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A mostrar mensagens de 2012

Filho

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Apetecia-me escrever para ti, mas não sei (ainda) o que tanto te quero dizer, porque parece sempre tão pouco. Mas quero dizer-te que és o sonho mais bonito que se transforma todos os dias, e todos os dias és um bocadinho mais real; e que és a grande parte do meu coração, e que és tu que preenches a maioria dos meus pensamentos e todas as divisões do meu espaço interior. Já te amo tanto e ainda nem te senti; ainda não te sei sequer dizer; e ainda raramente e em surdina te chamo filho ; e é-me tão estranha esta palavra, tão estranha quanto a palavra mãe que me vai vestindo lentamente. Mas sempre que me chamam ou eu me penso mãe , eu sorrio e ilumino, num misto de prazer, felicidade e medo. Eu que já tinha tantos medos, tenho agora muitos mais. É inevitável , dizem. Eu não sei se é inevitável, mas tento evitá-los e, por isso, vou pensando na próxima vez em que te vou ver por breves momentos, qual bonequinho articulado a gesticular dentro de mim. E aí penso f...

Silêncio de ouro

há fases em que o silêncio é de ouro é preciso guardar o que de mais precioso nos acontece evitando que o mundo nos engula a felicidade o meu silêncio é de ouro guardo para mim o que de melhor me acontece e evito que o mundo entre sem ser convidado

Subitamente

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Subitamente, há um rebuliço dentro de mim, danças de mil cores a povoarem cada minuto que passa, sons de mil instrumentos que estremecem o meu mundo Subitamente, há caminhos únicos quer calcorreio em bicos de pés, não sabendo o que me espera ao virar da curva E subitamente, a vida, que nos bate de frente, um porta aberta para o mundo, um coração lançado ao vento E subitamente, já não sei quem sou, para unicamente te ser Há um pedaço de mim que voltou a sonhar

Portugal

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Digo isto com toda a tristeza que me pode assistir: este país apodreceu, está fétido e praticamente morto. Diria "paz à sua alma", mas o Diabo antecipou-se.... Aos mortos exigem o pagamento de dívidas, aos vivos, que que deixem de viver e os políticos vão comendo-se uns aos outros para poderem comer cada vez mais do nosso prato. E nós, gente, povo, vamos deixando, sem reclamar, ou então, sem reclamar muito. Este outrora país, país de Camões, de Pessoa e de outros tantos que morreram com Portugal na boca e no orgulho, está moribundo. Hoje somos parte chineses, parte europeus, alemães, franceses, brasileiros! Parte de qualquer coisa que não nos está no sangue. Somos uma espécie de marca branca que já ninguém quer comprar. Éramos tanto. Fomos tanto durante séculos de existência. Metade do mundo foi nosso! Demos nome às terras, língua aos povos, possuímos os mares mais bravos do mundo, passando "além da dor" e hoje, só a dor nos persegue. Portugal...

Para a minha Mãe

Há lugares onde só existe o teu nome, o teu sorriso, a tua imensurável dádiva. Há lugares onde só tu existes, Mãe. Caminhos estreitos que só tu percorres de pés descalços. Sítios onde só tu pedes a quem se calhar não te ouve e sítios onde continuamente te perdes, mesmo no meio de tanta gente. Há lugares, tão poucos, quase nenhuns, onde só o teu coração cabe. E há um onde ele bate. No meu. Há espaços, como o lugar do meu coração, onde tu vives, onde o teu sangue pulsa. Existes mãe, todos os dias, dentro de mim, e dentro dessa gigantesca palavra que é só tua e que significa amor. Há lugares que só nós as duas percorremos, trilhos espinhosos que só nós os compreendemos, tal como nos compreendemos sempre uma à outra, como se telepaticamente conseguíssemos dizer as coisas que sentimos, o que nos dói hoje, o que nos vai doer amanhã. Há lugares tão escuros, mãe, que só tu tens a capacidade de iluminar, de lhes dar o cheiro das flores que trazes sempre no peito. Só tu mãe, consegues arrancar o...

(im)possíveis

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Querido coração Hoje é para ti que falo. Venho pedir-te para que não pares de bater, que tentes mais uma vez resistir, ou pelo menos finge que sim. Venho pedir-te que continues dentro do meu peito mais do que ferido e irrespirável, tomado pela noite que levou o descanso para longe. Querido coração: sem ti, o que será dos outros corações que trazes nas mãos. E sem eles, o que será da minha vida? Ilustração de Miguel Ministro, do meu livro, Lado B.