga os sentidos no corpo e nos recolhe as mãos de encontro ao peito, como pássaro cativo do teu sentir procuro-te… em cada sílaba tónica, em cada vírgula, em cada espaçamento de tempo entre as tuas palavras, por entre cada extensão do teu olhar dentro do meu, por entre cada respirar nas pausas de um beijo procuro-te… no sentir de cada recanto teu quando fecho os olhos. Em cada trajecto das tuas mãos pela memória do meu corpo, em cada sopro desfeito num “amo-te”, em cada “quero-te” sussurrado procuro-te… nas pedras que piso, e que choram pelos passos intervalados dos meus longos dias sem ti e nas paredes arranhadas pelo desejo, que sufocam as palavras que mais ninguém ouve para além de mim, e ninguém mais as sente para além de nós procuro-te… e é por entre todos os meus silêncios distantes, que em ecos impelidos pela memória, a tua presença aconte...

Curtas 40 - Ângulos

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O segredo do sorriso, do verdadeiro sorriso, não está no propósito, mas no ângulo dos lábios. Não tem ciência, mas tem a geometria de um batimento, a flexibilidade de um abraço e a direcção de um beijo. Tem a idade das emoções e o peso da felicidade bi-horária. Não tem preço, mas sabe-se que por vezes custa tanto, por todo o alheamento que vemos e sentimos à nossa volta. Tem um caminho sinuoso, percorrido da tua boca à minha, por entre uma batida do coração e outra, e outra, cada vez mais fortes e intensamente prolongadas. O segredo do sorriso, do verdadeiro sorriso, não está no objectivo. Está nas tuas mãos que tocam até ao mais profundo de mim e por lá se passeiam indefinidamente, como se houvesse um sítio, um único sítio, para elas ainda desconhecido. E o sorriso surge, naturalmente, por entre o ângulo que define o amor, que une os nossos corpos numa perfeita fusão de sangue, sabor e sentir. E vem de novo o batimento, em batidas fatais que nos encharcam a alma até aos ossos. E somos...

E de repente TU.

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Sobe o pano no silêncio e de repente TU. Na indiferença das luzes escorregadias que já nem os pés iluminam. Do chão que foge do encontro dos teus passos. E o teu olhar depende apenas do aplauso do abandono, que rapidamente assume o seu melhor papel do vazio de ti. Aí estás TU. Em prostração. Ao aplauso de quem tanto tentou para que, pelo menos, uma cadeira se mantivesse ocupada. Calor. Que não mais existe. Vulto em despedimento. Sombra que se foi. Porta que bateu. Num fechar sem nunca mais abrir. Sobe o pano e de repente TU. ( Luz escorregadia. Baça. Cansada. ) Não com esperança. Mas na expectativa do dia. Do dia das três pancadas em que o pano desce, sem nunca mais voltar a subir. E no silêncio, possas assumir o lugar, desocupado do calor que se foi, num vulto de ombros caídos. E uma sombra que fica. Que se abra a porta… (música: Into Dust | Mazzy Star)