Segunda-feira, Novembro 26, 2007

Curtas 21 – Relatividade










Sabes, tenho medo.

Tenho medo, que um dia destes, alguém tenha a ousadia de me vir falar de amor. Aquele amor banalizado, de príncipes e princesas, de castelos, tranças e cavalos brancos. Aquele Amor com que toda a gente sonha um dia, e que nunca acontece, mas que grande parte das pessoas, pensa que sim.

Tenho medo que este tiquetaque, em tom de bomba-relógio que em mim escondo, rebente, e te deixe escapar por entre as minhas sílabas danadas, sem ordem, principio nem fim e acorde aí, umas tantas consciências desenganadas pelas arritmias do coração.

Ousar falar-me de amor, depois de ti, parece-me impossível. Faz-me sentir que, ninguém o conhece como eu. Que ninguém o viveu como eu. Que mais ninguém teve o mesmo privilégio que eu tive.

Eu tive-o.

E eu tenho-o e guardo-o dentro de mim, quando outros se julgam capazes de saltar fora dele, para dele poderem falar.

Eu não te consigo falar deste amor. Não consigo saltar fora e racionalizá-lo, nem descrevê-lo na distância de ti. Parece-me humanamente impossível.

Este amor, não tem outra forma de expressão, que não seja a nossa. E eu, nem dessa forma consigo falar. Não o quero dissecar com adjectivos comuns. Acho que não o merece. É demasiadamente pouco para este TANTO.

O mais engraçado é que, no fundo, acho que toda a gente que diz que ama, pensa como eu.

E no entanto, isso, não deixa de me parecer, simplesmente, IMPOSSÍVEL de ser verdade.


Mas as verdades são assim mesmo. Relativas.

Tal como o Amor.


(written with a demon by my side, and an angel on my way...)


(imagem ?)

Segunda-feira, Novembro 19, 2007

Just Be...Mine












Existem cicatrizes que ficam.


Que marcam a pele, como quem marca um papel a carimbo.


E é isto.


Tenho um carimbo que te comprova em mim, para quando eu própria duvidar da tua existência.


Tu existes.


Inviolável, tingido a vermelho sangue, com gosto de fogo.


Existes, e hoje, só me apetece romper-te o lacre.


Violar-te!


E seres meu.


Meu, para sempre.



(a putty a delirar...)



(imagem ?)

Segunda-feira, Novembro 12, 2007

Skin Memories









Quando o tempo se mistura nas palavras

E a acção verbal se faz sentir em pleno

Quando tudo parece (im)perfeito

E as lágrimas vão buscar o sal do meu olhar

Quando a tua mão fazia magia na minha pele

Quando me dedilhavas a alma com os teus dedos

Quando a tua boca me falava ao corpo, baixinho

Quando os meus olhos chamavam pelo profundo dos teus

Quando a música fala de nós

Quando os trajectos são bem mais importantes que o destino

Quando o passado é mais presente que o meu hoje,

E o meu hoje se faz no minuto em que te vivo.

Quando te chamo sem tu saberes…

Quando me respondes sem eu te ouvir…


Quando…

Tudo isto é (ainda) poesia.


E


Enquanto…


A memória da pele, não nos atraiçoar


...

.....

......


Assim será.






(escrito, entre dois Mundos)

(imagem ?)

Segunda-feira, Novembro 05, 2007

Cansaço











Tenho os meus dias cansados

De um cansaço profundo e doente

Daqueles que nos afogam por dentro

E reviram entranhas

Daqueles que doem na alma

Aleijam o coração

E moem no corpo

Dias trémulos de cansaço

Sem identidade

Sem nada de dia

Sem nada de noite

Nem mesmo o testemunho das estrelas


Tenho os meus longos dias cansados

Um cansaço crescente e até injusto

Um cansaço maior do que eu

Maior do que as palavras cansadas que aqui deixo

Maior que o significado da palavra cansaço.


(imagem ?)