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A mostrar mensagens de janeiro, 2007

Curtas 10 - Os começos são sempre tão mágicos

Os começos são sempre tão mágicos. Comportam em si mesmo um feitiço forte que nos impregna a pele de arrepios. E porque todos os começos são mágicos, sempre imaginamos que o meio e o fim, que julgamos nunca atingir, também eles o serão, mágicos para sempre. E hoje, que me sento nesta cadeira e olho o horizonte, enquanto as réstias do sol do dia me aquecem a cara, fecho os olhos e penso com uma certa nostalgia e tristeza, o que vivemos, o que fizemos um pelo outro, do que abandonamos e abdicamos em prol um do outro. Das juras e promessas. Dos encontros às escondidas numa sala de café. E tu, abdicaste de muito mais por mim do que eu por ti. E sentias-te feliz por ter cortado as amarras do passado para estares comigo, para projectares uma vida comigo, para fazeres novos planos e esquecer aqueles que te propuseste com outra pessoa e que nem sequer os conseguiste iniciar. E hoje, olho para ti a custo, porque o teu olhar e semblante que me foi apresentado no primeiro dia que te vi, há muito ...

Curtas 9 - Dois

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Duas vontades. Duas decisões. Duas unidades. Dois corações. Duas identidades. Duas cabeças e dois pensamentos. Dois sois iluminados por duas luas. Dois seres. Duas visões. Duas realidades. Dois olhos, os teus e os meus. Duas mãos, as tuas e as minhas. Dois vezes dez dedos com muita prosa. Dois vezes dois olhos com muita melodia. Duas horas vezes quatro. Duas pessoas para uma só noite. E curta noite para duas vontades. Duas cadeiras para uma mesa. Dois desejos de ficar, Os dois perdidos nessa noite sem duo. Até, quem sabe nos perdermos os dois um no outro. Misturar dois verbos, duas frases, dois sorrisos, dois beijos. E acabar por transformar todos os dois em um. Sem culpas e sem desculpas. Sem pesos e arrependimentos. Quando o único peso é o passo apressado e agreste das horas que passam tão rápido. Quando tudo nos parece bem e perfeito. E eu que pedi à noite que abrisse as portas para nos receber aos dois de braços abertos. Sem frio no corpo, com calor no peito e sorriso aberto, Quand...

Curtas 8 - Quando já nada mais importa….

Agora que entras por essa porta, já nada me faz tremer, porque já tudo se perdeu. Tudo se diluiu e não sei os “comos” nem “porquês”. Simplesmente deixou de ser, de existir. Agora, já não me interesso se deixas o casaco nas costas da cadeira da sala, ou se deixas as chaves do carro no balcão da cozinha. Já não me interesso se não me dás um beijo de boa noite. Já não me interesso porque tu também já não te interessas. Estou apenas a aguardar o momento certo para por fim a 7 anos de história, 7 capítulos e muitos sub-capítulos, pensados e construídos a 4 mãos e a dois corações. E agora preparo-me para escrever o oitavo, o fim. E pergunto-me se tu pensas o mesmo. E agora que penso na vida a que um dia chamamos de nossa, e faço milhares de retrospectivas, questiono-me em que ponto é que o barco começou a remar em sentido contrário… Pergunto-me qual foi o primeiro sinal de que as marés um dia calmas, se começaram a revoltar. E por mais que puxe pela cabeça não consigo chegar lá. Estaria dist...

Curtas 7 - Naquela Mesa de Café

Hoje, entro no mesmo café, sento-me na mesma mesa e na mesma cadeira, onde tantas e tantas tardes nos encontrávamos para contrapormos pontos de vistas. Naquelas tardes de velhos anos, donde saía sempre mais enriquecida pelas nossas conversas sobre o Mundo, sobre ti e sobre eu. Contigo, aprendi sobre mim, o que eu própria desconhecia. Descobri, que afinal, não era tão auto-suficiente como pensava. Que afinal, eu também, que pensava ser imune às quedas do coração, tinha um a bater dentro do peito. Descobri que suspirar por algo ou alguém é tão humano como respirar, só que ainda melhor, porque respiras melhor quando tens uma razão para sorrir. Descobri-me em ti, porque demonstraste-me com tantas e tantas teorias que eu sempre fiz questão de contrapor, que a nossa vida pode ser um qualquer sitio desde que haja vontade para sorrir e para fazer sorrir, simplesmente por estamos “por cá”. Que a nossa vida pode ser uma cidade inteira, construída sobre pilares de afecto por nós e pelos outros, c...

Sou mais alguém no Universo...

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Sou mais alguém no Universo, Á procura de respostas. Mas quanto mais procuro, mais me perco. E quanto mais me tento compreender, mais confusa fico. Porque “Todos os dias anoiteço em lugar incerto de mim”. Em labirintos de alma e de vontades incertas não sei bem de quê. Tenho sede e fome da descoberta. Descoberta de mim e dos outros. Descoberta de um novo mundo. Mas, ainda não consigo chegar lá, Porque “lá”, é muito longe. É labiríntico, é sinuoso. E é onde eu não sei como “lá” chegar. E gostava que alguém, Que já de lá tenha vindo, Me pagasse pela mão, E que me fizesse um mapa, mesmo que em rascunho, Mas que pelo menos servisse de orientação. “O caminho é por ali!” E aí, sim, faria as malas E partiria para esse tal desejado lugar, Incerto e decerto que obscuro. Sinto-me como um mapa interior negro. Sem linhas, sem caminhos e sem direcções. E por isso permaneço à deriva Num Mar a que chamam de Vida, E cujo tão afamado dom, Eu não conheço em mim, Mas apenas nos outros. E que me perdoe a ...