Aves perdidas
Há aves assim, já feridas mesmo antes do primeiro voo.
Verdades pousadas em bando, conscientes de cada vez que uma asa se ergue para o seu propósito.
Sombras que adiam a sua existência.
Hoje sei o quanto se existe entre estas duas sombras. Corpo
de ave ferida. Em consciência profunda de que afinal, enfrentar o céu, pode ser
uma queda fatal. O quanto isso pesa em cada uma das asas. Uma dor aberta de
cada lado, fora do sítio. Como se tudo ao contrário. Pelo avesso. E quando se quer
cantar, só um grito esvazia o peito. Faca afiada, que rasga qualquer
expectativa de melodia.
Já não se sabe como ou para onde voar. Mas sem
queda não há voo absoluto, nem certezas de asas. Apenas duas sombras em dor, abertas
de cada lado, como gaiolas inúteis.
Aves perdidas do lugar do seu voo.
2024 junho 14

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