Sorriso
De vez em quando tenho o teu sorriso só para mim.
Segura-lo na mão, prende-lo nos lábios e depois entregas-mo, como se de alguma forma, o pudesses dar.
E eu aceito-o, como se de alguma forma o pudesse aceitar.
Há-de chegar o dia em que terei de o devolver. O teu sorriso por inteiro aos teus lábios.
E repleta das tuas dádivas, a minha boca secará do vazio, ao mesmo tempo que os teus lábios deixarão de conhecer o seu próprio lugar.
(imagem retirada da net)

Comentários
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Mário Cesariny
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Mário Cesariny
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Eugénio de Andrade
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