E de repente TU.

Sobe o pano no silêncio e de repente TU.
Na indiferença das luzes escorregadias que já nem os pés iluminam.
Do chão que foge do encontro dos teus passos.
E o teu olhar depende apenas do aplauso do abandono, que rapidamente assume o seu melhor papel do vazio de ti.
Aí estás TU. Em prostração. Ao aplauso de quem tanto tentou para que, pelo menos, uma cadeira se mantivesse ocupada.
Calor.
Que não mais existe.
Vulto em despedimento.
Sombra que se foi.
Porta que bateu. Num fechar sem nunca mais abrir.
Que não mais existe.
Vulto em despedimento.
Sombra que se foi.
Porta que bateu. Num fechar sem nunca mais abrir.
Sobe o pano e de repente TU.
( Luz escorregadia. Baça. Cansada. )
Não com esperança. Mas na expectativa do dia.
Do dia das três pancadas em que o pano desce, sem nunca mais voltar a subir.
E no silêncio, possas assumir o lugar, desocupado do calor que se foi, num vulto de ombros caídos.
E uma sombra que fica.
Que se abra a porta…
(música: Into Dust | Mazzy Star)
Comentários
Numa hora de nós,
Em que o fim é o tudo.
Não atingi-la,
É uma meta.
Saber quando sair,
Um desafio!
Mas...
O desafio de nos mantermos,
Sempre,
SeMpRe,
s-e-m-p-r-e,
e para sempre,
em nós,
É ainda maior!
Sabê-lo fazer, uma arte!
Consegui-lo, talvez, o maior dos troféus!
Eu... vou-me tentando manter por cá.
E tu?
(Mais uma Fantástica BEM ao teu inconfundível estilo! Parabéns!)
Um Beijo de Mim!
Gostei muito do teu texto, como sempre...
Beijinhos