Filho
Apetecia-me escrever para ti, mas não sei (ainda) o que tanto te quero dizer, porque parece sempre tão pouco. Mas quero dizer-te que és o sonho mais bonito que se transforma todos os dias, e todos os dias és um bocadinho mais real; e que és a grande parte do meu coração, e que és tu que preenches a maioria dos meus pensamentos e todas as divisões do meu espaço interior. Já te amo tanto e ainda nem te senti; ainda não te sei sequer dizer; e ainda raramente e em surdina te chamo filho ; e é-me tão estranha esta palavra, tão estranha quanto a palavra mãe que me vai vestindo lentamente. Mas sempre que me chamam ou eu me penso mãe , eu sorrio e ilumino, num misto de prazer, felicidade e medo. Eu que já tinha tantos medos, tenho agora muitos mais. É inevitável , dizem. Eu não sei se é inevitável, mas tento evitá-los e, por isso, vou pensando na próxima vez em que te vou ver por breves momentos, qual bonequinho articulado a gesticular dentro de mim. E aí penso f...