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A mostrar mensagens de 2009

Tempestades

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tenho tempestades dentro de mim em rodopios que me estilhaçam tudo por onde passam relâmpagos que ferem e rasgam tenho o frio da distância que me gela os ossos e parte a alma ao meio aproveito a chuva e mergulho, sem ninguém mais saber, no vazio deste lugar o lugar sem ti o lugar das tempestades e dos mares revoltos o lugar da tua memória, naufraga e desesperada rajadas de pensamentos embrenham-se nos sentidos numa luta discreta e desleal e eu não sei eu não sei quem a vencerá quem me vencerá e neste momento queria dizer-te tanta coisa… queria dizer-te da calmaria dos dias na tua presença da paz e do calor dos teus olhos da paixão do teu beijo queria dizer-te tanta coisa… mas eu embrenho-me assim, na tempestade de mim quando grito por ti (imagem retirada da net)

Código Postal

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Podias mergulhar fundo em mim, abarcar-me por inteiro, e fazer de todos os meus recantos a tua casa. Podias remexer e reinventar-me. Podias abrilhantar as paredes com tudo aquilo que ainda não ouvi de ti. Sapatear o meu chão à tua chegada. Fechar e abrir portas. Podias até ser o ressoado das janelas num dia intenso de chuva. E podias dizer que sou definitivamente a tua morada. Um nome de rua, um número de porta. Com direito a código postal e tudo. E eu seria simplesmente feliz por ter quatro e mais três dígitos desunidos por um hífen. Desde que esses fossem também os teus. Desde que esses, sem mais dúvidas, te trouxessem sempre para mim. Imagem retirada da net.

Porque a pele não mente

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É nas minhas mãos pequenas que transporto a memória exacta da tua pele. E é em cada poro que albergo o trago de vida que em mim és. (foto retirada da net)

Importa Ser

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...Ser a pessoa mais importante na vida de outra... Isto não é egoísmo Não é querer abarcar o mundo de alguém apenas nas nossas mãos É querer apenas ser o mundo nas mãos de alguém E isto não pode ser egoísmo Nem mesmo uma quimera Isto é, simplesmente, querer ser-se humano (imagem retirada da net)

Este texto sou eu

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Hoje é mais um dia na minha vida . Mais um dia de saudade a correr-me nas veias . E a saudade és-me tu, mas já sem o desespero de ti . E isto é mais um texto meu que te fala, simplesmente porque te amo . Sem grandes rodeios, sem grandes frases e com a simplicidade que sempre me caracterizou . E porque o amor é assim que deve ser . . . Este texto é o meu sangue Este texto sou eu . . .
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Não digas que me amas para sempre. Diz antes que me amas com a intensidade de uma vida inteira. . . . . . Para sempre, é um lugar longe de mais. (imagem retirada da net)

O Poeta não é um fingidor...

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Tiveste vida de poeta. Curta. Dorida. Calejada. Sentida e transcrita. Como só os verdadeiros poetas conhecem, sentem e sabem descrever. Daquelas vidas que reproduzem na perfeição, cada sílaba, cada palavra e cada vírgula que deixaste para nós. Hoje fazias anos. Já nem sei bem quantos. Apenas sei que já eram muitos. E muitos que tu não viveste, excepto o facto de tudo teres vivido nas palavras, na música do teu violino e na dor de pesadas ausências. E essa viveste-a na exaustão. Até que o limite do cansaço deixou de te fazer sentido. Hoje fazias anos. Para além dos que te sentem e recordam sempre, apenas por dentro, hoje eu escrevo-te. Hoje eu lembro-te. À Memória do meu Avô poeta, Abílio Branco Que hoje fazia anos Já não sei bem quantos Mas sei que eram muitos. 2009, Outubro 2.

Curtas 41 - Heartbeats

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Ando com o coração assim a modos que a roçar o esquisito. Diria mesmo que está chateado, zangado, para não dizer (re)fodido e até mesmo de o ser, assim, simplesmente coração. Apetecia-me esquecê-lo, como que despropositadamente, num lugar qualquer ali para uma terra esquecida pelo pó bem a caminho sabe-se lá de onde. Queria mesmo perdê-lo…como quem pensa que mete a chave no bolso e afinal ela nem no bolso entrou. Mas está difícil. Difícil como um problema de escola, daqueles, de matemática. Vai-se a ver, em vez de achar a incógnita, criou-se mais outra. E outra. E outra. E mais outra. Como aquele maldito molhe de chaves teimosas que teimam a entrar nos bolsos e nem a porra do forro rasgam. O meu coração insiste em manter-se no mesmo sítio e lembra-me todo o santo dia que lá está. E bate, como que se batesse no acordar dos meus sentidos. E porquê? Perguntarão vocês… Porque o meu coração, anda assim a modos que a roçar o esquisito. Deixou de estar para ser. Chateado, ...

Ser alguém

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Às vezes gostava que me fosses mais do que aquilo que me és. Seres-me mais no sangue, na saliva. Seres-me na pele e poder tocar-te, em vez de me seres tudo apenas nas palavras. Às vezes… Só às vezes… Podias ser mais do que a memória comporta. Mais do que o agridoce da ausência em que sempre me pendo. Mais do que mais um livro. Mais do que já muitas canções. E mais do que mais uma noite. Às vezes penso que era isto que gostava. Que tu, que já és tanta gente, pudesses ser eu também. Ao passear pelo Miocárdio da Estranhex , deu-me esta síncope cardíaca. E por isso, este gatafunho é para ela! :) (imagem retirada da net)

Plágio

Meus Amigos, Fui avisada por um leitor, sobre um blog de plágios descarados, com uma série de textos meus e pelos vistos de outros autores de blogs, como "Um lugar ao fundo", "Amor & Ódio", "A poeiras dos dias". Fica o aviso à navegação. PLAGIADOR: http://utopiaperfect.blogspot.com/

Distância

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Talvez seja esta a única forma de te amar. No silêncio que o meu corpo nutre ao mesmo tempo que a sede dos teus beijos espicaça a memória, e os meus dedos apertam o vazio, sabendo que no espaço entre eles, residem os teus. E mesmo naquele vazio neutro, que percorre cada ponto fulcral da ausência, a tua existência anuncia-se a cada fechar de olhos, sempre que lembro o teu odor a tomar conta do meu. Em cada pensamento consciente de que eu sou em ti, o mesmo que tu és em mim e assim, somos inteiros, um no outro. Mas é demasiado exigente e interminável, o vazio consequente que me pousa nos ombros e vocifera a tua falta em todos os meus espaços. Meu amor, a distância é uma longa viagem em dose dupla. E hoje, chamo-te saudade. (photo by ???)
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Quando o reflexo te toca, o que vês Quando a mão que procuras te alcança, o que sentes Quando o coração te irrompe do peito e me diz, o que pretendes ouvir Quando a comunhão de pele se faz poro a poro, qual o sentido Quando o teu olhar profundo mergulha no meu, e substitui o objectivo das mãos, o que procuras Quando me vês, o que te revelo Quando me beijas, qual o gosto Quando me tens, o que te sou? (saído assim, de rompante) (photo by Jamie Kelly)

Procuro-te

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procuro-te… e vivo-te na minha própria saudade, sabendo que para lá dela está também a tua, num bater de alma que nos afoga os sentidos no corpo e nos recolhe as mãos de encontro ao peito, como pássaro cativo do teu sentir procuro-te… em cada sílaba tónica, em cada vírgula, em cada espaçamento de tempo entre as tuas palavras, por entre cada extensão do teu olhar dentro do meu, por entre cada respirar nas pausas de um beijo procuro-te… no sentir de cada recanto teu quando fecho os olhos. Em cada trajecto das tuas mãos pela memória do meu corpo, em cada sopro desfeito num “amo-te”, em cada “quero-te” sussurrado procuro-te… nas pedras que piso, e que choram pelos passos intervalados dos meus longos dias sem ti e nas paredes arranhadas pelo desejo, que sufocam as palavras que mais ninguém ouve para além de mim, e ninguém mais as sente para além de nós procuro-te… e é por entre todos os meus silêncios distantes, que em ecos impelidos pela memória, a tua presença aconte...

Curtas 40 - Ângulos

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O segredo do sorriso, do verdadeiro sorriso, não está no propósito, mas no ângulo dos lábios. Não tem ciência, mas tem a geometria de um batimento, a flexibilidade de um abraço e a direcção de um beijo. Tem a idade das emoções e o peso da felicidade bi-horária. Não tem preço, mas sabe-se que por vezes custa tanto, por todo o alheamento que vemos e sentimos à nossa volta. Tem um caminho sinuoso, percorrido da tua boca à minha, por entre uma batida do coração e outra, e outra, cada vez mais fortes e intensamente prolongadas. O segredo do sorriso, do verdadeiro sorriso, não está no objectivo. Está nas tuas mãos que tocam até ao mais profundo de mim e por lá se passeiam indefinidamente, como se houvesse um sítio, um único sítio, para elas ainda desconhecido. E o sorriso surge, naturalmente, por entre o ângulo que define o amor, que une os nossos corpos numa perfeita fusão de sangue, sabor e sentir. E vem de novo o batimento, em batidas fatais que nos encharcam a alma até aos ossos. E somos...

E de repente TU.

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Sobe o pano no silêncio e de repente TU. Na indiferença das luzes escorregadias que já nem os pés iluminam. Do chão que foge do encontro dos teus passos. E o teu olhar depende apenas do aplauso do abandono, que rapidamente assume o seu melhor papel do vazio de ti. Aí estás TU. Em prostração. Ao aplauso de quem tanto tentou para que, pelo menos, uma cadeira se mantivesse ocupada. Calor. Que não mais existe. Vulto em despedimento. Sombra que se foi. Porta que bateu. Num fechar sem nunca mais abrir. Sobe o pano e de repente TU. ( Luz escorregadia. Baça. Cansada. ) Não com esperança. Mas na expectativa do dia. Do dia das três pancadas em que o pano desce, sem nunca mais voltar a subir. E no silêncio, possas assumir o lugar, desocupado do calor que se foi, num vulto de ombros caídos. E uma sombra que fica. Que se abra a porta… (música: Into Dust | Mazzy Star)

Curtas 39 – Por dentro

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E chega aquele momento em que de dois passamos a um. De quatro mãos fazemos apenas duas e de um amontoado de pele, saliva e poros, um único deleite. O momento em que nos confinamos às paredes do que somos, porque juntos misturamo-nos por dentro delas e pintamos e repintamos o Amor, criando uma tela de mil e um sentires numa plenitude inconfundível, porque apenas a nós pertence. E deixamos que o nosso melhor nos vença os sentidos, cansados do que vem de fora, e resvale para lá do que somos. ( E somos tanto. Somos tanto mais! ) Mergulhamos bem lá por dentro para chegar a todas as fendas e brechas até ao atingir do ponto. Daquele fugaz ponto que permite o descontrolo do teu olhar no meu. O desvario da tua boca na minha e o êxtase trémulo que nos percorre o corpo ansioso. E do teu suor faço o meu, da tua língua o meu desatino e do teu beijo a minha entrega. Transmutamo-nos em altar um do outro, fazendo de ti o meu sangue e eu, o teu corpo, elevando a carne ao espírito em perdição por...

Sem Paredes não há Cor

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As palavras tal como o Amor não têm apenas cor. Têm histórias, cheiros e momentos. Têm o nosso espectro e reflexos. Têm sombreados e intenções estampadas em cada recanto. Têm nomes e datas em cada olhar de soslaio. Têm noites feitas num beijo e um nascer do dia num abraço apertado. Têm o Eu e o Tu, retocado nos limites intersectados das linhas. Mas no fundo não interessa muito a cor, muito menos se existe um papel de parede. O que interessa, na realidade, é a consistência do material, e a forma como conseguimos manter as cores unidas, sem desbotar, sem se dissolverem umas nas outras, e sobretudo sem as largar. As palavras, tal como o Amor, precisam do corpo. Da substância. Dos alicerces. De que interessa a cor, se no final, as paredes que tudo amparam, não passam de uma fina camada de estuque, vulneráveis ao tempo e prontas a descascar. E dessas paredes, de aparência consistente, infelizmente não faltam ao alto. E por mais que se mude a cor, o estuque é sempre o mesmo, o descasque inev...

Curtas 38 - Sentido Obrigatório

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Há um sentido que deve ser sempre seguido. Aquele. O primeiro. O que nos vem imediatamente do lugar a quem mais ninguém pertence. De nós. Aquele que mesmo proibido se faz obrigatório. Que mesmo longo se faz curto. Que de tortuoso se faz o mais especial e memorável. Que de errado se faz certo e sabemos que magoa. Que dói. Que fere. Que tanto nos sufoca como, lentamente, nos vai deixando respirar, como um tormento que não deixa de ser bom e saboreado. Que nos redesenha as linhas das mãos e a sensação dos apertos dos abraços. Que nos arranha o futuro e arruma tracejados. Que nos muda sinais e trajectos sem aviso prévio. Que nos comanda as mãos ao toque e a boca ao beijo. O corpo à verdade do desejo. Molhado, áspero. Desesperado. (In)contido. É o sentido de um caminho que só se faz uma vez na vida. Que se entranha e vai ficando, aninhado em nós, qual besta, qual anjo. Que nos desperta para um único momento. Em nós. É o sentido que nós percorremos. É o sentido que nós fazemos. É o sentido s...

Dias a doer

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Os dias têm sido pesados. Daquele peso que pesa no cansaço. Que nos enche as mãos de nada. Que nos prende a alma à corda, qual mola de roupa enferrujada. É um pouco isso. O peso da ferrugem. E claro, da corda, que nos vai roendo a carne em volta dos sentidos. E os nossos dias passam a caber por inteiro apenas por dentro. E sangram por fora. Para lá da própria ferrugem. Sem mais certezas que não um imenso vazio cheio delas. E pensamos onde nos agarrar, senão naquilo que já não sabemos se somos. Na dúvida. Gigante novelo sem ponta visível. E pensamos: onde está o nosso lugar. Qual é o nosso lugar. E os nossos dias passam a caber por inteiro apenas por dentro. Porque lá fora, lá fora está a doer.

Olhem, Coisas!

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Há dias em que as palavras nos fogem, como o Diabo da Cruz. Assim como as ideias que nos caiem pela rua fora, como quem mecanicamente deita uma beata ao chão já sem chama. Nem fumo, nem fogo. Apenas restos de nada. Os dedos esquecidos deixam de doer pela falta de outros dedos, como quem toma uma anestesia ao pequeno-almoço. Há dias em que a verdade das coisas nos grita de tal maneira atravessada, que nem a ferros a parimos. Há dias em que é difícil sermos. Sermos apenas. Até disso nos esquecemos. E se há coisa fácil na humanidade é o esquecimento. É tão simples. Tão presente quanto banal. Há coisas que de facto me dão nos nervos. E já nem sequer é o esquecimento. Entre aquilo que sou, há uma que me caracteriza de forma sindical: a Indignação. E eu pergunto-me: se um dia a perco, para que me servem os nervos? (autor da imagem: desconheço. Por favor não me processem por isto.)