Curtas 37 - Palavra

A Palavra tem inumeráveis definições. Mas nenhuma consegue exprimir o sentido dos momentos.
Não há explicação para a circunstância que a envolve, para o que nos provoca, para o que nos alenta e para o que nos magoa.
Para a audácia dos gestos, para a ternura de um sorriso. Para a contenção de um grito, que um abraço quer despontar.
E isso é tanto. E às vezes é tudo.
A coexistência de sentidos e sentires que não se explicam mas apenas se dizem, porque simplesmente se sentem e se misturam, como saliva num beijo, como olhares no desejo.
A Palavra tem esse fascínio. Ser absoluta e absurda ao mesmo tempo.
Ser gritada e silenciada.
Ser nua, crua, rude.
Amada. Viciada.
Amante. Desejada.
Inspiração criticada.
Transpirada. Exaltada.
Chorada. Amaldiçoada.
Ser Palavra dentro de nós, para nós e para os outros. Sem ses, quês e porquês.
Ser Palavra, numa existência simples e intimamente nossa. Tua e minha!
Porque o sentimento respira através dela.
Porque o amor não vive só de beijos, corpos e poros.
Sustenta-se num sussurro ao ouvido, com um “Amo-te…“ e saboreia-se a cada sílaba de cada Palavra de cada frase que desejamos ouvir, com um “Espero-te sempre. Para sempre…”
E que sentido isso tem? Que definição? Que conceito?
Tem aquele que lhe quisermos dar.
Tem aquele que quisermos ouvir.
Mas sobretudo o que quisermos sentir.
E isso é tanto. E às vezes é tudo.
(image by Marianne lacarrour)
Comentários
Uma simples palavra,
Pode ser Tudo,
Como pode ser Nada.
É (como muito bem está dito)
O que quisermos sentir!
E isso é tanto.
E às vezes é tudo!
EXCELENTE TEXTO!
Um Beijo Meu.
Beijos