Dias a doer



















Os dias têm sido pesados.


Daquele peso que pesa no cansaço. Que nos enche as mãos de nada.

Que nos prende a alma à corda, qual mola de roupa enferrujada.

É um pouco isso.

O peso da ferrugem. E claro, da corda, que nos vai roendo a carne em volta dos sentidos.

E os nossos dias passam a caber por inteiro apenas por dentro. E sangram por fora. Para lá da própria ferrugem.

Sem mais certezas que não um imenso vazio cheio delas.

E pensamos onde nos agarrar, senão naquilo que já não sabemos se somos. Na dúvida. Gigante novelo sem ponta visível.

E pensamos: onde está o nosso lugar. Qual é o nosso lugar.


E os nossos dias passam a caber por inteiro apenas por dentro.





Porque lá fora, lá fora está a doer.



Comentários

Brain disse…
Dear Putty,

O que dói,
O que verdadeiramente dói,
Não são os dias...
São as ausências!
Essas!
Daquelas!
Pessoas!

De quem gostamos.
E que nos enchem os dias.

mas isto...
...sou eu a "falar".

Beijo.
Brain disse…
AH!

E PARABÉNS por mais um ano!
Comemorado
P-r-e-c-i-s-a-m-e-n-t-e

HOJE!
:)

Beijo.
Meu.
dom noronha disse…
gostaria de ter o dom que existe aqui.
belos textos!!!!

vejam meus escritos...
http://tremdavida.blogspot.com/
Susn F. disse…
Texto muito sentido. Parabéns! E... esta música foi mesmo bem escolhida.
ruth ministro disse…
Como sempre adorei.

Beijos
estrelastico disse…
O peso de não ter o mesmo peso...