Escuridão
Densa, em dias magoados, a escuridão é inevitável. Impossível não a sentir nos golpes dolorosamente mais finos.
E com a força do querer, fechamos muito os olhos, para que ao abri-los, a inundação da claridade aconteça. Bálsamo cicatrizante.
Mas nem sempre assim o é.
E quando fechamos muito os olhos, o que acontece tantas vezes, é apenas a antecipação do escuro. E o escuro nem sempre é só a ausência de luz.
Por vezes o escuro é tão brilhante que cega, lancina. Porque também dói. Porque também sangra. E lateja a cada respirar. Como um coágulo preso em cada veia. Que não cede e silenciosamente cresce, enquanto nos entretemos nos intervalos do tempo. Quando o medo é só mais uma palavra adormecida, à espera.
E entre o espaço denso e escuro dos dias magoados, em que fechamos muito os olhos, em esperança, somos matéria por ser. Indefinida. Sombra e luz, medo e coragem.
Vida em recomeço ou em mergulho de morte.
Pergunto-me de que forma vamos sair desta vez.

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