Curtas 17 – In the Name of Love

É este travo amargo que trago comigo.
Como se um rasto da tua ausência me queimasse a garganta, se alastrasse pela pele e penetrasse fundo no cérebro.
Não é isso que eu quero. Não é.
Mas também, sei lá eu o que quero. Sei lá eu, o que posso querer de ti. Sei lá eu.
Não é fácil amar-te, como te amo. É difícil, e às vezes roça o insuportável de uma loucura.
Nunca amei assim.
E no fundo, surpreendo-me todos os dias por o conseguir. Por te amar desta maneira única para mim, por sentir um amor saudável, lindo e quase perfeito. Quase, apesar de tudo. Porque apesar de tudo, ele existe e é vivido. Até quando, não sei.
Mas eu gosto das “imperfeições”.
Gosto das imperfeições do amor e da sua loucura. Gosto daquela essência mágica que te faz subir o sangue, que te dá ganas, que te faz gritar um nome!
Se estivesses sempre comigo, não te poderia gritar cá por dentro, como grito. Não sentiria esta ânsia quase demoníaca para te ter.
Gosto!
Gosto disso!
Faz-me sentir viva!
Faz-me sentir que afinal, existe pelo menos um motivo, para cá andar. Para rir e para chorar. E sim, de tristeza também.
Porque tu fazes-me falta. A tua ausência dói.
Existem momentos absolutamente insuportáveis, quando o pensamento, rompe as paredes do meu silêncio.
Esse silêncio, em que te vou amando. E nas fracções dos segundos, em que as minhas veias pulsam quando te penso e nos penso, num outro lugar, numa outra realidade.
E assim, tento encurtar este fosso que entre nós existe, e que não nos permite passar de um simples e belo sonho.
E mesmo não sendo tua e tu não sendo meu, gosto tanto do que me dás de ti. Preenches-me de uma tal maneira que eu nunca pensei ser possível. E o coração rende-se cada vez mais, e mais e mais.
A tua proximidade aconchega-me, sabes?
Mesmo que não me toques.
Mesmo que não me beijes.
Mesmo que eu não te veja.
E apesar de eu gostar deste fervor do sangue e do corpo, deste reboliço de espírito, mesmo à distância, as tuas mãos fazem-me falta.
A tua respiração no meu pescoço, faz-me falta.
A presença do teu olhar no meu, faz-me muita falta.
E este, é o verdadeiro problema. Conseguir amar alguém assim. Ora numa calmaria, ora numa maré viva e
O problema está, em atingir um meio-termo, sem nos tornarmos loucos e sem nos ferirmos.
Não quero um amor morno.
Não quero um amor sofrido.
Não quero ficar doida.
Nem sequer sei, o que posso querer de ti.
E muito menos, o que posso esperar de nós.
Neste momento, apenas te quero amar, sem prazo de validade.
Desde que tu o queiras também.
Desde que assim, seja possível.
Era isto que queria dizer-te.
Arranhado a mil anos de distância
Ao som de Interpol - Untitled
Comentários
;)
O meio termo é quase sempre uma chatice, só não o é quando precisamos dele para de vez enquando nos equilibrarmos.
Lovely e forte.
Beijos
Beijinhos, mt bom blog!
Beijinhos
Aqui senti a sua loucura
Aqui nestas palavras sente-se assim só resta o viver intensamente.
Beijo
O "Curtas" é MAIOR.
Enche, cá por dentro, no peito ou no ventre?
Beijinho de sândalo
Adorável.
Um xi
Beijinhos
BF
O texto está lindo, muito bem conseguido!
parabens
walter
O texto está muito bem conseguido, com uma simplicidade, com emoção, está lá tudo!
Amar mais nunca é de menos...
mas sem dependência....... esta é uma besta que dá cabo do desejo... parafraseava o Jorge Palma.
Porque também há coisas que precisam de ser ditas...
Surgem textos como este: Soberbos!
Putty, uma vez mais,
FANTÁSTICO! EXCELENTE!
Beijo.
Revi-me no teu texto!
Obrigada pela visita :)))
Let´s go girls!...It´s show time :)))
dance..dance...dance
Que bom poder desfrutar de linhas novas. Como em tudo na vida, penso, talvez fosse melhor aportarmos no caminho do meio. E o amor é essa figura misteriosa. Antes do encontro, deparamo-nos com as projeções sonhadas e arquitetadas cuidadosamente. Depois dele, passamos a lidar com nossa própria miopia.
Beijos, querida!
PS: Obrigado pela tua visita ao DIVERSOS AFINS.
Bjs
Um beijinho Querida Putty!