Teia

Teço os meus pensamentos,
Tal como uma aranha tece a sua teia.
A ordem pela qual começo
É que nem sempre é a mesma.
Ora pelo inicio,
Ora pelo fim,
Ou até mesmo pelos meandros.
Quando dou por mim,
Tenho um emaranhado de pensamentos,
De sentimentos,
De opiniões difusas.
Hoje digo sim,
Amanhã digo não.
Depois não sei,
No futuro, … talvez.
Depois de bem tecer a minha teia,
Pulo em cima do meu raciocínio,
Para ver se está ou não consistente.
(Será que a aranha faz o mesmo?)
E tal como este bichinho,
Tento captar para a minha teia, quem comigo
A quiser partilhar.
Poucos caíram.
Mas os que caíram, ainda hoje, pulam comigo!
Fizemos do meu emaranhado
De pensamentos, ideologias, visões sobre mundo,
Sobre as coisas e sobre os outros.
Algo comum…
E se cada um de nós,
Puxar por um fiozinho desta teia disforme,
Mas mágica,
Conseguimos fazer música!
Inaudível e incompreensível para todos os outros,
Talvez.
Mas fio a fio,
Puxando fio aqui e fio acolá,
Lá vamos afinando tons e ajustando
Ritmos de vida.
Um dia, quem sabe,
Soamos como um violino!
É isso que ambiciono,
Que a minha teia disforme,
Soe à doce melodia de um violino.


Comentários

Anónimo disse…
É uma perspectiva bonita de uma situação assustadora.
Seja bem aparecido, Sr. Estrelástico!!

Foi uma agradável surpresa, a tua visita...