Máscaras


















Hoje mascaro-me de solidão.
Pinto a cara com tons de nevoeiro para que ninguém note a desordem da minha vida.
Cubro os lábios de vermelho-silêncio que te oculta os beijos
E nos olhos, a sombra dos teus.
De roupa, não trago mais do que tu. A memória de quando me vestes com a tua pele e me cobres por inteiro.
Desnudo apenas o peito para que o coração respire nos espaços onde não estás.
Do cabelo, não disfarço as ondas por onde se perdem os teus dedos
Mantendo-as presas apenas com um gancho para que não transbordem ainda mais da saudade.
E as mãos ocupam-se com a ausência que me chora para o papel.
Hoje trajo-me de solidão e pinto a cara com tons de nevoeiro.

E pergunto-me, sem máscaras, quem sou eu por detrás dele.





(imagem retirada da net)

Comentários

Brain disse…
F E N O M E N A L ! ! ! !

Aquele Beijo Meu
Anónimo disse…
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Anónimo disse…
Absolutamente GENIAL !!!

Quem escreve assim não é gago.

Beijo.
A.S. disse…
Putty...

Eis um belissimo poema!
As palavras brotaram impulsivas, inquietas, exactas, transbordam emoção...
Isto é poesia!

Beijos
AL
Sugestão aceite.
Santa. Catarina.
Março.
Ardósia.

;)

Abraço grande para ti.