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A mostrar mensagens de fevereiro, 2008

Abismos

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Sabes esse lugar, sem lugar, que ninguém sabe onde fica, mas suspeita existir. Esse lugar escuro como a noite sem noite, frio como o dia sem sol. Esse lugar sem destino e sem fim à vista, sem profundidade conhecida e sem largura. Lugar perdido no meio do nada de um tudo, dentro e fora de nós, sem aromas conhecidos e de atmosfera transparente. Lugar sem caminhos, sem direcções, sem mapa de estrada, sem Norte e sem Sul. Esse lugar só nosso, por nós descoberto, por nós habitado e por nós amadurecido. Esse lugar, onde nos perdemos um no outro, palmilhando centímetro a centímetro todos os cantos recantos do mundo dos sentidos e do mundo um do outro. Um lugar partilhado sem limites, porque não há limites a serem ultrapassados. Não há prós nem contras. Há apenas a intenção do encontro e reencontro das almas. E eu pergunto-me se o dia virá. Esse dia, em que vou finalmente pisar o fundo desse abismo. Se caio de pé, como os gatos ou se me estatelo no chão em mil e um pe...

Curtas 27 - Dia de S. Receber...prendas

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Em dia de Mercantilismo fútil, não tenho uma prenda para te dar. Nem acho que é preciso. Deixei-me disso há muitos anos, no momento em que descobrir que não amo mais nem menos, por hoje ser o 14º dia de um Mês de Fevereiro de um ano 2008. Num dia em que todos se lembram que são namorados, maridos e amantes, eu digo que não preciso que se lembrem de mim dessa forma. Não preciso que me retribuam nada pelo sentimento. Continuo com o Amor dentro de mim. Continuo com as saudades suadas nas palmas das mãos, e continuo com os olhos frios e distantes, que comemoram a lágrimas vivas, mais um dia sem ti. Não me sinto mais nem menos amada. Não me sinto mais nem menos especial. Sinto-me exactamente a mesma mulher, que se sabe amada. E isso não basta? Basta-me saber que sou uma parte integrante de alguém. Que faço parte de um outro universo, que bate sintomaticamente ao mesmo ritmo do meu. A mim, basta-me saber-te do outro lado e de sorriso impregnado de nós, como uma f...
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Descobri que na natureza, os momentos sucedem-se e não se atropelam, transformando o nascer e o morrer de todas as coisas, numa dança bela e mágica. E eu tento uma imitação reles e muito longínqua da perfeição da natureza. Tento que o coração não tropece no pensamento e que as mãos não se cruzem quando devem estar receptivas para te receber. Espero que o suspiro se mantenha pendente e que o fôlego não interrompa a tranquilidade. Mas solto o grito todos os dias. O grito em que me grito . Em que deixo que o meu corpo se consuma de pensamentos, de sentires e de recordações, de quando as minhas mãos se fundiam noutras mãos, quentes e macias. E tento adivinhar-me o dia de amanhã. A Natureza, não se adivinha. Apenas é. E eu, não consigo contentar-me apenas com isso. Dentro dessa magnânime perfeição, existe um nome, assim, imperfeito como o meu .

Vamos Jogar?

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Queres Jogar? Trunfos?! Não tenho. O trunfo muda, segundo a segundo. Naipe a naipe. Cartada a cartada. Gosto pouco de jogos… Muito menos de usar trunfos… E usar, no verdadeiro sentido da palavra. Não uso dos meus recursos de mulher, para fazer valer seja o que for. Muito menos a chantagem barata para levar o meu bote seja a que Porto for. Valho o que valho. E para mim, a minha maneira de ser, o meu carácter, a minha verticalidade, é o meu maior trunfo. Sem preço, sem validade e sobretudo sem vaidade. Gosto de passar despercebida. Odeio egocentrismos e abomino a auto-promoção. Não dobro a espinha perante ninguém, e não espero que ninguém o faça perante mim. Por isso, eu até nem sei jogar. Tenho a sinceridade à flor da pele. E o coração fora da boca. Digo o que tenho a dizer e tenho tentado aprender a ficar calada para não prejudicar os outros e não me prejudicar a mim também. Mas, tenho TANTO ainda para aprender…para analisar. E eu sei que há quem que...