Curtas 16 - Ultimatum


Como não tens emenda possível e eu já esgotei o último pacote de paciência que julgava não ter, é assim.

Dou-te as minhas costas.

Espero que gostes. Espero que te satisfaça, esta minha atitude.

Hoje, ainda tens sorte. Consegues falar com elas se quiseres, sem eu ter de me preocupar em te responder e gastar as reservas de sanidade mental que ainda me restam.

Amanhã, falas com a minha sombra, enquanto sigo destino em direcção contrária ao teu e o Sol ainda está alto.

Aproveita, a réstia da minha lembrança.

Depois de amanhã, contenta-te com a minha ausência.

E se mesmo assim, não te contentares, vai-te FODER!

Queres o meu rasto?

Procura-me na Vida.

É por aí que me vou perder, sem meias medidas, sem regressos aos nadas em que tu te enterraste vivo.

Entretanto, medeio-me por aqui mesmo.

Entre o Dia e a Madrugada.

Entre o Tudo e o Nada.

Entre o Querer e o Ser.

Entre a Vontade e o Fazer.

Entre o Rir e o Chorar de tanto Rir, claro. De lágrimas secas, já estou farta.

E com minúsculas e Maiúsculas, é que eu me entendo.

Chega de bocas vazias e intenções esfumadas.

Queres saber o que penso? Lê-me, se souberes e conseguíres.

Comentários

sonhadora disse…
Bom fim de semana.
Beijinhos embrulhados em abraços
Brain disse…
Independentemente do fantástico que está este texto,

Independentemente da forma fantástica com que está construído,

Independentemente da espectacularidade de transmissão de sentimentos de uma forma viva e BEM sentida,

Independentemente de tudo isto...

Não gosto de ultimatos,
Muito menos,
Unilaterais.

"Queres saber o que penso? Lê-me, se souberes e conseguires."
E se não souber?
E se não conseguir?
Significa que não ama?
Significa que ama menos?

Não gosto de ultimatos,
Muito menos,
Unilaterais.

Beijo.
Anónimo disse…
"Os espinhos que me feriram foram produzidos pelo arbusto que plantei."

Byron
FODEX

Que mar de sentires que para aqui vai.. e que rasgo de fúria!

Diz-lhe isso nos olhos.
E com a velocidade e tom com que escreveste!



Este teu texto tem gana!!!!