Este Silêncio

Este silêncio interrompe o som à nossa volta.
Ás vezes é bom, mas também por vezes, não gostamos de o ouvir, porque esse silêncio tem uma voz que te sussurra bem dentro do ouvido e da mente.
Nunca ouviste essa vozinha que vem lá de longe, de algures que não conseguimos atingir fisicamente?
Sabes de onde ela vem? Da razão? Do coração? É a revelação do pensamento que julgamos não ser nosso, mas de um outro alguém, desconhecido?
E quando ela decide manifestar-se, tu não podes fugir.
Ela possui-te todo o ser e fala à medida que o teu coração bate, e quanto mais rápido bate mais rápido ela fala. E quanto mais a queres calar, mais ela grita.
Vozinha maldita, esta, que nos faz pensar no que não queremos, que nos faz lembrar o que queremos esquecer e que decididamente veio para ficar connosco.
Ambas coexistimos numa relação de Amor Ódio. Tentamos pacificar os diálogos e juntas lá tentamos dissecar dúvidas e problemas. Algumas com sucesso, outras apenas tentativas e outras sem sucesso algum.
Às vezes ela ganha, outras vezes eu ganho.
Às vezes ela aconselha-me e eu ouço-a com atenção. Outras vezes nem a deixo falar e depois arrependo-me.
Às vezes entramos em contradição e não há maneira de chegarmos a um acordo.
Esta vozinha, sem sexo e sem tom, deita-se comigo e as duas falamos num diálogo de silêncios mudos, até o cansaço vencer. Adormecemos com conversas a meio, e muitas vezes, para sempre inacabadas.
Esta vozinha, veio para ficar.
E se tentares encontrar pontos de harmonia com ela, pode vir a ser uma óptima aliada, e quem sabe, uma boa e eterna amiga…
Basta quereres.

Comentários

Brain disse…
Putty,

Se ouvires com atenção, vais ver que por vezes, não existe apenas uma voz.
Essa, será a que porventura se destaca, mas ela muitas vezes não está lá sozinha.

Esforça-te por ouvires também as outras e vais ver que tudo será "diferente".
Anónimo disse…
Dentro do corpo, no fundo, bem lá no fundo, mora a alma.
Ainda não houve quem a visse, mas todos sabem que ela existe.
E ainda nunca, nunca veio ao mundo alguém que não tivesse alma.
Porque a alma entra dentro de nós no momento em que nascemos e não nos larga nem uma só vez, até ao fim da nossa vida.