Curtas 38 - Sentido Obrigatório

Há um sentido que deve ser sempre seguido. Aquele. O primeiro. O que nos vem imediatamente do lugar a quem mais ninguém pertence. De nós.
Aquele que mesmo proibido se faz obrigatório. Que mesmo longo se faz curto. Que de tortuoso se faz o mais especial e memorável.
Que de errado se faz certo e sabemos que magoa.
Que dói. Que fere.
Que tanto nos sufoca como, lentamente, nos vai deixando respirar, como um tormento que não deixa de ser bom e saboreado.
Que nos redesenha as linhas das mãos e a sensação dos apertos dos abraços.
Que nos arranha o futuro e arruma tracejados. Que nos muda sinais e trajectos sem aviso prévio.
Que nos comanda as mãos ao toque e a boca ao beijo.
O corpo à verdade do desejo. Molhado, áspero.
Desesperado. (In)contido.
É o sentido de um caminho que só se faz uma vez na vida. Que se entranha e vai ficando, aninhado em nós, qual besta, qual anjo. Que nos desperta para um único momento.
Em nós.
É o sentido que nós percorremos.
É o sentido que nós fazemos.
É o sentido sentido!
A doer. A magoar.
Aquele. Único. Inigualável.
Comentários
Aquele Beijo.
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