Um café e um abraço














Entro no café.

Ao balcão, o empregado "então, o que vai ser"?

Eu peço "era para desenlaçar um bocadinho este arame farpado que se engadilhou no peito, pode ser?"

O empregado "ok, é para já?"

Eu (sustenho a respiração) "pode ser agora?!"

***

Entro no café.

Ao balcão, o empregado "então, o que vai ser"?

Eu peço "um café comprido, por favor"

O empregado "chávena quente?"

Eu "pode ser, não sei (agora é que me tramaste), o que é melhor para o coração?"

O empregado responde "sem abraço, nem quente nem frio"

***

Entro no café.

Ao balcão, o empregado "então, o que vai ser"?

Eu peço "um café comprido, por favor, com uma embalagem de abraço"

O empregado "com ou sem sorriso?"

Eu "(bolas), o que é melhor para respirar de alívio?"

O empregado "doce, bem doce esse abraço, duas embalagens de sorrisos e paga apenas o café comprido"


***

Entro no café.

Ao balcão, o empregado "então, o que vai ser"?

Eu digo que não sei "talvez um abraço bem forte e muitos sorrisos, tudo para levar mas (se calhar), para já, é só um café comprido, em chávena a escaldar.


2014 Março 21

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