Filho

















Apetecia-me escrever para ti, mas não sei (ainda) o que tanto te quero dizer, porque parece sempre tão pouco.

Mas quero dizer-te que és o sonho mais bonito que se transforma todos os dias, e todos os dias és um bocadinho mais real; e que és a grande parte do meu coração, e que és tu que preenches a maioria dos meus pensamentos e todas as divisões do meu espaço interior.

Já te amo tanto e ainda nem te senti; ainda não te sei sequer dizer; e ainda raramente e em surdina te chamo filho; e é-me tão estranha esta palavra, tão estranha quanto a palavra mãe que me vai vestindo lentamente. Mas sempre que me chamam ou eu me penso mãe, eu sorrio e ilumino, num misto de prazer, felicidade e medo. Eu que já tinha tantos medos, tenho agora muitos mais. É inevitável, dizem.

Eu não sei se é inevitável, mas tento evitá-los e, por isso, vou pensando na próxima vez em que te vou ver por breves momentos, qual bonequinho articulado a gesticular dentro de mim. E aí penso filho, até o tempo voar e deixar a tua imagem estática naquele ecrã escuro. Mas tu e tudo aquilo que representas até ao último vislumbre dos teus movimentos inconscientes, vão fixos na minha retina, à medida que abandono aquela sala pequena e volto à realidade do mundo. 

Mas tu vais comigo. Estás sempre, sempre comigo, e essa sensação é tão indescritível, tão fabulosa e tão extraordinária quanto a tua existência, filho

Comentários

Brain disse…
E apenas um progenitor, sabe o que é esta sensação!
Muito bom!
Como sempre!

Beijo Meu
Sweet68 disse…
É mesmo assim. E quando pensas que ele está pronto para cortar o cordão e que vai começar a voar, ele vai voltar a aninhar-se em ti. É sim o que dá sentido à vida. Beijo grande