Máscaras
Hoje mascaro-me de solidão.
Pinto a cara com tons de nevoeiro para que ninguém note a desordem da minha vida.
Cubro os lábios de vermelho-silêncio que te oculta os beijos
E nos olhos, a sombra dos teus.
De roupa, não trago mais do que tu. A memória de quando me vestes com a tua pele e me cobres por inteiro.
Desnudo apenas o peito para que o coração respire nos espaços onde não estás.
Do cabelo, não disfarço as ondas por onde se perdem os teus dedos
Mantendo-as presas apenas com um gancho para que não transbordem ainda mais da saudade.
E as mãos ocupam-se com a ausência que me chora para o papel.
…
Hoje trajo-me de solidão e pinto a cara com tons de nevoeiro.
E pergunto-me, sem máscaras, quem sou eu por detrás dele.
(imagem retirada da net)

Comentários
Aquele Beijo Meu
Quem escreve assim não é gago.
Beijo.
Eis um belissimo poema!
As palavras brotaram impulsivas, inquietas, exactas, transbordam emoção...
Isto é poesia!
Beijos
AL
Santa. Catarina.
Março.
Ardósia.
;)
Abraço grande para ti.